Pivô de escândalo no Turismo tem contratos com convênio clone

Publicado na Folha.com

O empresário Fábio de Mello, preso na operação que investigou a cúpula do Ministério do Turismo, tinha contratos com uma ONG do Paraná que fez um convênio idêntico ao que foi pivô do escândalo, no Amapá.

O convênio paranaense, conforme revelado ontem pela Folha, tem os mesmos objetivos, valores e vigência do contrato no Amapá, e também está sendo investigado pelo TCU (Tribunal de Contas da União), que encontrou indícios de irregularidades na sua execução.

Outra semelhança aproxima ainda mais os dois: a contratação, pelas ONGs beneficiadas, das mesmas empresas para executar os serviços.

No PR, duas empresas de Mello, o IBT (Instituto Brasileiro de Organização do Trabalho Intelectual e Tecnológico) e a Norwell Ltda., firmaram contratos com a Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba –ONG beneficiada pelos repasses do ministério –para executar o convênio, feito para treinamento de agentes turísticos.

Não se sabe quanto cada empresa recebeu pelos serviços nem o que executou. No total, foram destinados R$ 4,4 milhões para o convênio –feito a partir de emenda parlamentar do deputado federal André Zacharow (PMDB-PR), presidente licenciado da Sociedade Evangélica Beneficente.

No Amapá, a Norwell foi acusada pelo Ministério Público Federal de ter participado de fraude em cotação de preço. O mesmo problema foi identificado no contrato paranaense: as propostas de orçamento da empresa foram caracterizadas como “indício de simulação de concorrência e fraude à cotação de preços”, de acordo com o TCU.

Mello aparece como o “elemento de contato” da ONG do Paraná numa das prestações de conta enviadas ao governo federal, o que indica a proximidade do empresário com a entidade.

O andamento dos convênios no Ministério do Turismo também mostra similaridades: a servidora que, segundo a PF, elaborava notas falsas para liberar os recursos no Amapá –Francisca Regina Magalhães Cavalcante– aparece como responsável pelo convênio paranaense na investigação do TCU.

Cavalcante, também presa pela PF, era diretora do departamento de qualificação do ministério.

OUTRO LADO

A Sociedade Evangélica Beneficente de Curitiba não comentou a contratação das empresas de Fábio de Mello nem a relação do empresário com a entidade. Em nota, a ONG negou irregularidades e disse que “cumpre todos os ritos legais vigentes”.

O deputado Zacharow, em nota, informou que indicou a entidade para o convênio “em razão de sua tradição” na área de ensino e disse que desconhece irregularidades na execução do serviço.

O Ministério do Turismo não quis se manifestar sobre a servidora citada na investigação. A Folha ligou para o IBT e solicitou contato com Mello ou seus advogados, mas não houve resposta.

Aqui pode ser lida a nota de esclarecimento do deputado.

Confesso que tive dificuldades de entender a relação entre a Faculdade Evangélica do Paraná e a Copa 2014. Só me tranquilizei ao lembrar que o deputado é diácono da Primeira Igreja Batista de Curitiba.

Num vídeo que ficou famoso na época das eleições, o pastor da PIB  apresentou a definição de “iniquidade” : “é quando a gente está tão acostumado ao pecado que ñ tem + vergonha de cometê-lo”. 

Certamente tudo será esclarecido e a atuação da Faculdade Evangélica durante a Copa será memorável. #oremos

Comentários

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5 Comentários

  1. Sergiogleria disse:

    Corrupção generalizada e impunidade! Este é o Brasil ! Vocês acreditam nos 3 Poderes???

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