A máfia da generosidade

Milhares de pessoas perderam tudo e  hoje vivem apenas de doações

Em muitas culturas existe a crença de que é possível descobrir o verdadeiro valor de uma pessoa nos momentos de crise. No Japão, a famosa máfia japonesa, a Yakuza, revela seu lado filantrópico, fornecendo toneladas de produtos vitais às vítimas do terremoto e do tsunami.

Os três maiores grupos da Yakuza (que se dividem em “famílias do crime”), enviaram dezenas de caminhões com centenas de toneladas de mercadorias para as regiões devastadas, segundo os relatórios. Eles mandaram um pouco de tudo, desde fraldas até pilhas, sem esquecer de água e do tradicional macarrão instantâneo. Além disso, asseguraram que não haveriam saques e roubos na região mais atingida.

Embora esse tipo de atitude possa parecer inusitado, é sabido que após o terremoto que devastou a região de Kobe em 1995, a Yakuza também enviou toneladas de produtos de primeira necessidade.

Acredita-se que existam mais de 80 mil membros nessa máfia, divididos em três grande grupos: Yamaguchi-gumi (40.000), Sumiyoshi-kai (12.000) e os Inagawa-kai (10.000). Além disso, existem facções menores, mas todos insistem que são grupos de pessoas honradas, os chamados ninkyo-dantai. Para eles, suas ações são baseadas em giri, ou seja “reciprocidade”. Nesse momento de crise é surpreendente que a polícia e o governo estejam apoiando a generosidade de um grupo com o qual em circunstâncias normais eles não se associariam.

Surpreendente também são algumas declarações atribuídas por Jake Adelstein à facção criminosa em artigo escrito para o site Daily Beast:  “Não há yakuza ou katagi (cidadãos comuns) ou gaijin (estrangeiros) agora no Japão. Somos todos japoneses. Precisamos ajudar uns aos outros”. Adelstein explica que há um código de honra da Yakuza: ela “valoriza a humanidade, a justiça e a obrigação que proíbe uma pessoa de ver os outros sofrendo ou serem incomodados, sem fazer nada a respeito. Os seguidores do ‘caminho’ devem oferecer suas próprias vidas e, se necessário, sacrificarem-se para ajudar os fracos e problemáticos”.

Eles são famosos por suas tatuagens que cobrem boa parte do corpo e pela forte código de conduta. E embora normalmente esses membros do crime organizado sejam vistos como pessoas que atacam os mais fracos para tornarem-se fortes, neste caso eles parecem realmente estar só querendo ajudar.

A Yakuza não tem feito alarde sobre a ajuda oferecida por receio de que suas doações sejam rejeitadas. Um membro da máfia explica: “ninguém quer estar associado a nós e odiaríamos ver nossas ofertas rejeitadas por causa disso”.

Mas vamos ser claros, a Yakuza é formada de criminosos, que embora tenha restrições auto-impostas, são eles que comandam a criminalidade nipônica (assaltos, roubos, prostituição, tráfico de drogas, etc). Muitos japoneses ainda os admiram ou simplesmente toleram. Um estudo da  Polícia Provincial de Nara revela que entre os adultos com menos de 40 anos, um em cada dez consideravam a yakuza “um mal necessário.”

Agência Pavanews com informações de Daily BeastBusiness Insider

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