A missão a tudo transforma

Ed René Kivitz

Foi em uma viagem missionária durante minhas férias de verão no final da década de 70 que considerei pela primeira vez dedicar a minha vida ao ministério pastoral.

Lembro com saudades do PROMIFÉ, o Projeto Missionário de Férias, realizado pela Juventude Batista do Litoral Paulista, a JUBALP.

Guardo na memória aqueles dias na cidade de Caraguatatuba, onde fomos recebidos pela Igreja Batista da cidade. Foram quinze dias dedicados ao evangelismo pessoal, cultos ao ar livre, conferências evangelísticas todas as noites, além de inúmeras atividades com crianças, nas praças, nas ruas, nos ginásios das escolas, e também a EBF, Escola Bíblica de Férias, todas as tardes, no templo da Igreja.

O pastor que nos recebeu logo percebeu que não estávamos preparados para dar o nosso testemunho, não sabíamos como convidar as pessoas, e muito menos tínhamos qualquer condição de falar de Jesus e apresentar o Evangelho para quem desejasse ouvir um pouco mais. Decidiu, então, dedicar alguns períodos para ensinar a Bíblia para aquele grupo de pouco mais de vinte jovens, e pacientemente, literalmente, nos evangelizou. Tenho certeza de que alguns dos meus amigos se converteram naquele verão.

Voltei das férias reavaliando meus projetos de futuro. Houve uma mudança na minha compreensão de vocação, o que afetou profundamente o que eu pretendia fazer da minha vida em termos de carreira profissional. Até aquele momento eu pensava no tipo de atividade ou de trabalho que eu gostaria de ter, isto é, pensava em responder a pergunta “o que eu quero fazer?”. Mas a partir daquele verão comecei a pensar no tipo de homem que eu gostaria de ser, e não tive dúvidas de que aqueles homens dedicados a Deus eram o que “eu queria ser quando crescer”.

Aquelas viagens missionárias, na época dedicadas exclusivamente ao evangelismo pessoal e ao testemunho verbal da fé em Jesus Cristo, deixaram uma semente em meu coração. Hoje nossas viagens são diferentes.

Compreendemos a missão como “ação que exige explicação” (René Padilla), isto é, serviço que compartilha o amor de Deus, e por isso chamamos nossas viagens de “projetos sócio–missionários”, quando mobilizamos
adolescentes, jovens e profissionais de diversas áreas, e nossos recursos financeiros e materiais para servir as comunidades com quem nos relacionamos: Bairro da Serra em Iporanga e Comunidade Quilombola Pedro Cubas, ambas no Vale do Ribeira, e a Comunidade do Morro do Borel, no Rio de Janeiro.

Os frutos que colhemos dessas experiências são extraordinários: no ato de doar e servir, somos tanto ou mais abençoados do que as pessoas a quem abençoamos. Ver pessoas sendo transformadas pelo poder do Evangelho de Jesus renova nossas convicções e traz alegrias indizíveis.

As amizades que se formam nas viagens se aprofundam e perduram, a integração comunitária ganha nova dimensão, e a Igreja deixa de ser Ela, e passa a ser Nós. O desejo de conhecer mais a Deus e estudar a Bíblia surge espontaneamente e cresce naturalmente. As vidas transformadas geram um tipo de “inveja santa”, e começamos a clamar que Deus faça em nossas próprias vidas o que faz ao nosso redor.

Oramos mais, pedimos unção espiritual, alegria, paz e o amor que vão sendo explícitos nos olhares daqueles que são encontrados por Jesus. O louvor ganha outra dimensão, os pequenos milagres e providências no dia a dia e nos detalhes da missão vão colorindo as expressões da nossa gratidão a Deus e estimulando a nossa fé. Aos poucos nos percebemos de volta ao primeiro amor, com a sensação de que nos convertemos de novo.

Acredito que todos os jovens e adolescentes deveriam ter a oportunidade de participar de uma viagem sócio–missionária. A experiência em um projeto de missão faz a diferença entre contemplar um mapa e fazer uma viagem, admirar uma fotografia e visitar a paisagem, observar o cardápio e fazer uma refeição. Da teoria para a prática.

E da prática para um estilo de vida comprometido em levar o Evangelho todo para o homem todo, todo dia, em todo lugar, através de tudo quanto se faz em nome de Jesus, para abençoar pessoas no poder do Espírito, para a glória de Deus.

fonte: Informativo da Ibab

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