Redes sociais mudam status e criam nova geração de vips

Jessica E. Vascellaro

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Quando Katie Miller foi a Las Vegas em novembro passado, ela tuitou sobre os luxuosos bufês e postou fotos de seus assentos no espetáculo aquático “Le Rêve” no hotel Wynn Las Vegas.

Uma semana depois, Miller, 25 anos, uma executiva de conta de uma firma de relações públicas, recebeu um e-mail que a convidava para uma badalada festa de fim de ano em Manhattan.

“No começo fiquei confusa”, disse Miller. Ela leu mais e descobriu que havia sido identificada como uma “influenciadora de alto nível” pelos patrocinadores do evento, entre eles os hotéis Venetian e Palazzo de Las Vegas, e por uma empresa de tecnologia chamada Klout, que classifica as pessoas com base em sua influência nos círculos da mídia social. “Fiquei honrada”, disse, bebendo um coquetel na festa de US$ 30.000.

Esqueçam riqueza, aparência ou talento. Hoje, uma nova geração de vips está cultivando seu fator “cool” por meio das redes sociais. Aqui, gente comum pode se tornar “influente” de uma hora para outra dependendo do número e do tipo que pessoas que as seguem no Twitter ou comentam em suas páginas do Facebook.

As pessoas vêm trabalhando suas reputações on-line há anos, burilando os currículos no site de relacionamento profissional LinkedIn e tentando afetar os resultados de busca que aparecem quando alguém faz busca de seus nomes. Agora, estão de olho em algo que antes era visto como muito mais difícil de medir: a influência sobre outros consumidores.

Os árbitros da nova hierarquia social têm nomes como Klout, PeerIndex e Twitalyzer. Cada empresa funciona basicamente da mesma maneira: elas usam dados públicos, principalmente do Twitter, mas também de sites como LinkedIn e Facebook, em fórmulas secretas e então geram notas que medem a influência dos usuários. A PeerIndex chama isso de índice “S&P das relações sociais”.

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As empresas dizem que seu propósito é fornecer parâmetros para ajudar as pessoas a identificar em quem confiar na internet e dar um meio de as empresas acharem pessoas ansiosas para apregoar suas marcas. As iniciativas deram partida a uma corrida entre os fanáticos das redes sociais que, em busca de brindes e prestígio, trabalham duro para fazer o jogo do sistema e assim aumentar suas notas.

Casie Stewart, de 28 anos, uma consultora de sites de relacionamento de Toronto, ganhou um voo da Virgin America, compras na Mark’s Work Wearhouse e uma viagem com todas as despesas pagas à semana da moda da Nova Zelândia graças à maneira prolífica com que tuita e bloga sobre sua vida.

“Fotografada agora por fotógrafo de moda @raphaelmazzucco no Diesel Lounge”, tuitou recentemente.

A Klout qualificou Stewart de “networker” e lhe conferiu uma nota 74 (de 100). Quando sua nota subiu, ela ganhou a atenção de uma série de marcas e firmas de RP que lhe deram prêmios, diz Stewart, que tem mais de 5.000 seguidores no Twitter. Ela diz que escreve para construir sua “marca pessoal”, e que ganhar brindes das empresas que querem que ela tuite ou blogue a respeito delas ajuda: “Sempre quis ser conhecida como realmente boa em alguma coisa.”

As celebridades também querem ficar à frente.

No ano passado, os empresários de Britney Spears, Adam Leber e Larry Rudolph, solicitaram um encontro com o diretor-presidente da Klout, Joe Fernandez, em San Francisco. Num almoço, questionaram Fernandez por que a nota de Spear no Klout, na época em torno de 64, era mais baixa que a de Lady Gaga (78) e a de Ashton Kutcher (77).

“O que essas pessoas estão fazendo melhor que a gente?”, perguntaram, segundo Fernandez.

Fernandez diz que os aconselhou a dizer a Spears para tuitar com mais frequência e a enviar mais tweets ela mesma, em vez de deixar que outros o fizessem em nome dela.

Leber diz que Spears seguiu alguns dos conselhos de Fernandez, como se assegurar de que coloca seus posts em vários serviços, como Twitter e Facebook. Mas, acrescenta, ele reluta em inundar os seguidores da cantora com muitos tweets porque as celebridades não deveriam ser tão acessíveis.

“É preciso deixá-los querendo mais”, diz. Hoje, a nota de Spears é 87. A de Lady Gaga é 90.

Na América Latina, a personalidade com nota mais alta no Klout é o escritor Paulo Coelho. Ele está com 95. Entre outras celebridades conhecidas por usar o Twitter, o jovem craque santista Neymar tem nota 86. Ronaldo, o Fenômeno, estava com 83 antes de anunciar sua aposentadoria.

O consultor Zach Bussey, 25 anos, começou a tentar melhorar seu prestígio em sites de relacionamento no fim do ano passado. “É uma coisa de ego”, diz Bussey, que se descreve como um “apaixonado” das redes sociais.

Um dos serviços a que ele recorreu foi o TweetLevel, criado pela firma de relações públicas Edelman. Ele dá notas à influência, popularidade, confiabilidade e “engajamento” dos usuários numa escala de 1 a 100. Ele decidiu tentar melhorar sua nota aumentando a porporção de pessoas que o seguem em relação ao número que ele segue. Por isso cortou pela metade o número de pessoas que seguia, para 4.000. Sua nota no TweetLevel subiu uns 5 pontos e sua nota no Klout foi de 51 para 60.

“A mudança me deu mais legitimidade”, diz. Mas, adverte, não dá para relaxar: “Se você sai em férias por uma semana e não tuita todas as horas do dia, é melhor se preparar para ver as notas caírem”.

Até os políticos estão sujeitos à nova ordem social. As contas de Twitter do presidente americano Barack Obama e do venezuelano Hugo Chávez estão registradas no Klout, com notas 89 e 81, respectivamente.

Um porta-voz do Comitê Nacional Democrata, que cuida do Twitter @barackobama, não quis comentar. A embaixada venezuelana em Washington não respondeu a pedidos de comentário.

Fonte: The Wall Street Journal

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