Estudo prova que “excesso de fé” pode fazer nos ajudar a evoluir ou nos matar

Agência Pavanews, com informações de UPI e Público

Segundo estudos conduzidos por Dominic Johnson e James Fowler, da Universidade de Edimburgo (Escócia) e da Califórnia, publicadas esta semana na revista Nature, o excesso de fé está espalhado por toda a humanidade. Sendo assim, muitas pessoas têm uma opinião acima do normal sobre si mesmas e suas capacidades, o que resulta em uma leitura distorcida da realidade.

Essa fé excessiva ou confiança demasiada em si próprio frequentemente traz recompensas – desde que os resultados sejam maiores que os custos para obtê-las. Por outro lado, as pessoas com percepções mais realistas sobre si normalmente alcançam resultados piores, segundo o estudo.

Os cientistas atribuem parte desse “excesso” ao princípio evolucionista da seleção natural, que teria favorecido uma confiança demasiada nos mais fortes. Sendo assim, os que possuem mais fé em si mesmos teriam um número maior de descendentes que alguém cheio de inseguranças, dizem os pesquisadores.

No artigo, os cientistas utilizaram a chamada “teoria dos jogos” para testar se seria possível a evolução de populações com uma ideia desvirtuada da realidade. Para isso fizeram simulações. A simulação mais simples colocou dois indivíduos competindo por um recurso que oferece tanto um risco quanto um ganho associado a ele. Cada indivíduo tem uma ideia da sua capacidade e da capacidade do outro. Mas há uma incerteza nesta avaliação, onde o excesso de confiança pode fazer com que o mais fraco desista e o mais confiante em si mesmo ganhe o prêmio sem sequer haver uma luta.

No entanto, essa ousadia também traz um alto risco. Para os autores do estudo, o crash financeiro de 2008 e a guerra do Iraque (2003) são dois exemplos de como o excesso de confiança sai pela culatra.

“O modelo mostra que o excesso de confiança, em uma ampla gama de ambientes, pode ajudar as pessoas a vencer seus limites, mas também resultar em grandes falhas”, disse Johnson em um comunicado. “A questão agora é como canalizar o excesso de confiança humana, para que possamos explorar os seus benefícios, evitando as catástrofes ocasionais”. “Parece que estamos a torna-nos hiper-confiantes precisamente nas situações que são mais perigosas”, concluem os autores.

Afinal, o excesso de confiança pode ter um preço. No artigo, os cientistas prevêem que esta característica, que terá sido útil até aqui, pode tornar-se “particularmente prevalente em domínios que têm um grande grau de incerteza inerente”. Exemplos: relações internacionais, gestão de conflitos, fenômenos imprevisíveis como as alterações climáticas, tecnologias novas, ou alianças com líderes desconhecidos.

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