Fernando Meirelles: O jardineiro inquieto

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Marília César

Jorge Luis Borges disse certa vez: “A gente publica um livro para livrar-se dele”. Como o escritor, Fernando Meirelles garante que também adora livrar-se de seus filmes.

Enquanto todo mundo parece interessado no novo longa do cineasta, “360”, que estreou no Festival de Toronto no fim de semana passado e deve ser lançado no Brasil só em março, ele não pensa em outra coisa – a hora de “se ver livre” do filme. Para isso, terá ainda de convencer o distribuidor americano a lançá-lo nos Estados Unidos neste ano, para que o período de divulgação internacional tenha apenas dois meses. “Mas, se isso não acontecer, eles podem querer lançar só em março ou abril, daí lá estou eu saindo pra divulgar, quando na verdade, meu grande objetivo hoje é me livrar desse filme”, diz, pragmático como um gato.

Pode soar como se “360” fosse um péssimo programa, eu argumento, mas ele ri e diz que, não, isso acontece sempre que se aproximam as fases de promoção de suas produções. Ele as detesta. “É terrivelmente chato, é o inferno do trabalho. Você fica falando a mesma coisa cinco, seis, oito meses. Queria ter um avatar, um ator que eu treinasse para ir às entrevistas, esse é meu sonho.”

Onassis é um personagem interessantíssimo, que precisava odiar para produzir. Ele encontrava uma vítima e trabalhava para destruí-la

“360” também vai abrir a 55ª edição do BFI Film Festival, principal festival de cinema do Reino Unido, que será realizado entre 12 e 27 de outubro, em Londres. É um filme mais intimista, diferente de todos os outros. Coprodução entre Reino Unido, Áustria, França e Brasil, trata-se de um filme “pequenininho”, garante ele, afeito que é a diminutivos.

Enquanto explica como se dá a engenharia financeira de uma produção cinematográfica internacional como essa – uma verdadeira aula de capitalismo moderno – e as estratégias de negociação com os distribuidores, Meirelles vai se servindo da entrada no restaurante Companhia Marinara, no Alto de Pinheiros, São Paulo. Ele mesmo escolheu o local por ser próximo da O2, a produtora que dirige e se transformou numa máquina de prêmios nas áreas de publicidade, televisão e cinema.

No elenco de seu novo filme estão estrelas como Rachel Weisz, Jude Law e Anthony Hopkins. O roteiro é do igualmente estrelado Peter Morgan, indicado para o Oscar por “Frost/Nixon” (2008) e “A Rainha” (2006). O filme é baseado em “Reign”, peça de 1900 do austríaco Arthur Schnitzler (1862-1931). Eventualmente, o longa poderia entrar para uma pré-seleção ao Oscar, ele comenta com a naturalidade de quem está contando a um amigo que irá para a praia neste fim de semana, se não chover. O cineasta mais globalizado que o Brasil já produziu atingiu status de celebridade, mas os cacoetes da celebridade, ao que tudo indica, não conseguiram apanhá-lo.

Chega ao restaurante dirigindo um Beattle preto importado e está vestido de camiseta polo azul-marinho de mangas compridas e calças cáqui. Ele segue petiscando azeitonas pretas e biscuits enquanto explica, didaticamente: “O distribuidor americano tem um slot para lançamentos na primeira semana de dezembro. Se ele assistir ao filme e achar que tem algum potencial para Oscar, ele o lança em dezembro. Se achar que não é filme para Oscar – não porque vá dar errado ou porque não seja bom, mas às vezes não tem o perfil -, aí lançaria nos Estados Unidos só em março. Espero que ele ache que tem potencial para poder lançar em dezembro.”

Toda essa inquietação tem suas razões: Meirelles já está com a cabeça no próximo projeto. Ele o revela à jornalista como uma recompensa pela espera paciente pela entrevista para este “À Mesa com o Valor”. Foram 7 meses e 11 dias desde o primeiro e-mail enviado, em 4 de janeiro.

Se tudo correr conforme o esperado, em maio ou junho de 2012 ele começa a rodar “Nemesis”, baseado em livro de Peter Adams. É a história de Aristóteles Onassis, o armador grego cuja vida tempestuosa certamente dá um ótimo roteiro de romance policial. Convidado pela Pathé, distribuidora franco-inglesa, Meirelles será mais uma vez acompanhado pelo parceiro Bráulio Mantovani (“Cidade de Deus”) como roteirista. Será filmado na Europa e nos Estados Unidos.

