Saudade da universidade

Robinson Cavalcanti

A Universidade foi uma das principais contribuições do Cristianismo para a Civilização, originárias nas Escolas Monásticas e nas Escolas Episcopais, a partir do século IX. Por mil anos todas as Universidades foram criadas pelas Igrejas, e em seu interior foram protagonizados importantes capítulos da História. Lutero e Melanchton, por exemplo, foram professores universitários, e a Reforma Inglesa se deu a partir das Universidades de Cambridge e de Oxford.

Em fevereiro de 1963, aprovado nos Exames Vestibulares, dei entrada no Curso de Bacharelado em Direito da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE, então Universidade do Recife – UR) e no Curso de Licenciatura em Ciências Sociais na Universidade Católica de Pernambuco (UCP). E não saí mais dos seus recintos pelos próximos quarenta anos, incluindo um Mestrado em Ciência Política na Universidade Cândido Mendes, no Rio de Janeiro, e o magistério nas Universidades Católica, Federal e Federal Rural de Pernambuco, onde exerci cargos de coordenador, chefe de departamento, diretor de Centro, e membro de diversos colegiados superiores.

A Universidade foi o espaço da minha profissão de docente e de pesquisador, e o espaço da minha missão. Mesmo depois de aposentado, continuei por mais cinco anos a prestar serviços voluntários, como professor e como orientador de trabalhos de graduação e pós-graduação. Finalmente, em fevereiro de 2003, fechei meu escritório no CFCH-UFPE, em um momento de forte emoção.

Sinto saudade da Universidade pela legitimidade da busca do saber, pela liberdade de pesquisa, pelo conflito de ideias e não de pessoas, pelo respeito aos Estatutos e Regimentos e às competências e atribuições de cada cargo ou função, enfim, pela busca do melhor para a instituição, em que o que se fazia em cada Departamento ou Centro visava o bem-comum da Universidade.

Como Coordenador de graduação e de pós-graduação respeitei os meus diretores de Centro; e, como diretor de Centro, respeitei os meus Reitores, vice-reitores e pró-reitores. Critiquei, sugeri, propus mudanças nos fóruns adequados. Não havia excomunhões, e ninguém invocava a chancela de Deus para os seus atos, nem havia riscos de “rachas” para se criar outras Universidades ou “puxar o tapete” das autoridades constituídas. Depois de 40 anos, apenas uma pessoa rompeu relacionamento pessoal comigo, que, por coincidência, era um marxista desviado da Assembleia de Deus…

No confuso e caótico quadro em que vive o Protestantismo Brasileiro, e no enfretamento a cismas, heresias e boicotes em minha trajetória de Bispo, confesso, irmãos, com todo amor e respeito pela Igreja, que, de vez em quando (cada vez com maior frequência), bate uma saudade da Universidade… (eu era feliz e não sabia…)…

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