Para poupar Palocci, governo recua com kit anti-homofobia do MEC

Texto de Camila Campanerut e Karina Yamamoto publicado originalmente na Folha.com

A Frente Parlamentar em Defesa da Família ganhou a queda de braço com o governo sobre o kit Escola sem Homofobia, também chamado de kit gay e kit anti-homofobia. A informação foi dada pelo deputado Anthony Garotinho (PR-RJ) no meio da manhã desta quarta-feira (25).

A suspensão do kit foi confirmada pelo ministro da Secretaria-Gerla da República, Gilberto Carvalho no começo da tarde.

A pressão dos parlamentares dos grupos de evangélicos e católicos foi feita com promessas de convocar o ministro da Casa Civil, Antonio Palocci para esclarecer a multiplicação do seu patrimônio e de pedir uma CPI (Comissão Parlamentarde Inquérito) da Educação por causa do projeto do material que seria distribuído às escolas para promover a diversidade. No entanto, Carvalho discorda da versão de um acordo: “Não tem toma lá, dá cá”, disse.

Segundo Carvalho, o governo “achou que seria prudente não editar esse material que estava sendo preparado no MEC e a presidente decidiu a supensão desse material, assim como o vídeo que estava sendo preparado por uma ONG”. Ele afirmou também que, a partir de agora, todo material sobre costumes “será feito a partir de uma consulta mais ampla à sociedade”.

Sem convocação nem CPI

Ao conseguir a suspensão do kit antihomofobia, as bancadas evangélica e católica deixaram de pedir a convocação de Palocci e recuaram na abertura de uma CPI da educação.

Para Gilberto Carvalho, se as bancadas decidiram não fazer os pedidos, a mudança de atitude não tem relação com o recuo do governo sobre a questão do kit gay.

Já o deputado Antonhy Garotinho, afirmou: “todas as decisões que tínhamos tomado ontem, obstrução, criação de CPI do MEC e a convocação do ministro Palocci, estão suspensas com o compromisso que o ministro assumiu [de suspender o kit e colocar as bancadas nas discussões sobre material sobre costumes] e não com o pedido deles”.

Na sessão de ontem, Garotinho já havia sugerido a ameaça: “Hoje em dia, o governo tem medo de convocar o Palocci. Temos de sair daqui e dizer que, caso o ministro da Educação não retire esse material de circulação, todos os deputados católicos e evangélicos vão assinar um documento para trazer o Palocci à Câmara”, afirmou à Agência Câmara.

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