Não sei se tenho estofo para ser um grande cineasta. Fiz um filme que deu certo e acabou me abrindo muitas portas, portas em que na verdade nunca fui bater

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“O livro é sobre o poder construtivo do ódio. Onassis é um personagem interessantíssimo, um gângster que precisava odiar para produzir. Ele sempre encontrava uma vítima e então trabalhava para destruí-la. Seu trabalho cresce porque toda a sua energia era concentrada em destruir algo ou alguém. A vida dele também é interessantíssima por ter todos aqueles personagens que a gente conhece, Maria Callas, os Kennedy, a Jacqueline. Se der certo, me livro do ‘360’ em dezembro e começo o novo em maio.”

Os pratos são pedidos – o Marinara é famoso por misturar bons pescados com massas -, e a escolha dele é o “spaghetti integral com frutos do mar”. Silvia Costanti, nossa repórter fotográfica, pede o mesmo e a jornalista vai de “sogliola, gamberi e funghi al burro nero”, também conhecido como linguado com camarão e legumes na manteiga (que termina sendo uma escolha errada, frugal demais para aplacar uma fome somali).

A produção de filmes como “Nemesis”, a exemplo de “360”, exige um esforço incrível de logística financeira, segundo Meirelles. Com um orçamento de US$ 15 milhões, “360” conta com o chamado “soft money” – dinheiro subsidiado para projetos culturais – que inclui a BBC, um fundo inglês para cinema chamado Press Science (“os caras que fizeram o ‘O Discurso do Rei'”), além de três investidores ingleses. Da Áustria entra um aporte da Rádio Televisão Austríaca (ORF) e de um fundo austríaco para cinema; além disso, Emanuel Michael, um grego que é dono da Unison Films, entrou como investidor individual, com US$ 5 milhões.

“Cinema é um negócio de risco, mas, se você souber fazer, não perde. No caso desse investidor, o retorno para ele é prioritário, ou seja, quando o filme é vendido – e este já está todo vendido – a primeira receita é dele, depois, claro, da comissão de 7% do vendedor. Ele investiu e já teve o retorno. Agora, todos os outros vão sendo ressarcidos e o Emanuel ainda terá uma participação sobre a bilheteria, de uns 15%. Ele vai ganhar dinheiro, mesmo que o filme não seja um grande sucesso.”

Essa é a porção mais difícil do trabalho, garante. “É montar essa estrutura do financiamento. Imagine que cada parte tem seus advogados, suas condições, suas cláusulas. Até fazer todo mundo topar tudo, dá trabalho, o filme acaba e eles ainda estão negociando pontos do contrato. Filmar é fácil, negociar é o cão.”

Todo mundo só fala em crescer. É uma loucura que seus colegas jornalistas tenham essa obsessão por crescimento; é como se essa fosse uma meta inquestionável

– Você parece ser atraído por temas difíceis – o mundo da diplomacia, em “Jardineiro Fiel”; a miséria humana, em “Ensaio Sobre a Cegueira”; o caos e a violência urbana de “Cidade de Deus”. Como diz aquele comercial de TV, “o que te move”?

– É da O2 esse comercial.

– Sério?

– É, a gente faz uma parte dessa campanha. Olha, no caso do Saramago, acho que abusei.

– Mas acabou dando certo, não acha?

– Mais ou menos. “Ensaio sobre a Cegueira” foi outro livro pelo qual fiquei tão fascinado, como “Cidade de Deus”, que não pensei na hora de aceitar fazer o filme. Quando já estava dentro é que pensei: meu Deus do céu, onde é que amarrei meu burro.

– Você chegou a se arrepender?

Ao lado de Gael Garcia Bernal: “Quando já estava dentro (da produção filme “Ensaio sobre a cegueira”) é que pensei: meu Deus do céu, onde é que amarrei meu burro

– Várias vezes, várias vezes. Não dá pra desistir porque você envolve muita gente, depois de um certo ponto não dá pra voltar atrás. Mas do tema do “360” eu gostei. Também achei boa a possibilidade de filmar na neve em Minneapolis, em Londres, em Paris, em Viena, nesse lugares todos. Eu adoro entrar em contato com equipes de diferentes lugares, a gente aprende muito.

“360” não é um filme com uma grande mensagem ou uma trama, ele diz, e isso o deixa um pouco apreensivo. “É sobre relacionamentos. São pessoas corretas, que são bons pais, bons maridos, que querem fazer as coisas direito, bons cidadãos. Mas nem sempre conseguem, porque sempre tem uma coisa dentro da gente que nos joga para outro lado. Eu quero ser fiel à minha esposa, mas, puxa, essa mulher aí está dando mole… O filme é sobre isso, sobre pessoas lutando contra si mesmas, contra culpas e pulsões. Deve ser filme para terapeutas.”

– Do que você tem medo, de não dar tanta bilheteria?

– Não é um filme fácil. É um filme pequenininho, desimportante. Se é que a nossa psique seja desimportante.

Senhor Modesto parece satisfazer-se com o espaguete, mas meu olhar para o que resta do linguado é de profunda tristeza.

