A melhor resposta

Marina Silva

O Congresso reinicia suas atividades num clima pesado. Ameaças veladas, suspeita de troca de favores, retirada de assinaturas de CPI.

Para estancar mais um princípio de crise, cinco ministros vão prestar esclarecimentos diversos de suas áreas a senadores e deputados.

Antes fosse para restabelecer alguma normalidade institucional, na qual indícios de desvio de recursos públicos devem ser legitimamente investigados pelo Congresso e não, de pronto, carimbados como intriga da oposição.

Explicações são devidas à sociedade, que tem o direito de conhecer os argumentos do governo e da oposição, e não só assistir a um cabo de guerra que esconde o essencial. Disputas políticas são saudáveis quando têm por objeto diferentes projetos e ideias, e não quando motivadas só por espaços de poder.

Por que um parlamentar desiste abruptamente de sua prerrogativa de investigar?

Se não há uma explicação convincente, cresce ainda mais o descrédito do sistema político.

É nesse clima que serão retomadas as discussões sobre as mudanças no Código Florestal. Na Câmara, vimos o evidente descompasso entre o interesse da sociedade e a posição de seus representantes.

Enquanto pesquisa Datafolha diz que 79% dos brasileiros são contra a anistia de multas a quem desmatou ilegalmente, quase 80% dos deputados aprovaram o projeto que concede tal anistia e incentiva novos desmatamentos. A simples possibilidade acenada pelo projeto já resultou em aumento de 28% no desmatamento na Amazônia, segundo os dados preliminares do Inpe, que sinalizam uma tendência.

Agora é a vez dos senadores. Eles têm a oportunidade de se reconectar com as expectativas sociais e afirmar bases para um desenvolvimento que valoriza nossas florestas e biodiversidade, nossa agricultura, nossas cidades e a qualidade de vida dos brasileiros.

Está em jogo a preservação das matas que protegem os mananciais de água, vitais para nós. Está em jogo a proteção de encostas contra desmoronamentos e a manutenção das reservas de florestas que garantem os serviços que a natureza nos presta e aos quais pouco damos atenção.

Em junho, foi lançado em Brasília o Comitê Brasil em Defesa das Florestas e do Desenvolvimento Sustentável.

A importância desse comitê é que reúne instituições de grande representatividade dos mais diferentes setores.

Na sexta-feira (5) foi lançado o Comitê São Paulo, que reúne, além dessas entidades, muitas outras com atuação em SP e a campanha www.florestafazadiferenca.org.br.

É a forma que a sociedade tem para sinalizar sua vontade ao Congresso. Que o Senado faça o que é de sua missão e dê a melhor resposta.

via Folha de S.Paulo

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