Por que cristãos conservadores frequentam um bar gay de Chicago?

Andrew Marin

Agência Pavanews, com informações de BBC

Construir pontes entre os cristãos evangélicos e a comunidade gay é o desejo do pastor Andrew Marin. Com esse objetivo, ele passou os últimos 10 anos em Boystown, bairro de Chicago conhecido como reduto de gays, lésbicas, bissexuais e transgêneros (GLBT). Andew trabalha para tentar fazer com que cristãos e gays se reúnam para ter uma conversa franca sobre sexualidade e espiritualidade.

Isso inclui uma grande reunião quatro vezes por ano em Roscoe, um dos bares gays mais famosos dos EUA. Essa não é uma conquista pequena em uma cultura na qual durante muito tempo gays e cristãos evangélicos têm visto uns aos outros com desconfiança. No entanto, a determinação de Andrew Marin em trazer para mais perto lados tão opostos e propor diálogo tem crescido de uma maneira que ele jamais imaginou. De um começo pequeno, hoje ele leva sua mensagem por todo o mundo e tem trabalhado com diferentes governos e também com igrejas. Ele está se tornando uma figura bem conhecida e tem colaborado com uma das maiores editoras cristãs do mundo na produção de um curso voltado para igrejas que desejam abordar questões de sexualidade.

Um abraços homem gay membros da Fundação Marin em Chicago desfile do Orgulho Gay Boystown (Crédito da foto: Michelle Gantner, Mal de mídia ajustado)Ele acredita que muitos cristãos não entendem a complexidade dos versículos da Bíblia que mencionam a homossexualidade, mas reconhece que os gays muitas vezes são rápidos ao tentar desvalorizar o cristianismo.

Andrew sentiu a necessidade de responder a essas questões depois de uma série de conversas que teve com três amigos muito próximos. Ao longo de de três meses, esses amigos lhe disseram que eram gays, uma surpresa completa. O pastor cresceu em um lar cristão conservador, e diz que ele era “o maior homofóbico que já conheceu”. Para ele, estava muito claro que cristianismo e homossexualidade eram incompatíveis. “Não sabia o que fazer. Pensava que não havia maneira alguma do meu sistema de crenças teológicas aceitar o estilo de vida dos meus amigos, por isso acabei cortando os laços com eles.” Algum tempo depois, Andrew sentiu que Deus estava pedindo para voltar a ter contato com seus amigos e pedir perdão a eles. Em seguida, ele se mudou para Boystown junto com dois desses amigos. Os primeiros anos foram extremamente difíceis, enquanto lutava para descobrir se poderia conciliar a sexualidade de seus amigos com suas convicções cristãs.

“Quando ia a bares ou eventos gays junto com os meus amigos, me sentia mal, porque achava que devia dizer às pessoas ali: ‘Você está errado e precisa mudar'”. Contudo, em vez de condenar, decidiu que deveria mostrar o espírito cristão. Essa decisão trouxe alguns resultados inesperados. “Nos três primeiros anos, eu era literalmente o único homem hétero da redondeza. As pessoas começaram a falar comigo sobre Deus, a igreja e a Bíblia. As pessoas faziam muitas perguntas sobre isso para mim.”

Essas conversas deram origem ao que hoje é uma organização que trabalha em todos os Estados Unidos. Um dos aspectos mais incomuns do trabalho da Fundação Marin são os encontros onde pessoas de diferentes ponto de vista se reúnem para debater questões referentes a fé cristã e sexualidade. Alguns participantes são pessoas que abandonaram a igreja por causa de sua atitude em relação à homossexualidade. Há casos interessantes, como o de dois cristãos gays que chegaram a conclusões muito diferentes sobre a fé e sexualidade.

Will é abertamente gay e serve como pastor da Igreja Metodista Unida. Ele disse ter resolvido uma “tensão criativa” que sentiu inicialmente entre sua vocação para o ministério e sua sexualidade. Enquanto isso, Brian mesmo sabendo que é gay, deixou que sua teologia tradicional o fizesse escolher uma mulher para casar. A Fundação Marin acredita que a conversa educada e franca entre pessoas de todas as perspectivas é essencial para que os cristãos tratem essas e outras questões sobre a sexualidade de uma forma mais eficaz.

Nem todo mundo está convencido de que os evangélicos estão prontos (nem preparados)  para ter essas discussões. O professor Mark Jordan, teólogo da Universidade de Harvard especialista no entendimento cristão da sexualidade, convocou um grupo internacional de estudiosos para tentar resolver o que ele chama de “impasse” nos debates atuais sobre religião e sexualidade. Ele sugere que pode ser hora de “uma espécie de cessar-fogo, em que podemos parar de gastar todas as nossas energias criticando uns aos outros o tempo todo”.

Andrew Marin admite que algumas igrejas continuarão a se concentrar apenas na “cura” dos gays, enquanto outras simplesmente darão boas-vindas aos homossexuais. Embora seja essa a crítica que ele mais ouve, o pastor Andrew insiste que seu foco está em permitir que os gays que desejam conhecer o cristianismo tenham essa oportunidade.

Comentários

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8 Comentários

  1. É um assunto profunto, raiz de discussões ferozes e ataques mútuos que mais produzem feridas e mágoas que algum tipo de consenso. Tenho uma amiga de longa data que há poucos anos assumiu sua homossexualidade. Duplamente fui compelido a permanecer ao seu lado: uma, por sua amizade; e a outra razão é seguir o exemplo de Jesus, que esteve entre os mais vis pecadores do seu tempo, andou entre eles e deu-lhes uma esperança que nenhum outro contemporâneo de sua época dera a estes. 

  2. Joao Marinho disse:

    Não é verdade que cristãos e gays se criticam o tempo todo e assim gastam energia. A verdade é que cristãos criticam gays o tempo todo e ELES assim gastam sua energia. Mesmo quando um cristão se vê compelido a ficar ao lado de um amigo, como o Anderson do comentário anterior, não deixa de considerar a pessoa pecadora. Mas, para um gay, um cristão é apenas um cristão. Quem está julgando quem, então?

  3. fredmorsan disse:

    Pecadores todos nós somos. É a nossa natureza, assim nascemos. Mesmo salvos, a natureza pecaminosa continua conosco. Só na eternidade, teremos nossos corpos transformados, a corruptibilidade se tornará incorruptibilidade. Com relação à homossexualidade, a Bíblia é bem clara:”Não
    tendes lido que aquele que os fez no princípio macho e fêmea os fez, e disse:
    Portanto, deixará o homem pai e mãe, e se unirá a sua mulher, e serão dois numa
    só carne?” (Mateus 19:4-5). São palavras do próprio Jesus. Mesmo o contexto sendo sobre divórcio, Jesus amplia a resposta e mostra que a vontade do Pai foi estabelecida lá no início, no Éden. Quem não puder receber esta palavra, deve seguir o conselho de Jesus: “Porque há
    eunucos que assim nasceram do ventre da mãe; e há eunucos que foram castrados pelos homens; e há eunucos que se
    castraram a si mesmos, por causa do reino dos céus. Quem pode receber isto,
    receba-o.” (Mateus 19:12). A parte em negrito fala sobre voto de castidade. Abrir mão da vontade da carne por causa do reino dos céus.

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