Fábio Jr: “Rezo o dia inteiro. Qualquer hora do dia em qualquer lugar”

Texto de Camila Zanforlin publicado originalmente no Virgula

Em sua intimidade, Fábio odeia acordar cedo, adora comer um bom prato de arroz, feijão, farinha torrada e bife acebolado, e tem preguiça de fazer academia. “Às vezes até tenho vontade e penso: hoje eu vou pra academia. Mas aí a vontade passa e tá tudo certo”, conta o cantor.

Com 35 anos de carreira, Fábio Jr lança agora seu 25º álbum. Chamado Íntimo, propõe um clima de aproximação entre os fãs e seu trabalho. Para entender melhor o que é ser íntimo do Fábio Jr, o Virgula bateu um papo com o cantor, que se prepara para fazer dois shows em São Paulo nos dias 29 e 30 de abril, no Credicard Hall.

Para antes dos shows, Fábio não tem nenhum ritual. “Eu sou um rezador. Eu rezo o dia inteiro. Pode ser antes do show. Quando acordo. Quando vou dormir. Qualquer hora do dia em qualquer lugar”.

Mas Fábio não tem uma religião específica. “Teve até uma época em que eu pensava que era ateu, não me encaixava em nenhuma dessas religiões ‘acadêmicas’, vamos dizer. Aí fui procurar no dicionário o que significava religião. Significa unir, religar, unir de novo. Então eu me considero um cara religioso pra caramba”, explica.

O cantor acredita que metade da nossa vida já está predeterminada, mas a outra metade “é lá em cima com a moçada”. “Com certeza temos uma missão aqui na Terra. Mas, enquanto eu não tenho certeza absoluta da minha, eu vou cantando (risos)”.

Ainda nesse clima espiritual, Fábio contou que os lugares mais bacanas que ele já conheceu foram Egito e Israel. “Eu viajo pra caramba. A viagem já está embutida na minha profissão. Sou meio preguiçoso quando me chamam para fazer uma viagem pra fora do país. Me dá preguiça esse negócio de fazer mala, desfazer mala. Mas quando eu já estou no lugar, eu curto”.

Mesmo com toda a fama de galã, Fábio não se considera um cara vaidoso. “Eu até deveria ser um pouco mais vaidoso. Como eu te falei, eu nem faço academia, não tenho muito saco pra essas coisas. Acho que até nisso eu sou protegido porque tá tudo certinho. Não faço nenhum tratamento de beleza, não passo creme, nada”.

Quanto a roupas, o cantor também não tem frescuras. “Roupa pra show, pra foto, tem uma pessoa que cuida disso. Mas de resto tem as minhas roupinhas velhas que eu gosto. O pessoal até me enche o saco: ‘Pô parece  que você tem uma roupa só’. É que eu tenho quatro, ou cinco calças iguais, e camisas também. Parece uniforme”.

Íntimo traz regravações como Paciência, do Lenine, As Dores Do Mundo, de Hyldon, Você É Linda, de Caetano Veloso, Dias Melhores, do Jota Quest e Equinas, do Djavan. “Essa é uma música que eu queria ter escrito. Finalmente eu tive coragem de regravar”.

O clima de intimidade do álbum conta com a participação do filho Fiuk, nas músicas 20 e Poucos Anos e Carango, regravação do sucesso de Simonal, e da estreia da filha Tainá nos vocais de Fullgás (de Marina Lima). “Ela ficava cantando em casa e eu falei: ‘pô filha, você é super afinada, vamos tentar alguma coisa no estúdio’. Ela ta indo pra Miami gravar umas coisas com o produtor César Lemos, que se encantou com ela”.

Depois de Cléo Pires e Fiuk ganharem espaço, agora é a vez de Tainá seguir os passos do pai. “Pois é. Mais uma. Vou botar eles pra trabalhar porque eu quero ir pro sítio, deitar na rede (risos)”.

Para terminar, uma mania. “Já tentei parar de mexer no cabelo. E eu falo caramba pra caramba. Já contei uma vez, deu 50 e poucas vezes no mesmo show”. Bom, Fábio, nessa entrevista foram dez ‘carambas’.

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