Muçulmanos, budistas e até evangélicos abraçam a “filosofia verde”

Religiões abraçam a filosofia verde, passam a construir templos com materiais reciclados e conquistam certificações ambientais de padrão internacional

Publicado originalmente por André Julião na ISTOÉ

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Monge medita em templo budista feito com um milhão de garrafas de cerveja

Os templos religiosos não só aderem às construções sus­­­tentáveis como as inovam. Mesmo as instituições mais conservadoras do planeta parecem entender que as mudanças de atitude precisam ser tão rápidas quanto as mudanças climáticas. O mais recente empreendimento a chamar a atenção pela ousadia é uma mesquita que deve ser construída na cidade alemã de Norderstedt. A diferença fundamental para outros templos islâmicos é que esse terá turbinas eólicas em seus dois minaretes – as torres que se destacam na fachada de qualquer mesquita.

Os equipamentos, que devem fornecer um terço da energia elétrica do prédio, terão ainda hélices de vidro de 1,5 metro cada e refletirão a luz do sol numa determinada hora do dia, causando um efeito luminoso – tudo isso no alto dos 22 metros dos minaretes. O custo estimado da obra é de 2,5 milhões de euros (R$ 5,7 milhões). “Pensei em como poderia dar um foco ecológico à arquitetura sacra”, disse ao jornal britânico “The Guardian” o arquiteto Selcuk Ünyilmaz, responsável pelo projeto. “Meu desenho tinha de combinar o moderno com o tradicional. Então dei uma função contemporânea aos minaretes”, afirma.

A obra não tem data para começar. Mas o grupo missionário islâmico Tablighi Jamaat também pretende construir, em Londres, uma mesquita com turbinas semelhantes, que ficaria pronta a tempo dos Jogos Olímpicos do ano que vem na capital inglesa. O local seria um ponto de encontro de atletas e espectadores muçulmanos. Outros exemplos de locais inovadores na questão ambiental podem ser vistos desde a Tailândia, onde budistas construíram um templo com um milhão de garrafas de cerveja, até sinagogas e igrejas com certificação ambiental (leia quadro abaixo).

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No Brasil, pelo menos duas construções pertencentes a grupos religiosos já conseguiram ou buscam a certificação ambiental. Uma delas é o centro de treinamento e de alojamentos da entidade religiosa de origem japonesa Sukyo Mahikari, em São Paulo. O prédio, cujas obras devem terminar em outubro, terá certificação Aqua (Alta Qualidade Ambiental), da Fundação Vanzolini, ligada à Universidade de São Paulo (USP). “São 14 categorias que temos de contemplar, desde economia de água e energia até conforto térmico e acústico”, explica Eduardo Tadashi Kuguimiya, supervisor de engenharia do empreendimento.

Ainda em obras, o Templo de Salomão, da Igreja Universal do Reino de Deus, busca a certificação LEED, uma das mais prestigiadas do mundo. “Nada como lugares que congregam tantas pessoas, como templos religiosos, para divulgar a importância da conservação do meio ambiente”, diz Manuel Carlos Reis Martins, coordenador executivo da Aqua. “O que os empreendedores precisam entender sobre construções sustentáveis é que, no fim das contas, elas ficam mais confortáveis, saudáveis e econômicas”, explica. É para ficar em paz com o espírito e o ambiente.

 

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