Pergunto se as informações que estão na internet conferem, se ele começou mesmo a filmar depois de ganhar de presente do pai uma câmera japonesa, quando ainda era menino. Se nasceu em 9 de novembro, se viajou ao Japão quando era jovem e comprou um equipamento de vídeo profissional para preparar o trabalho de conclusão de curso na faculdade de arquitetura, onde se formou (pela Universidade de São Paulo). Tudo errado. Ele nasceu em 11 de setembro, não ganhou nunca uma câmera do pai e o equipamento japonês que usou para produzir filmes experimentais na FAU/USP era patrimônio da própria universidade. “Só fui ter minha primeira câmera quando montei a Olhar Eletrônico, na década de 80.”

Doutor José, médico, o pai de Meirelles, foi quem inoculou o vírus do cinema no filho. Ele tinha uma pequena câmera à corda de 8 milímetros e com ela fazia pequenos thrillers familiares ou com os amigos e os exibia em casa. “Quando eu era moleque, tinha um projetorzinho para ver os filminhos de meu pai. Cheguei a fazer alguns filmes com ele. Cresci com essa ideia de que cinema era uma brincadeira, não havia nenhuma noção sobre tratar-se de uma expressão artística.”

Foi, então, brincando que prosseguiu fazendo seus “filminhos” numa super-8. Brincando, imitou o gênio canadense da animação Norman McLaren e fez uma versão de seu clássico “Neighbours”. Brincando com os amigos da FAU, mergulhou um pouco mais fundo nessa linguagem e produziu, com uma câmera Higashino de 35 milímetros, alguns desenhos animados. A coisa começou a ficar séria quando resolveu brincar de “Valdeci”, o apelido do cameraman que acompanhava o “repórter” Ernesto Varela (personagem criado pelo jornalista Marcelo Tas) no extinto programa “Olhar Eletrônico”, da TV Gazeta, que marcou época na televisão.

No blog de Tas, ele descreve assim a atmosfera meio “riponga” da produtora: “A primeira incursão ficcional do grupo tinha acabado de ser finalizada: ‘SAM’, vídeo de 30 minutos, uma superprodução para os padrões daquele início de produtora…. ‘SAM’ foi gravado na praia, com vários atores, travellings, diálogos bem ensaiados, quase um média-metragem. A fotografia, cheia de bossa, supercloses, ângulos e movimentos inusitados de câmera, era de Fernando Meirelles, um loirinho sempre sorridente com cara de ‘nerd’. Além de líder natural do grupo, Fernando também se tornaria sócio principal da empresa, já que injetou uma grana extra para comprar uma nova câmera: uma Ikegami alaranjada, tecnologia de ponta japonesa, de três tubos, a primeira câmera ‘profissional’ que caía na mão da moçada.”

Em 1991, a Olhar Eletrônico virou a O2, que no começo se dedicou basicamente a produções publicitárias. Meirelles andava entediado e procurando por algo mais desafiador, quando sua sócia, Andréa Barata Ribeiro, sugeriu que ele lesse “Cidade de Deus”, de Paulo Lins. O livro tirou seus pés do chão. E fez o mesmo com 3,5 milhões de espectadores, incluindo aí alguns membros da Academia de Cinema e Artes de Hollywood, que o indicaram para quatro Oscars em 2002 (diretor, roteiro adaptado, edição e fotografia).

– Em algum momento você imaginou que chegaria tão longe?

– Não foi uma coisa planejada nem desejada, não achava que tivesse e não sei se tenho estofo para ser um grande cineasta. Fiz um filme que deu certo e acabou me abrindo muitas portas, portas em que, na verdade, nunca fui bater.

– A que você atribui isso, sorte, boas estratégias, esforço?

– “Cidade de Deus”, de fato, é um bom filme. Antes dele, eu já estava fazia mais de dez anos fazendo cinema publicitário e televisão. Tinha aprendido uns truquezinhos. Trabalhei com muita gente e fui agrupando os melhores; para mim, a equipe com quem eu filmava era a melhor do Brasil. Acabamos criando esse núcleo de gente incrível, um brilhante fotógrafo, um brilhante montador, um brilhante diretor de arte, um brilhante roteirista. É uma equipe em que só tem Neymar. E por onde você olhar o filme é sólido. Fora isso, havia um assunto que era importante.

– Você e o José Padilha (de “Tropa de Elite”) revolucionaram o cinema brasileiro na década passada.

– Mas o Padilha, em termos de público, põe tudo o que já fiz na vida no bolso. Sou uma formiga perto do público e da receita que ele teve no Brasil.

– Você afirmou certa vez que “Tropa de Elite” era mais importante que todos os filmes de Glauber Rocha juntos?

