Crentes: Os “Firmes” e os “Fofos”

Robinson Cavalcanti

Uma figura notável de missionário estrangeiro entre nós foi o inglês Dionísio (Denis George) Pape, escritor, professor de vários seminários teológicos, expositor bíblico e pioneiro na implantação da Aliança Bíblica Universitária do Brasil (ABU) entre os estudantes universitários e pré-universitários no Norte e Nordeste. Durante quatro anos (1966-70) ele foi o meu discipulador, investindo na minha formação, como fez com outros líderes da nossa geração.

Dionísio era uma pessoa emocionalmente equilibrada e intelectualmente profunda, por trás de uma grande simplicidade e uma busca de mergulhar em nossa cultura. Avesso ao extremismo fundamentalista e, como europeu, escaldado do veneno do liberalismo, era um evangélico (“evangelical”) convicto e militante.

Quando ele conhecia alguém que evidenciava uma experiência de conversão e de busca de santidade, e, ao mesmo tempo, era uma pessoa sólida no conhecimento das Sagradas Escrituras e na defesa das doutrinas centrais confessadas historicamente pela Igreja, alguém estável, que não se deixava levar por ventos ou por ondas, de sólidas raízes, Dionísio costuma dizer: “Esse cara é um ‘firme’!”.  Para ele a história, a permanência e o futuro da Igreja seriam resultado do ministério dos “firmes”.

Quando, porém, ele conhecia alguém escorregadio, indeciso, dúbio, superficial, sem clareza de posições, ou delas mudando com frequência, Dionísio costumava dizer: “Esse cara é ‘fofo’!”. Algo relacionado ao que, no Nordeste, costumamos afirmar “bate foto”, falta solidez, de profundidade, de estabilidade, de capacidade de pagar o preço nas adversidades. O cara vai mudando com o vento, muitas vezes na busca de aprovação, de fazer média, ou de um caminho mais fácil. Para ele, a história, a permanência e o futuro da Igreja estariam sempre ameaçados pelos “fofos”.

Dionísio Pape amava o Brasil, mas amava, em particular, o Nordeste, porque nossa região era, em sua época, um bastião do evangelicalismo, um núcleo de esperança para o futuro do Cristianismo no mundo.

Cremos que a base do nosso povo fiel, do nosso laicato, e a maioria das nossas lideranças laicas e clericais, continua a ser formada por “firmes”, mas o que tem surpreendido nos últimos anos, é o crescimento dos “fofos” ou a (des)conversão de “firmes” em “fofos”, ex-combatentes do evangelicalismo, agora navegando nas águas turvas do secularismo e do liberalismo, trazendo tristeza e perplexidade.

Durante o meu episcopado anglicano, pude testemunhar (na nossa e em outras igrejas) uma “epidemia de fofura”, e com a preocupação com a escassez de “firmes”.

Talvez o troca-troca de empregos, lugares de residência, amizades, cônjuges ou igrejas, seja uma marca de uma geração sem compromissos.

Diante desse sério desafio, não podemos ter outra palavra do que “permanecei firmes”!

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Crentes: Os “Firmes” e os “Fofos”

1 Comentário

  1. Lembro-me sempre e tenho um exemplar do livrinho do Dionísio: Cristo é o Senhor. Que benção foi na minha vida, décadas atrás, ter lido este material e ter compreendido o que significa o senhorio de Cristo em minha vida. Hoje, posso afirmar: só quem já descobriu e aceitou o senhorio, permanece firme. Sim Jesus é o Salvador, mas o que nos torna firmes é reconhecer Jesus Cristo como Senhor, Senhor de vivos e de mortos, Senhor do Universo, Aquele que não muda, o Alfa e o Ômega, o Princípio e o Fim de nossas existências, a razão de nossas vidas, a razão para viver.

Deixe o seu comentário