Mistérios existem até para céticos, diz diretor de “As Mães de Chico Xavier”

Texto de Christian Costa postado originalmente no Cine Click

Coletiva de As Mães de Chico Xavier

Um elenco de peso, formado por Caio Blat (Bróder), Paulo Goulart Filho (Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito), Gabriel Pontes, Gustavo Falcão (Praça Saens Peña), Via Negromonte (Cabeça a Prêmio) e Vanessa Gerbelli (Sem Controle), além dos diretores Glauber Filho e Halder Gomes, do produtor Leonardo Leal e do escritor Marcel Souto Maior, conversara com a imprensa na sexta-feira sobre As Mães de Chico Xavier.

A abertura da mesa se deu com Marcel, que escreveu o livro Por Trás do Véu de Ísis, no qual o longa se baseia. O autor elogiou a atuação de Caio Blat, que o interpretou, e falou sobre as dificuldades para quebrar o “pavor de jornalista” que Chico Xavier tinha. O escritor elogiou o filme, que em sua opinião expôs o que “Chico lutou a vida inteira para testemunhar”.

Para o diretor Glauber Filho, o grande desafio da produção foi fazer um filme melhor e com mais estrutura que Bezerra de Menezes: O Diário de um Espírito, filme anterior da Estação Luz Filmes. Ele disse que a primeira inspiração para o projeto veio quando viu um documentário sobre as cartas que Chico psicografava. “Buscamos uma estética mais voltada para o cotidiano”, disse o cineasta sobre a maior diferença para a cinebiografia Chico Xavier, filmada por Daniel Filho.

Blat entrou na conversa após a menção de Bezerra de Menezes, dizendo que finalmente teve a chance de fazer um longa inteiro com a equipe após sua “participação relâmpago” na produção no papel de um militar. “Era uma dívida pessoal”, brincou Glauber Filho sobre a necessidade de trabalhar de novo com Blat, ganhador do último Kikito de Ouro no Festival de Gramado por Bróder.

Via Negromonte, que foi casada por 23 anos com o ator Nelson Xavier (que repete aqui sua mediúnica performance como Chico Xavier), afirma que o filme não é centrado no espiritismo. “Tive medo que fosse um filme de militância”, comentou sobre o momento em que soube do projeto. A atriz diz que aceitou papel assim que percebeu que não se tratava de um filme sobre religião, mas sim sobre perda.


Gabriel Pontes é abraçado por Via Negromonte durante o brunch promocional de As Mães de Chico Xavier

Caio Blat também defendeu o filme como não-doutrinário. “Existem diversos filmes americanos com temática espírita, que não se vendem assim”, comentou antes de exemplificar citando Ghost – Do Outro Lado da Vida, O Sexto Sentido e Além da Eternidade como produções que envolvem espíritos, mas sem limitar sua história a isso.

Halder Gomes fez diversas intervenções cômicas ao longo do evento. Ao comentar a pré-estreia do dia anterior (17/3), que ocorreu em Porto Alegre, o cineasta descreveu que os gaúchos fizeram muita força para não chorar. “Era uma orquestra de fungadas”, disse ele adicionando que muitos vinham abraçá-lo aos prantos após a sessão.


Caio Blat interpreta Karl, um jornalista em busca da verdade por trás das cartas de Chico Xavier

O ator mirim Gabriel Pontes, que no filme está prestes a completar cinco anos, também divertiu a coletiva ao sair da mesa no meio de uma resposta e ir ao fundo da sala para falar com sua mãe. Também causou risos quando foi perguntado sobre a morte de seu personagem. “O que importava é ‘estar aqui vivo'”, brincou. A equipe elogiou o garoto, mesmo admitindo que, de vez em quando, ele decidia não atuar. “Às vezes ele cismava no set”, disse Halder. “E com a mãe do lado, não podia dar cascudo”, brincou causando risos na sala.

Com exceção do produtor, toda equipe comentou que não é espírita, embora tenha crenças. Souto Maior admitiu ser ateu e disse: “A minha fé não é consolidada. É cheia de altos e baixos.” Blat disse que não frequenta centros, embora já tenha lido livros de Allan Kardec. “É uma responsabilidade que ainda não abracei”, afirmou. Já Gomes disse que não tem “disciplina para ter religião” e que “mistérios existem, não importa o quanto sejamos céticos”. Ele comentou o sincretismo brasileiro, comparando-o ao fato de muitos no país torcerem para dois times.

Via Negromonte falou que não é espírita, mas é “espiritualizada”. A atriz comentou o câncer que Nelson Xavier enfrentou e como a doença regrediu após o uso de terapias alternativas, como a meditação e pensamento positivo, considerando o feito “um grande milagre”.

Foi perguntado à equipe suas opiniões sobre o aborto, devido às mensagens contrárias à prática que aparecem no filme. Glauber Filho disse que a Estação Luz é ligada a ONGs, inclusive organizações contra o aborto e que as frases mais literais vieram por “determinação de um dos apoiadores”. O diretor se colocou à favor do debate, com aspectos religiosos e científicos. Para o produtor Leonardo Leal, “é impossível defender a vida sem entrar no assunto do aborto e do suicídio”.


Glauber Filho conversando durante o brunch promocional de As Mães de Chico Xavier

A equipe disse que pretende lançar o filme no exterior, principalmente na América Latina, mas não deu detalhes sobre os possíveis países. Sobre a intenção do autor em fazer novos livros sobre espiritismo, ele comentou: “Há 15 anos eu digo que não vou voltar à questão, mas não consigo mudar de assunto.” Ele tem atualmente três projetos inacabados sobre outros temas. Já a Estação Luz disse que planeja adaptar O Céu e O Inferno, de Kardec, para as telonas.

As Mães de Chico Xavier estreia em 400 salas brasileiras em 1º de abril.

fotos: Christian Costa

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