Quem são os brasileiros que alcançaram o sucesso na internet no Brasil e no mundo

Jonny Ken, Daniel Sollero e Gustavo Scanferla são exemplos do que podemos chamar de novos talentos da internet. Sem colocar a mão no bolso, apenas com uma boa ideia na cabeça e um computador na mão, esses três brasileiros desenvolveram seus projetos e, hoje, começam a colher os frutos do empreendedorismo.

A história de Gustavo começou aos 17 anos, quando ele não encontrava uma solução para conversar com vários amigos online ao mesmo tempo, usando webcams. A partir daí, ele aprendeu a programar e criou um serviço chamado Pligus.  Gustavo considera que sua história deixa claro que um dos principais passos para ter sucesso com algo novo na internet é oferecer um serviço que seja interessante para muitos. “O Pligus é um site que vai solucionar os problemas de pessoas e equipes que trabalham juntas, mas não em um mesmo”, explica o criador do site que já conta com mais de 5 mil usuários cadastrados.

Na mesma linha, viciado em cinema, Daniel Sollero vinha há muito tempo quebrando a cabeça para desenvolver um aplicativo para iPhone que fosse útil para as pessoas. Junto com um amigo, descobriu que o projeto que ele tinha na cabeça era maior do que esperava e decidiu montar o Moovee.me: uma rede social de reviews de filmes em até 140 caracteres, usada por, pelo menos, 3 mil internautas atualmente. “É rápido de escrever e de consultar. Isso, para a gente, é o principal “, conta o desenvolvedor.
Já o famoso encurtador de URLs Migre.me nasceu de uma simples brincadeira durante uma Campus Party. Em uma competição de trotes, o brasileiro Jonny Ken procurava uma ferramenta para contar cliques e eleger o vencedor. “Pensei em fazer uma página com as notícias mais legais do dia. Aí surgiu o Migre.me. Falei que ia fazer em um dia para um amigo e perdi a aposta, já que fiz em três dias”, brinca Jonny.
Hoje, além de filtrar conteúdo, o site dele é também um dos encurtadores de URL mais usados da web, com aproximadamente 300 mil usuários ativos e 2 milhões no total.
Atualmente alguns rostos brasileiros também têm aparecido em empresas internacionais, especialmente entre as redes sociais e grandes companhias de tecnologia. Até pouco tempo não existiam muitas oportunidades para levantar financiamento de venture capital no Brasil, por isso, aqueles que tinham ideias inovadoras ou queriam conhecer a filosofia de uma empresa de startup corriam atrás de oportunidades fora do país.

Este foi o caso de Hugo Barra, um engenheiro elétrico que deixou Minas Gerais e hoje faz parte de uma das maiores empresas de tecnologia do mundo, a Google. Hugo se mandou para Boston, nos Estados Unidos, para fazer um mestrado em computação no MIT, um dos institutos de tecnologia mais importantes do mundo. Lá, reuniu alguns amigos e, juntos, abriram a Lobby7, uma empresa que desenvolvia tecnologias de reconhecimento de voz.

Em pouco tempo, a Lobby7 foi comprada pela Nuance Communications e Barra virou diretor da empresa. Foi lá que o mineiro teve contato com o primeiro celular com o sistema operacional Android. E a partir daí, traçou seu caminho até chegar onde está atualmente: diretor de produtos móveis na Google.

Assim como Hugo, Carol Schimmelpfeng também se infiltrou em uma grande empresa de tecnologia internacional. A advogada paulista, de 32 anos, assumiu a tarefa de desenvolver a versão em português do Twitter. Carol conta que se candidatou à vaga que estava aberta no microblog e apesar da empresa precisar de um engenheiro, ela resolveu tentar de qualquer maneira. Os fundadores Biz Stone e Evan Williams, que sempre entrevistam pessoalmente os candidatos, gostaram do perfil da brasileira e acabaram a contratando.

Já Mike Krieger foi mais além. Ele se formou em Stanford, na Califórnia, nos Estados Unidos, e decidiu ficar no país para trabalhar em empresas de startup. Ele começou na equipe da Meebo e lá aprendeu a filosofia de empresas desse porte.  “Quando me formei, em 2008, não conhecia muitas empresas assim no Brasil”, conta.

Já devidamente estabilizado, Mike e seu amigo Kevin Systrom perceberam que muitas pessoas estavam comprando celular com câmeras de qualidade e que, na maioria das vezes, as fotos ficavam “presas” nos smartphones sem serem compartilhadas. Foi aí que surgiu a ideia de criar o Instagram. “Decidimos criar um aplicativo para ajudar neste problema: facilitar o compartilhamento de fotos”, lembra Mike.

Em pouco mais de três meses, o Instagram já acumula mais de 1 milhão de downloads na App Store da Apple e o Brasil está entre os quatro maiores em número de usuários. Segundo Mike, o segredo do sucesso dos brasileiros nessas empreitadas é a criatividade e maleabilidade, que se encaixa perfeitamente em ambientes de startup, onde há mais flexibilidade e oportunidades para inovação.


O mesmo aconteceu com Eduardo Saverin, um dos responsáveis pela criação da rede social mais popular do mundo, o Facebook. Ainda que o site de relacionamento não seja o mais acessado entre os brasileiros, foi um paulista que ajudou a desenvolvê-lo junto com Mark Zuckerberg.

No livro “Bilionários por acaso – A criação do Facebook”, o autor Ben Menzirich conta que, em 2003, Saverin iniciou o curso de Economia na Universidade de Harvard e lá conheceu Mark Zuckerberg. No ano seguinte, eles fundaram o “Thefacebook”, que mais tarde se tornaria a maior rede social do mundo, atualmente com mais de 500 milhões de usuários.

Saverin é resistente a entrevistas e, por isso, surpreendeu a todos quando postou um texto sobre o filme “A Rede Social” no blog de convidados da rede CNBC. Diferente do que muitos imaginavam, Eduardo não usou o espaço para criticar o filme, ele preferiu deixar uma mensagem de incentivo a outros jovens. “Espero que o filme inspire muitas outras pessoas a criar e dar um salto em novos negócios. Com um pouco de sorte, elas poderão mudar o mundo”.

Mesmo estando afastado das atividades da rede social, porém ainda com porcentagem da empresa, Eduardo continua investindo em suas ideias. A Qwiki, uma nova empresa de “experiência de informação”, recebeu do bilionário US$ 8 milhões no fim de 2010. A empresa, que fez sua estreia em setembro do ano passado, atua como uma enciclopédia interativa, contando histórias ao invés de trazer apenas resultados de busca.

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