Desemprego e Religião: como a fé muda a percepção de uma crise

Agência Pavanews, com informações de Huffington Post

Pesquisa publicada nesta semana mostra que a religião tem um papel significativo na maneira como as pessoas veem as possíveis soluções para as dificuldades econômicos de seu país. O estudo feito pela Baylor University, de tradição batista, foi apresentado em uma reunião da Associação de Jornalistas de Religião.

Os norte-americanos que acreditam que Deus tem um plano para sua vida são mais propensos a pensar que o governo “já faz muito”, e se opõem aos subsídios de desemprego para pessoas saudáveis, além de estar mais propensos a acreditar no “sonho americano” (tudo é possível para aqueles que trabalham duro).

“Estes são tempos difíceis. Nos últimos três anos, os norte-americanos sofreram com uma enorme crise financeira e imobiliária, recessão e desemprego. A missão desta análise é avaliar o que eles sentem sobre sua vida nestes tempos tumultuados. Será que ainda acreditam no sonho americano? Será que sentem que têm controle sobre sua vida?” , explicou F. Carson Mencken, diretor da pesquisa e professor de sociologia da Baylor.

Dos 1.714 entrevistados pela universidade, 40,9 % disseram “concordo totalmente que Deus tem um plano para mim”, enquanto 32,2% responderam “concordo”; 12,3% assinalaram “discordo” e 14,6% afirmaram “discordo totalmente “.

Há um grande contraste entre o que acreditam totalmente num plano divino e os que discordam totalmente quando se trata de das novas regras para o seguro desemprego – 52,6% contra 21,1%.

Geralmente, as pessoas que acreditam na desregulamentação do governo acreditam mais no plano de Deus, porque “as perspectivas econômicas estão intrinsecamente ligadas à visão de mundo das pessoas”, disse o pesquisador Paul Froese.

A pesquisa também mostrou a relação entre a renda e a crença num plano de Deus. Os que não creem são duas vezes mais propensos a ter altos salários que os mais crentes. Dados similares mostram uma conexão entre o nível de educação e crença religiosa. Enquanto 42,6 % dos descrentes tinham diploma universitário, contrastante com apenas 32,8% dos crentes mais enfáticos.

A pesquisa da Baylor foi divulgada em meio a um debate entre os evangélicos norte-americanos. Organizações como o Sojourners têm apelado para o que chamam de “sacrifício compartilhado”, frase retirada de Mateus 25:45. Ao mesmo tempo, outros têm defendido o chamado “evangelho da prosperidade “, que inclui a crença de que Deus abençoará financeiramente todos aqueles que creem.

Além da crença de que Deus tem um plano para suas vidas, a pesquisa Baylor perguntou aos participantes sobre o significado da vida, a ligação entre religião e saúde mental, crenças sobre o céu e o inferno e crenças sobre a homossexualidade. Os resultados da pesquisa completa podem ser encontrados aqui .

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