A maioria da população é contra a união gay. E daí?

Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Uma pesquisa do Ibope Inteligência, divulgada hoje, mostra que 55% dos brasileiros são contrários à decisão do Supremo Tribunal Federal que reconheceu a união de casais do mesmo sexo. Segundo o estudo, as mulheres, os mais jovens, os mais escolarizados e as classes mais altas são os que menos se incomodam com o acesso a esse direito. Sobre a adoção de crianças por casais do mesmo sexo, a 55% também são contrários.

Para ser sincero, imaginei que a porcentagem ia ser bem maior, considerando que nossa sociedade foi forjada no que há que de pior do machismo e do patriarcalismo. Além disso, toda ação de vanguarda para garantir direitos, como foi a decisão do Supremo, gera sempre uma reação contrária. Ou seja, quando um grupo consegue acesso à cidadania e à dignidade tende a gerar manifestações no sentido inverso por aqueles que se sentiram atacados ou ofendidos. Ressaltando, é claro, que um grupo que se sente atacado ou ofendido quando outro ser humano obtém o direito a uma vida decente não é um grupo e sim uma horda ou uma matilha.

Some-se a isso que o tema ganhou espaço nos veículos de comunicação e, portanto, o debate chegou às ruas, levando pessoas que não tinham opinião a formarem ao menos um pitaco e a se manifestarem. Essa opinião inicial ainda é carregada de achismo e de superficialidades. Com o tempo, mantendo-se o tema em foco, e sabendo que dar o direito a alguém não tira o meu, tenho a esperança (palavra que está difícil de ser usada ultimamente na área de direitos humanos) de que a informação vá tirar muita gente desse obscurantismo.

Não é possível fazer uma comparação devido às diferenças de metodologias das duas pesquisas. Mas, em abril de 2007, uma pesquisa Datafolha apontou que 49% rejeitavam a união civil homossexual (ou seja, a maioria, uma vez que 42% eram a favor) e 52% eram contrários à adoção de filhos por casais do mesmo sexo. Além disso, 55% dos brasileiros defendiam a adoção da pena de morte, 57% eram contra a eutanásia (o direito do paciente terminal em sofrimento de pôr fim à sua própria vida) e 65% defendiam que a lei do aborto não fosse ampliada para além dos casos de estupro e risco para a mãe.

Como já disse anteriormente, se essas pesquisas fossem um gabarito, eu já teria sido reprovado retumbantemente como brasileiro, uma vez que minhas posições pessoais são opostas àquelas apontadas como as da maioria da população pelas pesquisas Datafolha e Ibope . Em uma hipotética avaliação de segunda época que também incluísse a redução da maioridade penal, a prisão perpétua, a manutenção do uso de drogas como crime (que só atrasa a solução do problema), seria reprovado novamente.

Ainda bem que as decisões do STF sobre a interpretação da Constituição Federal visando à garantia de direitos não são tomadas com base em pesquisas de opinião ou para onde sopra a opinião pública em determinado momento. Afinal de contas, uma democracia verdadeira passa pelo respeito às minorias, garantindo sua dignidade mediante a uma maioria que pode ser avassaladoramente violenta.

Dizem que falta informação e por isso temos uma sociedade que pensa de forma tão excludente. Mas isso não basta. Deve-se saber como trabalhar com essa informação que recebemos, refletir sobre ela. Entramos aqui na questão da consciência social, que não se aprende nos bancos de escola, mas no trato com a sociedade. O contato com o “outro”, e com suas diferenças, contribui para fomentar essa consciência. Ou seja, aceitar que as pessoas têm direito à própria vida e ao próprio corpo e que não é com uma sociedade ditatorial e sumária que se resolverão os problemas.

publicado ontem, o texto já tem mais de 800 comentários.

Comentários

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4 Comentários

  1. Aldo Monteiro disse:

    Eu já fui contra ,mas hoje não sou contra. O que penso se resume na seguinte frase que não é minha:
    ” Dai aos gays,aos homoafetivos o que é deles – um direito de escolha livre de qualquer pressão religiosa e a Deus o que é de Deus – o grande Juíz de toda a terra, soberano e competente para julgar-nos.Não me tornarei gay e não deixaria de ter a minha opinião sobre o gayzismo, mas daí ditar para eles o que fazer de sua vida – é ditadura religiosa do tipo islã , o que a nossa história revela que somos iguais – gostamos de impor de guela abaixo o Jezuis que sarva, tá ? Então tá.
    tito from brasília.

  2. O Internauta do Amor disse:

    o brasileiro sabe conviver com suas DIFERENÇA…
    foi a tucanalhada que,em vão,queria que povo viesse
    a profressar DESAVENÇA!

  3. Milao2003 disse:

    Imagine uma sociedade no qual sua célula básica, a familia, tem como protagonistas um pai chamado Bianca e uma mãe de nome Tonhão. A esmagadora maioria dos problemas sociais e humanos que temos, tais como: violência,desonestidade, hipocrisia, desvios de conduta, alienação, maldade, inclusive  os de caráter politico, têm sua origem em falhas da família –  desestrutura, insanidade, divórcios, separações , abandonos, ignorância, etc….se vocês acham que o machismo,entendido como arrogância e prepotência masculina, foi ruim para o país, ou que o patriarcalismo que é quase que universal, foi danoso à nossa formação, espere prá ver o que o viadismo vai produzir e já esta causando na população, para avaliar a contribuição da “classe” basta ver uma parada gay. 

       Considero tambem, que ninguem pode impedir  dois sujeitos , ou tres ,ou 20, se unirem para conviver, fazer sexo, compartilhar despesas e patrimônio, tais atos são particulares e circunscritos aos envolvidos , coisa muio diferente é permitir que esta minoria imprima à base modular da sociedade sua conduta – via de regra – permissiva, volúvel e calcada numa mentira : a posibilidade de alguem escolher seu sexo ( o que pode ser opcional é o comportamento , a prática sexual). Ou esses fatos não são óbvios?

    Marcilio leão

  4. Naldo disse:

    Não aceito a união matrimonal de gays, pois para mim eles são anormais como sempre foram, uma excrecencia rejeitadas em muitas sociedades do mundo.em todas as épocas. O que a mídia e  a imprensa mostra não representam a maioria da população do Brasil e do Mundo, que tentam passar para o mundo que todo mundo adere e gosta dos homossexuais como a TV Globo faz em suas novelas.A relação Homossexual é tão anormal que pela lei natural eles não conseguem se reproduzirem, se fossem isolados dentro uma ilha distante e sem comunicação exterior em duas ou tres gerações estariam todos extintos, pois a idade também chega para eles..Para “Deus” também eles estão em pecado. Para mim todo o governo que defende a causa gay, são acima de tudo uns HIPÓCRITAS, pois o que pensar de governos que só pensam em degradar a moralidade pública de uma sociedade pensando nos votos que poderão receber desta parte de população.`´E bom que esses políticos saibam que a maioria  heteresexual e conservadora também votam. Eu digo não a implantação  do Kit Gay em nossas escolas, querendo confundir nossas crianças o que é certo e errado, sem que os pais possam opinar a respeito, que falar também sobre carícias publicas entre homossexuais e ter que aceitar isso.
    Na verdade eles não estão com essa força toda nem os seus simpatizantes.  

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