“Ninjas nucleares” em missão suicida para salvar o Japão

Durante a Segunda Guerra Mundial, os soldados japoneses que pilotavam seus aviões em missões suicidas ganharam fama. São os famosos kamikases, homens que abriam mão de sua vida pelo país. Para boa parte do mundo eram loucos. No Japão eles são heróis honrados que fizeram um sacrifício digno e necessário naquele momento.

Com o desastre nuclear prestes a se consolidar, surge uma versão moderna desses kamikases ou, como estão sendo chamados, os “ninjas nucleares”.

March 12, 2011.

Policiais com roupas protetoras aproximam-se da usina nuclear

Nesses últimos dias, 180 homens, entre técnicos, policiais e bombeiros, que não tiveram seus nomes revelados, lançaram-se numa missão suicida para salvar o seu país.

Eles estão tentando acabar com o superaquecimento dos reatores em Fukushima e com isso acabaram expostos a níveis de radiação fatais.
Um deles despediu-se da família dizendo: “Por favor, continuem a viver bem”.

A filha de outro desses homens escreveu no Twitter: “Meu pai foi para a usina nuclear. Nunca ouvi minha mãe gritar tanto. Por favor, papai, volte vivo”.

A tecnologia existente não é capaz de impedir a morte desses homens que se aventuraram a tentar acabar com o incêndio e resfriar os reatores.

Eles têm se revezado em equipes de 50 pessoas, trabalhando dia e noite naquele local. Quando os níveis de radiação chegaram ao limite máximo, imediatamente os 700 empregados da usina fugiram. Estes que preferiram ficar ou voltaram sabem que estão condenados.

Até agora, cinco já faleceram, dois estão desaparecidos e pelo menos 21 devem morrer nas próximas horas.

The seriously damaged Fukushima 1 nuclear power plant

A usina de Fukushima depois do terremoto

No último grande acidente nuclear, na cidade russa de Chernobyl, em 1986, o engenheiro Alexei Ananenko e os soldados Valeri Bezpalov e Boris Baranov sacrificaram suas vidas para impedir um vazamento maior. Eles mergulharam num tanque radioativo para fechar a válvula de segurança. Muitos bombeiros também morreram naquela ocasião ao tentar controlar o incêndio e evacuar a área.

Um dos sobreviventes do desastre relata que ouviu naqueles dias um general do exército dizer: “É melhor que 2.000 pessoas morram contaminadas para que outras 200 milhões possam viver”.

Enquanto o drama no Japão ainda não acaba, possivelmente outros ninjas nucleares serão convocados. Por enquanto os primeiros 50 recebem um reconhecimento tímido em alguns sites, como o Facebook.

Agência Pavanews, com informações de Sky.

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