General egípcio admite “verificação de virgindade” de manifestantes

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Texto de Letícia Sorg publicado originalmente no blog Mulher 7×7

Um general egípcio não-identificado ouvido pela rede de TV americana CNN (assista acima) admitiu que os militares fizeram “testes de virgindade” nas manifestantes da praça Tahrir durante os protestos contra o então presidente Hosni Mubarak. As prisões do Egito são conhecidas por desrespeitar os direitos humanos e não foi diferente durante a chamada primavera do Oriente Médio.

É a primeira vez que um oficial confirma a prática depois de denúncias feitas pela Anistia Internacional. Segundo a instituição, mulheres presas durante os protestos também sofreram eletrochoques e foram ameaçadas com acusações de prostituição.

Salwa Hosseini, de 20 anos, citada no relatório da Anistia, descreveu os procedimentos à CNN: ela foi jogada ao chão, recebeu tapas da política, choques e foi chamada de prostituta. Levada para a cadeia, Salwa foi forçada – sob pena de levar mais choques – a fazer o teste de virgindade com um médico. Os soldados não participaram do procedimento, mas ficaram na sala, possivelmente para servir de testemunha.

É aviltante a defesa do general da prática abusiva:

“As meninas presas não são como a minha filha ou a sua. São garotas que acamparam em tendas com homens na Praça Tahrir, onde encontramos coquetéis molotov e drogas. Não queríamos que elas nos acusassem de molestá-las ou estuprá-las, então provamos que elas já não eram virgens. E nenhuma delas era.”

Resumindo: o general disse que era preciso verificar a virgindade das mulheres para evitar que elas alegassem terem sido estupradas pelos militares.

Alguém seria capaz de explicar para esse general que mulheres não-virgens também podem ser estupradas? E que a própria verificação da virgindade é uma forma de violência sexual?

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