Blogs de cristãos pró-gays fazem campanhas na internet

Há espaço para tudo na blogosfera. Inclusive para defender (ou atacar) posições religiosas. Embora para muitos seja algo incongruente, blogs gays ou de homossexuais cristãos, que procuram harmonizar o cristianismo com suas práticas sexuais tem crescido em popularidade nos últimos meses. Em parte graças ao debate sobre novas propostas de lei e do posicionamento público de líderes religiosos que se opõe esse tipo de união na TV.

Um movimento parecido já existe a bastante tempo nos EUA, mas agora tem encontrado eco nos falantes da língua portuguesa. Alguns se declaram evangélicos, outros são católicos. Mas a linha de pensamento não é muito diferente.

Há testemunhos de pessoas que sentiram-se perseguidas pela igreja. Há estudos bíblicos. Textos a favor ou contra determinados líderes evangélicos e católicos.  Posicionamentos políticos e campanhas por email, Facebook e Twitter são abundantes. Os blogs mostram alguns vídeos, entrevistas, trechos de filmes e até músicas de louvor compostas por membros do grupo. E até um movimento querendo mostrar quem são os cristãos que apoiam a PL122

Alguns deles são:

Gospel Gay

Fui Hetero, Jesus me Libertou (como o nome indica, dirigido a ex-ex-gays)

Diversidade Católica

Há inclusive comunidades no Facebook, como por exemplo a GospelGay. Eles definem assim as suas regras:

EVANGÉLICOS HOMOSSEXUAIS: este é o espaço de convivência, amizade e reflexão para lésbicas, gays, bissexuais, travestis, transexuais e transgêneros cristãos. Rejeitados pelas instituições, mas muito amados por JESUS

Se você quer participar, atenção:
– O grupo é para LGBTs, e héteros simpatizantes são bem-vindos. Se você não se encaixa em uma dessas categorias, considere a decisão de não entrar.
– O grupo foi criado como protestante, mas cristãos de todas as vertentes são bem-vindos, assim como ateístas, agnósticos e membros de outras religiões. Deve-se apenas ter em mente que as mensagens têm como foco o cristianismo e a visão protestante.
– Pregações e proselitismos, especialmente os baseados na visão condenatória da homossexualidade, bissexualidade e temas afins, são iguais a banimento. Se você veio nos dizer que “Deus ama o pecador, mas abomina o pecado”, este não é o grupo certo para você.

Muitos posts são dedicados a discussão de polêmicas, como as declarações de Ana Paula Valadão feito a um canal de TV no início do ano. Os comentários no Youtube deixam claro como o assunto está longe de ser debatido pacificamente.

Um dos textos que foi reproduzido em vários deles é assinado por João Marinho, que procura demonstrar os motivos para esse movimento no ciberespaço:

Recentemente, nos trending topics do Twitter, a palavra-chave #todoscrentechora chegou entre as primeiras. Com certeza, algo a ver com a #uniaohomoafetiva – e foi a deixa para muitos acusarem os gays de preconceito contra evangélicos, ou ainda, de pagarem preconceito com preconceito.

Não digo que eu seja totalmente a favor da #todoscrentechora, pois, sim, conheço evangélicos esclarecidos – minha própria família, por exemplo – que apoiaram a decisão do Supremo. Ricardo Gondim é outro, que veio a público manifestar seu apoio ainda que colocando a cara a tapa frente a seus pares.

No entanto, por outro lado, é possível entender a reação de gays, lésbicas e de héteros que os apoiam. Graças a figuras como Silas Malafaia, Marco Feliciano, Júlio Severo, Rozangela Justino e outros, os homossexuais continuamente aviltados em um sem-número de audiências públicas na Câmara e no Senado, na internet, no rádio, na tevê.

Embora digam “amar o pecador, mas não o pecado”, muito pouco se viu, na realidade, de “amor ao pecador”, pois, em seus pronunciamentos, o pecador amado era o ofendido, sendo relacionado a toda sorte de práticas indesejáveis e até a crimes bárbaros, como a pedofilia. Foi tratado como “risco à família” (como se não tivéssemos família e brotassem da terra) e daí para baixo.

Infelizmente, para quem vê de fora a realidade evangélica (ou mesmo para quem vê de dentro!), vozes similares às de Malafaia & Cia. são mais numerosas e interferem mais no público do que as do ponderado Gondim – e esse eixo do mal evangélico (sim, me aproprio da figura de linguagem de George W. Bush) é seguido por milhares, que reproduzem, sem o mínimo de reflexão, as coisas absurdas que aqueles declaram.

Se há tantos evangélicos – e católicos! – praticantes e esclarecidos assim, é preciso, portanto, haver um movimento de dentro. Um movimento para que assumam a tribuna e diminuam a influência e poder de pessoas como Malafaia. Afinal, respeito é bom e todo mundo gosta: mas se você desrespeita primeiro, querer que o outro respeite você em seguida “não se aplica”, para adotar a expressão utilizada por Ayres Britto em seu voto – e ponhamos na balança.

O que é mais ofensivo? Um “#todoscrentechora” ou ser chamado de pedófilo e igualar as demandas de casais que se uniram pelo afeto há anos e simplesmente queriam REGULARIZAR ISSO, à zoofilia, à necrofilia, ao incesto, à poligamia não-legalizada?

Peço desculpas aos evangélicos esclarecidos pelos LGBTs que tripudiaram com a vitória no STF – mas peço também que eles entendam o porquê disso e que, mais do que ofensa, considerem um chamado para lutar contra a injustiça.

Homossexualismo e cristianismo não combinam. Ou combinam? Paralelo ao debate sobre a provação (ou não) de leis que reconheçam a união civil de casais do mesmo sexo, e da guerra midiática entre militantes pró-gay e líderes religiosos, surge um movimento que afirma encontrar um consenso.

Sim, pois não importa de que religião você seja, se seu Deus apoia ou não a homossexualidade, se você concorda ou não com o ser gay: se duas pessoas adultas e capazes se unem, constroem patrimônio juntas, dividem amor e responsabilidade juntas, deixá-las DESAMPARADAS legalmente é, sob quaisquer perspectivas, injustiça. E até onde sei, é ela também um pecado – e Deus tampouco se compraz de injustos. Amém.

Agência Pavanews, com informações de Ex-Hetero e Gospel Gay

 

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