Adeus, cenouras e chicotes

Texto de Francisco Madia publicado originalmente no Propaganda & Marketing

“O espectador, individualmente, é por vezes um homem inteligente; mas apenas enquanto a massa integra um rebanho que tanto o gênio como o talento comum têm que conduzir de chicote em punho.”
Emile Zola

Daniel Pink é, de longe, um dos melhores autores da atualidade em matéria de artigos e livros de negócios. Seus artigos frequentam as páginas do The New York Times, Harvard Business Review, Fast Company, e demais publicações de sucesso. E aqui, no Madiamundomarketing, leitura obrigatória para nossos consultores, assim como recomendamos com ênfase aos alunos da Madia Marketing School e a todos os nossos clientes de consultoria.

Seu último livro, “Drive”, é uma preciosidade. Infelizmente, o título escolhido para seu lançamento no Brasil pela Campus é um horror, “Motivação 3.0”, mas, mesmo assim – esqueçam o título –, o livro é essencial e revelador.

Segundo Daniel, desde 50 mil anos atrás até a revolução industrial, éramos movidos pela sobrevivência: “perambulando pelas savanas em busca de alimento ou procurando esconderijo nos arbustos ao se aproximar um tigre-dentes-de-sabre, esse era o impulso a guiar a maior parte de nossos comportamentos”.

Da revolução industrial para cá, e ainda na maioria das empresas, prevalece a crença e o culto à cenoura e ao chicote. Oferecer cenouras para os executivos, e “chicoteá-los” para que cumpram metas e objetivos.

Hoje o papo é outro – claro, para as empresas que entenderam que o que verdadeiramente funciona e é relevante para as novas gerações que ingressam no mercado de trabalho. “Cenouras e chicotes ainda funcionam, e pontualmente, para tarefas algorítmicas. Entretanto, podem ser devastadores para o trabalho heurístico”. E hoje, quase todo o trabalho tem essa característica.

Assim, Daniel pondera e recomenda: “O segredo para o desempenho de alto nível não é mais nosso impulso biológico ou nosso impulso decorrente da recompensa, ou, punição, e sim, um terceiro impulso – o desejo arraigado que temos de dirigir nossa própria vida, de estender e expandir nossa capacidade de viver com propósito”.

E conclui: “Sabemos que os seres humanos não são apenas cavalos menores, mais lentos, mais cheirosos, galopando atrás da cenoura do dia. Sabemos – se passamos algum tempo com crianças pequenas, ou pelo menos lembramo-nos de nós mesmos – que não estamos fadados a ser passivos e compassivos.

Fomos feitos para ser ativos e empenhados. E sabemos que as experiências mais significativas da vida não são quando clamamos nossa admiração pelos outros, mas quando escutamos nossa própria voz – fazendo algo importante, e fazendo-o bem, em nome de uma causa maior”.

O livro de Daniel Pink é indispensável para as empresas que pretendam atrair, motivar e reter os talentos da Geração Y. E porque não, das demais gerações, também.

Cenouras e chicotes nunca mais!

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