Rob Bell no banco dos réus

Brian McLaren, em artigo publicado no seu blog

O novo livro de Rob Bell sequer foi lançado e já está criando uma grande controvérsia! O título já é provocador Love Wins: Heaven, Hell, and the Fate of Every Person Who Ever Lived [O amor vence: céu, inferno e o destino de todas as pessoas que já viveram] Eu já vivenciei muito esse tipo de coisa e creio que Rob está prestes a se bombardeado de críticas, possivelmente por muitas dessas mesmas pessoas. Faço ideia como os próximos três meses serão para Rob. Caso você não saiba o que está ocorrendo, leia este artigo AQUI.

O que é patético, no meu ponto de vista, é que muitos de seus críticos não conseguiram entender o objetivo real de Rob. Eu li o livro, então não estou fazendo apenas conjecturas… Ele não está respondendo a uma questão de múltipla escolha, com as opções: a) exclusivismo tradicional e b) universalismo tradicional. Tampouco ele escolheu a segunda opção. Pelo contrário, Rob consegue perceber que a história bíblica é maior e melhor que uma simples narrativa de como as almas serão separadas em duas caixas distintas no final dos tempos.

Espero que logo após esse tsunami inquisitório inicial diminuir seu furor, cada vez mais pessoas possam perceber que um debate mais profundo está acontecendo. Existem perguntas mais profundas sendo feitas, e algo muito poderoso e importante está em jogo. Obviamente, estou ansioso para ver essas questões mais profundas serem trabalhadas, como já deixei claro minha opinião sobre isso em meu livro  A New Kind of Christianity [Um Novo Tipo de Cristianismo].

Originalmente abordei esse assunto na minha trilogia New Kind of Christian [Novo Tipo de Cristão], especialmente no segundo e no terceiro volume:  The Story We Find Ourselves In [A história em que estamos] e The Last Word and the Word After That [A Palavra final e a Palavra que vem depois].

Foi fascinante ver as pessoas me chamando de herege naquele ponto da minha carreira de escritor… Sequer eles realmente pensaram sobre os assuntos e os questionamentos  que meus livros levantavam. Por exemplo, o fato de o conceito de inferno não existir no Antigo Testamento. Isso é óbvio, mas surpreendentemente pouco conhecido pelos cristãos em geral. Meu palpite é que muitos líderes evangélicos adotarão uma posição defensiva e de combate contra Rob e seu livro, preocupados com seus status perante as alas mais conservadores de suas congregações. Dificilmente gastarão ao menos 20 minutos para considerar a possibilidade de que seu entendimento tradicional da narrativa bíblica está comprometido pela  filosofia grega, por políticas imperiais e colonialistas, e assim por diante.

A ala conservadora do evangelicalismo espera, imagino eu, que pessoas possam responder a essa “questão de Bell”. Ao fazer isso, serão aprovadas ou reprovadas no último teste decisivo. Aqueles que falharem serão cortados fora. Esse parecia ser o objetivo da famosa tuitada de John Piper “Adeus, Rob Bell”. Ele poderia muito bem ter escrito: “Você vai para o inferno, Rob Bell”. Talvez John Piper também seja um universalista reservado. Estou brincando, claro.

O fato é que muitos, sendo sujeitados a esse teste decisivo, vão se render e desejar a morte de Rob, mesmo que em seus corações pensem que ele pode ter alguma razão. Outros tentarão defender uma posição pseudo-mediana, que respeita os conservadores sem necessariamente execrar Rob, mas procurando manter distância dele. Espera-se que haja alguns que, mesmo discordando dele, farão isso de forma justa, honesta, sincera, refletindo de maneira verdadeira e aberta sobre o que Rob está propondo.

Uma minoria corajosa ficará ainda mais corajosa por causa da coragem de Rob em escrever esse livro. Espero que os leitores deste blog estejam nesta última categoria e se preparem para aproveitar a oportunidade de, após lerem o livro, chegar a suas próprias conclusões. Só então poderão ter condições de concordar ou discordar, mas sempre demonstrando graça.

Tradução: Agência Pavanews

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