Fim do jornalismo? Computador consegue escrever notícias sozinho

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Publicado originalmente no The New York Times [via Veja]

“Wisconsin parece estar com o jogo ganho, já que lidera por 51 X 10 após o terceiro tempo. Wisconsin aumentou sua liderança quando Russell Wilson encontrou Jacob Pedersen para um touchdown de 8 jardas para deixar o placar a 44-3…”

Essas palavras iniciaram um resumo de notícias escrito dentro de 60 segundos do fim do terceiro tempo de um jogo de futebol americano entre as universidades de Wisconsin e Nevada, em setembro. Podem não parecer muita coisa, mas foram escritas sozinhas por um computador.

O código inteligente é obra da Narrative Science, uma empresa de Evanston, Illinois, que oferece a prova do progresso da inteligência artificial: a capacidade dos computadores imitarem o raciocínio humano.

O software da empresa reúne dados, como os de estatísticas esportivas, relatórios financeiros de empresas e lances e vendas de moradias e os transforma em notícias. Durante anos, os programadores realizaram experiências com o software que escreveu tais textos, tipicamente para eventos esportivos, mas esses esforços tinham um estilo truncado, como se houvesse lacunas a serem preenchidas em um texto básico. Eram lidos como se uma máquina os tivesse escrito.

Mas a Narrative Science se baseia em mais de uma década de pesquisa, liderada por dois fundadores da empresa, Kris Hammond e Larry Birnbaum, diretores do Laboratório de Informação Inteligente da Universidade Northwestern. E os textos produzidos pela Narrative Science são diferentes.

“Pensei que fosse mágica”, diz Roger Lee, sócio geral da Battery Ventures, que liderou um investimento de US$ 6 milhões na empresa mais cedo neste ano. “É como se um humano o tivesse escrito”.

Segundo Etzoni, a Narrative Science aponta para uma tendência maior na computação: “a crescente sofisticação no entendimento automático da linguagem e, agora, na geração de linguagem”.

O trabalho inovador na Narrative Science levanta a questão mais ampla sobre se tais aplicações da inteligência artificial serão uma assistência a trabalhadores humanos ou sua substituição. A tecnologia já está minando as fundações econômicas do jornalismo tradicional. A publicidade online, ainda que em ascensão, não compensou o declínio na publicidade impressa. Mas será que os robôs jornalistas substituirão os jornalistas de carne e osso nas redações?

Os líderes da Narrative Science enfatizaram que sua tecnologia seria primordialmente uma ferramenta de baixo custo para as publicações se expandirem e enriquecerem a cobertura quando os orçamentos editoriais estiverem sob pressão. “Em linhas gerais, estamos fazendo coisas que não estão sendo feitas de outro modo”, diz Frankel.

“Composição é o conceito-chave”, explica Hammond. “Não é só pegar os dados e derramá-los no texto”.

No trimestre passado, a Big Ten Network começou a usar a Narrative Science para atualizações de jogos de futebol americano e basquete. Segundo Calderon, essas notícias ajudaram a impulsionar uma explosão em indicações para o site a partir do algoritmo de busca do Google, que dá classificações altas a conteúdo novo sobre assuntos populares. O tráfego de rede na Web para jogos de futebol americano na temporada passada era 40 por cento mais alto do que em 2009.

Um texto com cerca de 500 palavras da Narrative Science custa menos de US$ 10, e o preço muito provavelmente cairá com o tempo. Mesmo a US$ 10, o custo é bem menos, pelas estimativas da indústria, do que o custo médio por matéria de empresas de notícias online locais como a Patch, da AOL, ou sites de respostas, como aqueles administrados pela Demand Media.

As ambições da Narrative Science incluem subir mais alto na escada da qualidade. Tanto Birnbaum quanto Hammond são professores de jornalismo, bem como de ciência da computação. A própria empresa é resultado da colaboração entre as duas escolas.

“Esse tipo de tecnologia pode aprofundar o jornalismo”, diz John Lavine, decano da escola de jornalismo Medill, da Northwestern.

Hammond diz que a combinação de avanços em seu gerador de textos e na prospecção de dados pode abrir novos horizontes para o jornalismo computacional, explorando correlações que não se esperava, conceitualmente semelhante ao Freakonomics de dois humanos, o economista Steven D. Levitt e o autor Stephen J. Dubner.

Hammond citou a previsão de um especialista em mídia segundo a qual um programa de computador poderia ganhar um prêmio Pulitzer de jornalismo em 20 anos e ele pediu desculpa, mas não concorda. “Em cinco anos, um programa de computador ganhará um Pulitzer e macacos me mordam se não for a nossa tecnologia”. diz. Caso isso aconteça, o prêmio certamente não seria concedido ao código de resumo, mas a seus criadores humanos.

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