O homem que paga por sexo está ao seu lado

Marcela Buscato, no blog Mulher 7×7

A psicóloga americana Melissa Farley enfrentou um grande problema durante a realização de sua última pesquisa. Ela queria traçar o perfil dos homens que aceitam pagar por sexo e dos que não aceitam. Voluntários para representar o primeiro tipo ela encontrou com facilidade. Mas para falar pelos homens que não pagam prostitutas…. foi difícil. Tão difícil que Melissa, diretora da organização Prostitution Research and Education, e sua equipe tiveram de criar um critério flexível para encontrar os chamados “não-compradores”.

Entraram na categoria homens que não estiveram mais do que duas vezes no ano passado em clubes de strip-tease, que não compraram danças sensuais (aquelas em que o homem fica sentado e a mulher se insinua), que não usaram materiais pornográficos mais do que uma vez no mês passado e que também não pagaram por telefonemas eróticos ou qualquer outro tipo de serviço sexual, como massagens sensuais ou uma acompanhante. Será que a maioria dos leitores homens desse blog passaria pelo teste e poderia representar os não-compradores?

Melissa constatou o que muitas de nós já desconfiávamos: os homens que aceitam pagar por sexo estão em todo lugar. Pode ser o colega de trabalho que senta na mesa ao lado, o chefe, o amigo que lhe arranca gargalhadas na mesa do bar, seu namorado, seu marido, seu pai. Mas o dado mais surpreendente da pesquisa de Melissa, publicada com exclusividade pela revista Newsweek, é que os homens que aceitam pagar por prostitutas – sim, esses que estão ao nosso redor – partilham de pensamentos e atitudes assustadoras. A pesquisa, cuja íntegra pode ser lida neste site (em inglês), revela que os compradores de sexo são oito vezes mais propensos do que os não-compradores a estuprar uma mulher se acharem que podem escapar. Eles ainda cometeriam crimes com mais freqüência: de vandalismo a roubo.

O levantamento realizado com 101 compradores de sexo e 100 homens que preencheram os critérios de não-compradores revelou como pensam os dois grupos. Seguem algumas das frases ditas pelos compradores durante as entrevistas realizadas durante a pesquisa:

*“Não existem limites (no sexo com prostitutas)”
* “Ela (a prostituta) é só um objeto biológico que cobra pelo serviço”
* “Se a minha noiva não quiser fazer algo, eu conheço alguém que fará”
* “Estar com uma prostituta é como tomar uma xícara de café. Depois que você acabou, é só jogar fora”

Agora, as frases dos não-compradores:

* “A prostituição é o contrário do que comunhão significa”
* “Eu sou um ser sexual, mas não consigo me excitar sabendo que a outra pessoa está sendo coagida”
* “Prostituição é degradante para ambas as partes”

Apesar das frases que mostram a desumanização das prostituas pelos compradores, eles afirmam ter consciência de que elas estão nessa situação forçadas por condições precárias de vida. O único freio para os compradores, segundo a pesquisa, seria tornar passível de punição quem paga por sexo. Dos compradores entrevistados, 80% afirmaram que se sentiriam inibidos se corressem o risco de ir para cadeia. Vocês não acham que é uma boa ideia?

Comentários

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4 Comentários

  1. Ainda bem que nunca paguei ‘-‘ Pagar por sexo é patético…

  2. Abc Gil disse:

    Americanos não são normais. Por isso, lá deve ser mesmo proibido. Acho um perdedor imundo um cara casado correr o risco de trazer doença para dentro de casa. Mas, aos exluidos sociais, esses acho normal mesmo pagar, pois mulheres do mundo moderno, só gostam de homens perfeitos(pele clara, olho claro, cabelo liso etc.) não vejo como imoral, mas sim pessoas com necessidades. Por mim isso até diminui o numero de estupros, pois como seria a vida de seres excluidos se nao fosses os serviços de prostituição. Se as pessoas são contra, então elas que aceitem então os homens ditos nao perfeitos. É muito fácil criticar os outros.

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