Está barrigudo? A culpa pode não ser da cerveja

Texto de Juliana Crem publicado originalmente no Terra

A cerveja é uma das bebidas mais consumidas do mundo e a preferida de nove a cada dez homens. Constituída de 90% água, ela foi acusada durante muito tempo de ser a causadora daquela barriguinha indesejável que muitos homens exibem por aí. Entretanto, alguns estudos já derrubaram essa teoria por terra – ainda bem! – e ficou comprovado que a gelada não tem culpa no deslize nas curvas de homens e mulheres.

Kathia Zanatta, engenheira de alimentos e sommelière de cervejas, de Atibaia, em São Paulo, afirmou que o importante é a dose consumida. “Se compararmos um volume conhecido de cerveja com o mesmo volume de outras bebidas alcoólicas ou suco de laranja, a cerveja do tipo Pilsen, por exemplo, vai apresentar menos calorias do que elas. A grande questão é que, normalmente, as pessoas comem diversos petiscos em quantidade exagerada junto com a cerveja”, explicou.

O médico Paulo Borges, da capital paulista, reforçou que a vilã dos pneuzinhos não é a cerveja. Afinal, não há estudos que comprovem que a gelada é a responsável pelo acúmulo de gordura no abdome. “As bebidas alcoólicas são fontes calóricas bastante expressivas em uma dieta. Sabe-se ainda que o etanol é muito calórico, possuindo cerca de 7 kcal por grama. Para se ter um comparativo, uma garrafa de cachaça atinge o valor calórico diário médio de um ser humano, que é de cerca de 2.000 kcal”, contou Borges.

Estudos controversos
Em janeiro de 2011, o Colégio Oficial de Médicos das Astúrias, na Espanha, divulgou o resultado de um estudo que recomendava o consumo de até meio litro da bebida por dia como redutora dos riscos de desenvolver diabete e hipertensão. Para confirmar a teoria, os espanhóis fizeram 1.249 homens e mulheres acima de 57 anos terem a “difícil” tarefa de saborear cervejas geladas e saborosas e, ao final do estudo, foi constatado que a silhueta não sofreu alterações.

Karyna Pugliese, nutricionista da clínica Dr. José Bento, da capital paulista, citou um estudo do Instituto de Nutrição Humana Potsdam-Rehbrucke e da Universidade de Ciências Aplicadas Fulda, em parceria com a Universidade de Gothenburg, na Suécia, que investigou 20 mil pessoas por oito anos e constatou que tanto homens que bebiam cerveja regularmente, quanto aqueles que não consumiam a bebida, tiveram um aumento de massa gordurosa na cintura. “No caso das mulheres, as que consumiam cerveja tiveram um crescimento mais acentuado nos quadris, em vez da barriga”, contou a nutricionista. No entanto, Borges contestou que não há um estudo confiável que possa atestar que a cerveja deixe os homens “nem com barriguinha nem com barrigão. Isso é crendice popular”.

Outro estudo interessante é dos ingleses da University College London, que colheram dados referentes aos beberrões da República Tcheca, país conhecido por ter o maior índice per capita de consumo de cervejas do mundo. Depois de muitas análises, os cientistas constataram que realmente não há uma ligação direta entre o consumo moderado da bebida e o aumento da cintura.

Por que na barriga?
Segundo Karyna, o que determina em qual região do corpo as gordurinhas ficarão acumuladas é o biótipo de homens e mulheres. “Eles têm perfil androide, ou seja, tendem a ter mais gordura na região abdominal, enquanto elas têm biótipo ginoide, com crescimento na região do quadril”, explicou.

Borges frisou que o consumo excessivo de álcool pode levar a uma doença chamada cirrose, que ataca o fígado e, em alguns estágios, faz com que o organismo acumule água na cavidade abdominal, deixando a pessoa com uma enorme barriga. “A associação da cerveja com a barrigona pode ser explicada por este falto”, palpitou o médico.

Além disso, outro fator que colabora para o surgimento da “barriguinha de chope” está no fato de o uso do álcool poder baixar a taxa de glicose do sangue rapidamente, fazendo com que o corpo busque alternativas para suprir essas reservas por meio da alimentação imediata, o que leva ao aumento relativo do apetite durante essa fase, como explicou o médico paulista. Kathia explicou ainda que, durante os jantares harmonizados com cerveja, costuma-se servir a entrada com uma cerveja pouco alcoólica e amarga justamente para estimular o apetite e preparar os sentidos para a refeição.

Para minimizar o exagero calórico, Karyna sugeriu comidinhas menos calóricas, como tiras de pepino gelado e salpicado com gelo picado e sal grosso, talos de salsão com uma pitada de sal, cenoura e beterraba babies, entre outros. Kathia propôs palmito com azeite e orégano, queijos brancos e rolinhos de peito de peru com rúcula, enquanto Paulo Borges indicou grãos e favas e até mesmo o amendoim, que “é menos gorduroso do que calabresa frita”.

“É fato que, quem deseja perder peso, deve cortar o álcool da dieta e a cerveja é perigosa, porque é fácil perder a conta de quanto se consumiu. Por isso, a lei da compensação sempre funciona: exagerou na cerveja, então evite os doces e frituras”, orientou Karina.

foto: Getty Images

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