Sem igreja, graças a Deus!

Jefferson Ramalho

Entendi o que significa ser cristão no dia que resolvi não frequentar mais assiduamente nenhuma igreja. Respeito quem faz tal opção, mesmo porque já fui um deles. Mas quis a Vida que eu, talvez precocemente, percebesse que esta vida não é para mim.

Igreja, culto, reunião, comunidade, grupo alternativo, congregação… Estou cheio de tudo isso. Quando me convidam pra “pregar” ou ministrar alguma aula de teologia ou história da igreja vou com prazer, alegria e gratidão, e procuro fazer o melhor que posso. Mas, por favor, não me chame para fazer parte, nem me venha com aquela conversinha de que lá aonde você vai a coisa é diferente, o pregador é atualizado, moderninho, prega como se estivesse conversando informalmente, traz uma palavra bem diferente daquela tradicional. Não, por favor, mil vezes não!

É engraçado quando alguém me convida pra pregar ou lecionar! O fulano não resiste a tentação e faz aquela “bendita” pergunta: “de que igreja você é?” Na hora, só pra deixá-lo feliz, eu dou uma resposta. Digo: “sou da igreja tal”. Ou então respondo: “frequento, quando possível, o grupo tal”. Mas hoje tomei uma decisão! Quando me fizerem tal pergunta, responderei pura e simplesmente a verdade: “não sou de lugar algum!”

Aliás, farei questão de complementar: “não faço parte de nenhuma igreja, comunidade, grupo ou o que quer que seja, porque entendo que ser cristão – que é o que eu sou – corresponde a não pertencer a nenhuma instituição religiosa”.

Para mim, quem faz parte de uma igreja, paróquia, comunidade, grupo, encontro… não é mais ou menos cristão do que eu por causa disso.

Pra que serve a instituição religiosa? Pra várias coisas, dentre as quais:

– para sustentar seu líder, bispo, mentor, pastor, apóstolo, padre… pelo simples fato dele ter achado que Deus lhe escolheu para aquilo – há exceções, raras, mas há, pois há pastores que trabalham para colocar dinheiro dentro de casa;

– para fazer com que pessoas que conseguem reduzir sua vida com Cristo àquilo tudo, continuem praticando sua fé;

– para se afirmar como aquela que conseguiu encontrar o verdadeiro significado do Evangelho mais que qualquer outra instituição autodenominada cristã;

– para alimentar as esperanças e a fé de pessoas que ainda não perceberam que ser cristão significa ter comunhão sem ter de fazer parte de uma empresa com CNPJ, com nome fantasia de igreja;

– para manter aquela equivocada ideia de que Ceia se reduz a um ritual com um pedacinho de pão e a dois dedos de vinho – quando não é suco de uva. Ainda tem gente, inclusive, que briga por causa dessa bobagem – sendo que Ceia, de fato, era um grande banquete, mas que se tornou ritual quando não era interessante que os pobres participassem do banquete;

– para arrogantemente dizer ao ser humano o que ele pode ou não pode fazer;

– para ser, quando metida a liberalzinha, o refúgio daqueles que não mais se enquadraram num contexto muito conservador e moralista.

Cansei disso! Aos domingos à tarde quero ficar com minha família, quero ver futebol, quero ir ao cinema, quero ler um bom livro – com certeza muito melhor do que ter de me sacrificar ouvindo estes sermões deprimentes pregados por pastores tão exclusivistas e despreparados como os dos nossos dias –, quero ouvir uma música que eu goste, quero beber uma cerveja bem gelada, quero dormir e descansar suficientemente porque tenho de trabalhar na segunda-feira, quero amar minha esposa – entenda o que quiser com a palavra “amar” –, quero ir ao parque, quero ir à sorveteria, quero ouvir e contar piadas, quero fazer qualquer coisa que me seja saudável que não seja sentar a bunda numa cadeira de igreja para seguir aquele mesmíssimo ritual: cantar uns 40 minutos, colocar uma grana no envelopinho, ouvir os avisos – no meio ou no final – e ouvir uma “pregação” com a ilusão de que quem está falando por meio daquele sujeito é o Deus Criador dos Céus e da Terra.

Para mim, ser cristão é ser sem igreja, sem comunidade, sem paróquia, sem grupos, sem reuniões religiosas – ainda que com cara de grupo de cristãos desinstitucionalizados… Eu cansei dessa papagaiada! Há alguns que eu amo que ainda se encontram nessa vida de dependência, são meus amigos e sempre serão, e que se sentem bem – ainda que iludidos, na minha opinião – por deixarem de fazer tantas coisas boas que o Eterno deixou para fazermos, e preferem ir a um lugar no qual eles acreditam que Ele esteja falando com eles.

Gente! Ser cristão sem igreja, isso sim é ter liberdade em Cristo! É ter compromisso com o próximo sem ter de levantar bandeira religiosa alguma. Aliás, é entender que ser cristão não significa estar levantando uma bandeira da verdade, mas é apenas ter optado por uma dentre tantas bandeiras que se levantadas do modo certo, conseguem praticar o mesmo bem a todo e qualquer ser humano.

Para mim, se Jesus não tiver existido, a vida perde o sentido, contudo, para outros a existência histórica de Jesus não faz a menor diferença. Tal pessoa não é menos feliz que eu por causa disso. Aliás, ela até pode ter encontrado o real sentido da vida antes de mim, mesmo que nunca venha conhecer a mensagem de Jesus.

