Superando a fadiga da compaixão

Superação Fadiga da Compaixão

Dave Donaldson

Em janeiro de 2010, um terremoto atingiu o Haiti. O desastre matou mais de 250 mil pessoas e devastou a nação mais pobre do hemisfério ocidental .

Em março de 2011, um terremoto atingiu Sendai, no Japão. Não foi apenas um dos maiores terremotos já registrados, também resultou em um tsunami de 10 metros que matou centenas de pessoas.

Junto com as imagens de sofrimento humano em nossa televisão, havia uma abundância global de orações e doações financeiras para ajudar as vítimas. Sem dúvida, o recorde de doações financeiras para esses desastres são, em parte, uma resposta à cobertura constante e generalizada destes eventos pela mídia. No entanto, essa atenção da mídia é uma faca de dois gumes.

Com canais de notícias dando constantes relatórios sobre vários desastres naturais, campanhas de celebridades contra a pobreza no mundo e as imagens de sofrimento que chegam até nós divulgadas por ONGs que oferecem ajuda, parece que não conseguimos fugir dessas histórias da miséria humana. Embora precisemos estar cientes do que está acontecendo, às vezes parece que somos tentados a desligar-nos por causa do excesso. Sofremos de superexposição, e isso pode ser o prelúdio de uma “fadiga da compaixão”.

Fadiga da compaixão é a diminuição gradual da compaixão ao longo do tempo, geralmente causada por um sentimento crescente de que todo o esforço que fazemos é inútil. A compaixão impulsiona a envolvermo-nos: para orar pelas vítimas, doar horas de trabalho voluntário, participar de uma viagem missionária e ajudar mendigos e pedintes. Mas a fadiga da compaixão pode surgimos quando trabalhamos e doamos… mas questionamos por que as coisas não parecem estar melhorando. Eventualmente, isso pode nos tornar insensíveis e não querermos mais ouvir outra história triste ou nos envolver com alguma instituição de caridade que pede dinheiro.

E temos ficado cada vez mais céticos. Não temos certeza se nossas doações vão ser usadas ​​com sabedoria. Especialmente após vermos que muitas dessas ofertas de ajuda nunca chega ao seu destino, mas são desviadas ou mal usadas. Parte das doações muitas vezes foram usadas apenas ​​para custear custos administrativos. Mesmo que se poderia discutir esses eram legítimas e necessárias, muitos doadores sentem-se enganados. Entre os cristãos, há  relatórios de que alguns líderes religiosos retem enormes quantias de dinheiro que deveria ser usado para demonstrar compaixão aos necessitados. Este tipo de abuso tornar as pessoas mais céticos sobre a validade de suas doações. Por isso é preciso avaliar bem a quem confiamos o nosso dinheiro.

Como é triste ver como um punhado de abusadores prejudicam as organizações sérias. Na verdade, a maioria das organizações são muito responsáveis e muito transparentes na maneira como o dinheiro é gasto. A nossa resposta não deve ser a desistir de dar, mas verificarmos a idoneidade e o histórico dos ministérios antes de investir neles.

Por vezes, toda essa compaixão pode ser bem desanimadora. Quando investimos em uma causa que não dá muitos resultados aparentes, podemos  ficar realmente desanimados. Com certeza ficaremos desapontados se investimos tempo, dinheiro e esforço para tentarmos corrigir imediatamente o que é fruto de algo maior, uma injustiça social constante. Nesse caso, é preciso lembrar que as coisas não ficaram iguais ao menos para aquelas pessoas que estamos alcançando diretamente. Será muito pior se simplesmente deixarmos de fazer a nossa parte.

Nossa melhor opção para lidar com a fadiga da compaixão é lembrar que Deus não sente fatiga de compaixão por nós. Se tentarmos lidar com toda a frustração e decepção que surge de nossa própria força, estamos fadados a ser a próxima vítima do desânimo.

Se olharmos apenas para nós mesmos, com certeza iremos experimentar a fadiga da compaixão. Precisamos ficar ligados em Deus, fonte eterna de sabedoria, força, alegria e compaixão. Sem ele para nos fortalecer, não podemos esperar que tenhamos vontade de sempre ajudar os outros. Também passaremos rapidamente a olharmos apenas para nós mesmos, com o desejo de termos conforto e a demanda por soluções de curto prazo. Mas Deus pode renovar constantemente a coragem de fazer sacrifícios, e nos dar uma visão mais paciente sobre os problemas que não serão eternos.

Comentários

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1 Comentário

  1. Andreza disse:

    Fadiga POR compaixão é uma síndrome que acomete profissionais da saúde.

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