– Não me lembro, acho que não seria provocador a esse ponto. Tenho medo de falar qualquer coisa sobre Glauber, por causa das “viúvas” de Glauber, como são chamados os fãs exaltados. Uma vez eu disse num debate que dormi no “Cabeças Cortadas”. Você não imagina o que aconteceu. Apenas comentei que havia um problema de narrativa ali e que eu tinha dormido no filme. Tentei ver de novo e dormi de novo. Um cara na plateia gritou: “Imbecil!” Vai ver que sou. Mas ali é meio Taleban. As “viúvas” de Glauber são muito agressivas. Os filmes dele têm tanta energia que é impossível assistir sem se sentir tocado, mas não é a minha praia.

Maior influência sobre ele tiveram as obras de Rogério Sganzerla e Júlio Bressane, de quem viu todos os filmes. Glauber o incomoda porque “parecia sempre ter uma agenda”. “Ele queria me enfiar goela abaixo uma ideologia, estava sempre me vendendo alguma coisa.Os filmes de Sganzerla e Bressane são igualmente criativos e inventivos, têm liberdade poética, sem a agenda política. Eles realmente me inspiraram.”

Embora estejam longe de tocá-lo, Meirelles enxerga nas comédias atuais de grande bilheteria do cinema brasileiro um papel importante. “Se o cinema brasileiro tem hoje 14 ou 15% do mercado é por causa desses filmes. Eles garantem a sobrevivência dessa indústria – técnicos, atores, finalizadores. Você pode não gostar dos filmes, mas eles são importantíssimos para o mercado.”

A refeição vai chegando ao fim. Ninguém quer sobremesa, menos a somali, que, disfarçando a penúria, pede uma fatia de abacaxi. Com muitas raspas de limão, por favor.

O lado “verde” do cineasta aflora quando conversamos sobre política e sua experiência como consultor da campanha da ex-senadora Marina Silva à Presidência. Sobre o governo de Dilma Rousseff, ele afirma estar com boa impressão. “A melhor coisa que o Lula fez foi ter indicado a Dilma, e eu dizia o oposto um ano atrás. Porque tudo indica que ela seja feita de uma outra matéria. Só o fato de ter substituído a turma saída do Ministério dos Transportes por técnicos e não por gente ligada a partidos é revolucionário. Nas últimas semanas ela parece ter dado uma recuada em favor dos congressistas, mas torço para que esse seja apenas um recuo táctico e ela não assuma o cinismo de seu antecessor. A absolvição da Jaqueline Roriz foi a cerejinha no bolo que o outro presidente assou. Acho que a oposição está perdendo uma enorme chance de apoiá-la nisso, mas aí é que está: partidos não conseguem ter o desprendimento de colocar o país em primeiro lugar.”

Ele conta que aderiu à campanha de Marina por acreditar na integridade da candidata, mas principalmente na relevância das causas que ela defende. “Todo mundo só fala em crescer. É uma loucura que seus colegas jornalistas tenham essa obsessão por crescimento; é como se essa fosse uma meta inquestionável. Crescer não é necessariamente bom. E não dá pra crescer mais, os recursos do planeta não crescem, se esgotam, têm datas para acabar. Sabemos em que ano não haverá mais atum no mar, em que ano vão se esgotar as reservas de cada minério, em que ano a água vai acabar e onde. Mesmo assim, queremos continuar crescendo, pois esse é o único modelo que se conhece. Ha uma cegueira geral aí. Isso me tira o sono.”

O cineasta-jardineiro dorme bem de verdade quando se afasta de um universo de luzes artificiais e foge para Rifaina, no interior de São Paulo, para aproveitar sua fazenda de 800 hectares, à margem do rio Grande. Ali, consegue voltar às origens da família, em sua maioria grandes produtores rurais da região de Ribeirão Preto e Franca.

Quando dirige para lá, Meirelles enche uma caminhonete de mudas que ele mesmo cultiva em sua casa. Ali, na amplidão e na simplicidade do convívio com a terra, ele encontra alívio para uma rotina extenuante de salões de embarque em aeroportos.

Na fazenda, sob a vista do caseiro Flazomiro, Meirelles cultiva experimentalmente uma grande área de madeira de lei e teca, uma árvore de origem asiática muito usada na fabricação de móveis.

São espécies que demoram décadas para encorpar, como cabreúvas, freijós, ipês, mognos, aroeiras, cedros-rosas, guaritás, jequitibás e perobas-rosas. “Isso me dá um enorme prazer. Uma vez por mês eu saio daqui e entro num outro mundo. É outra conversa. Flazomiro adora sementes, além de tocar muito bem uma viola de 12 cordas. Eu levo minhas mudinhas pra lá, mas minha produção é pequena perto da do Flazomiro. Plantamos umas 8 mil árvores por ano, mas estamos crescendo”, diz e ri do próprio comentário.

fonte: Valor Econômico

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