Portanto, se alguém me perguntar a partir de hoje: “Você é cristão?” Eu responderei: “sim!” E se então perguntar: “Então de qual igreja você é?” Eu responderei: “Graças a Deus, de nenhuma!”

fonte: caFé + reflexão = espiritualidade

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Sem igreja, graças a Deus!

6 Comentários

  1. Naotenhoemail disse:

    Você não tem opinião própria, simplesmente copiou o texto de outra fonte e reproduziu em seu site.
    Em Hipotese alguma quero criticar sua escolha. (Mesmo que seja real).

    Mas da proxima, tente expressar com seus argumentos e opiniões!

  2. Josmanbarboza disse:

    O cristao deve ser sem igreja?

    A idéia de um “cristão sem igreja” é absurda e não tem fundamento nas Escrituras. Atos 2:47 diz que “todos os dias acrescentava o Senhor à igreja aqueles que se haviam de salvar”. Se o próprio Senhor acrescenta à Igreja todos os dias os que “haviam de se salvar” ou, como diz em outra tradução, “os que iam sendo salvos”, como pode existir um salvo “sem igreja”? A igreja é o corpo de Cristo, ao qual cada salvo é adicionado como membro, e desse corpo ele jamais será subtraído, e nem conseguirá se desligar por si próprio, pois esse corpo é controlado pela cabeça, que é Cristo.

    • carlos magalhães disse:

      Jesus tambem disse que os verdadeiros adoradores ; adoraria o PAI em ESPIRITO E EM VERDADE; ou seja nem naquele poço que aquela mulher tirou agua e nem nos templos de gerusalem; profetizava desde já o fim dos templos e das igrejas.

  3. Martins disse:

    Compreendo bem o que está escrito pois em parte parece o retrato da minha experiência. As congregações (chamadas igrejas) estão um desastre em doutrina e comunhão. Não conheço nenhuma que deseje frequentar. O amor ao dinheiro dos líderes, a falta de amor entre os crentes, a ingratidão tanto a Deus como aos irmãos, a leviandade com que vivem, os desvios doutrinários (um horror), as práticas contra a sã doutrina (divórcios por tudo e por nada. Alguns já se casaram e divorciaram várias vezes),… Assim vou para 5 anos que me não congrego depois de 30 anos na igreja de forma fiel e persistente. É esta a solução, não nos congregarmos? Não creio. A congregação é necessária pois um corpo não pode viver se estiver separado em vários pedaços. Também só havendo congregação se pode levar outros a Cristo e alimentá-los até que se tornem adultos. É para isso que está escrito que uns foram dados para pastores, doutores, evangelistas, etc. para o crescimento dos santos. A igreja é uma escola para ensinar principalmente os crentes novos e no geral a todos até que se chegue a estatura de Cristo. Desejo me congregar mas estou farto de engano e voltar ao mesmo não vou voltar. Talvez crentes na mesma situação que eu e com desejo de servir fielmente a Jesus se possam congregar (sem igrejas institucionalizadas) e fazer a diferença e alcançar outros para Cristo e depois alimentá-los na palavra para que cresçam sãos e sejam verdadeiros cristãos.

  4. Amabile Jesus disse:

    Eu me identifiquei totalmente com o texto.
    Congreguei por muitos anos na Igreja Metodista e posteriormente na Igreja Batista.
    Hoje sou cristã, acredito em Deus e em Jesus Cristo, porém não frequento igreja. Sou uma cristã sem igreja.

  5. MARCIO BEZERRA disse:

    Gostei.
    A minha história é bem diferente as demais pessoas, já que o meu pai, falecido há pouco mais de 1 ano , era capelão (padre) militar. Mesmo assim, convivei com minha mãe por 45 anos.
    Como não podia ir a igreja católica, eu, minha mãe e meus 3 irmãos, passamos a frequentar uma igreja evangélica, onde fui pastor por cerca de 15 anos de igrejas pequenas e grandes, cheguei a ter status muito grande no meio gospel, onde durante 6 intensos anos, trabalhei como pastor auxiliar na ADVEC, igreja do Pr Silas Malafaia, onde sempre tínhamos contato, onde eu e minha família adquirimos muitas experiências e amizade, com pessoas maravilhosas. Porém, nunca senti a verdadeira paz, o verdadeiro sentido de tudo aquilo, me achava um pássaro longe do ninho.
    Eu comecei a refletir de forma intensa quando meu filho mais velho, na época com 15 anos, me disse que não iria mais a igreja porque não queria conviver com pessoas falsas. Isso me incomodou muito e passei a ver a comunidade que convivia com outros olhos.
    Acredito que ser cristão fora da igreja é mais difícil, pq fazemos algo q realmente acreditamos e não influenciados por normas e regras estab estabelecidas por homens comuns, como nós.
    Hoje, faço “coisas” que me transformam num homem muito mais feliz, porque faço tudo que gosto, junto com minha família, sou um marido e pai melhor, mais presente, meu filho, que passou a ser meu inimigo na época citada, hoje é meu grande amigo, e continuo acreditando em Deus e na Cruz de Cristo como o motivo dá minha crença e praticando dentro daquilo que creio perante a Deus e ao próximo.
    Parabéns por expor o seu testemunho de vida porque, a partir dele, fomos muito abençoados.

Deixe o seu comentário