O pássaro azul

Ela era pequenina, não devia ter mais do que cinco anos. Fora com seu pai a uma mecânica, para buscar o carro da família que estava em conserto.

O carro não estava pronto. Restava esperar. O que fazer para o tempo passar? Ao lado, havia um cemitério. Daqueles imensos, com seus jazigos familiares e imensas esculturas. E lá foram os dois, pai e filha, caminhar por aquele lugar.

Entre um túmulo e outro, entre placas com datas que nada contavam sobre as histórias que ali pairavam, ela parou em frente a um jazigo. Pequenino. Azul. Era de um bebê. Acabara de descobrir que havia alguém que foi embora mais jovem do que ela. Logo ela, tão recém-chegada ao mundo.

A menina ficou ali, pensando naquele bebê. Quieta. Ela teria tanto pela frente. Ele, não.

Ela cresceu, é uma mulher, mas ainda guarda a imagem do pequeno jazigo. Lembra de si mesma no momento em que descobriu um dos grandes mistérios da vida. De alguma maneira, aquele pequeno lhe contou que assim como ele passou, ela também passará pelo mundo.

Todos nós passaremos.

Há quem não se lembre disso nem por um dia.
Mas ela não se esquece jamais.

Mais um excelente texto da Cássia Pires

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for O pássaro azul

Deixe o seu comentário