Porque o Facebook vicia

Publicado originalmente em Scienceblogs

Já ouvi pessoas dizerem que o Facebook precisa de um botão de “não curtir”. Até descobri recentemente esta “Campanha Não Curti” com mais de 32.000 pessoas. Uma ideia interessante mas que, se aprovada, só prejudicaria o site.
É fácil entender o porquê disso, basta lembrar de um processo básico que nossos alunos aprendem no primeiro ano de psicologia: o condicionamento operante.

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Coloque um rato sedento em uma caixa fechada com uma alavanca que se pressionada libera uma gota d’água. Ensine-o a pressionar a alavanca e ele o fará muitas vezes, até saciar sua sede. Se em uma dessas ocasiões a consequência for retirada (a gota d’água) o pressionar a barra diminiuirá podendo chegar a zero. Mas se em alguns momentos ele receber água e outros não, ou seja, a consequência for intermitente, aí meu amigo, ele vai ser um rato muito insistente e pressionará muito a sua barra.

Agora imagine você escrevendo algo no Facebook, como “as fotos da festa ficaram ótimas”. 5 pessoas curtiram isso. Esse “curtir” funciona como a água: é o estímulo reforçador que manterá você escrevendo no site. Imagine que em momentos ninguém curtiu o que você posta, em outros poucas pessoas curtiram e em outros muitas pessoas curtiram. Aí você já foi “pego”, pois mesmo que ninguém tenha curtido algo que você postou, é provável que você continue postando, pois em outras ocasiões muitas pessoas curtiram.

Até agora eu não falei do “não curtir”. Para saber que consequências o “não curtir” poderia gerar em alguém é fácil: imagine o que aconteceria com o rato se, ao pressionar a barra, ele recebesse um choque. Simples assim!

Ou seja, em parte o sucesso do Facebook é a função “curtir” do site que funciona como um reforçador positivo para nossas respostas de escrever.

Alguns pesquisadores da Itália resolveram explicar que o Facebook é agradável mas de outra maneira: medindo as respostas fisiológicas da pessoa. Eles mediram a condutância da pele, volume de sangue do pulso, eletroencefalograma, eletromiografia, a atividade respiratória e a dilatação da pupila de 30 sujeitos saudáveis em 3 diferentes condições: relaxamento, mostrando slides do seu perfil no Facebook e uma condição de estresse.

Quando era mostrado ao sujeito o seu perfil no Facebook, a pessoa ficava emocionalmente mais agitada que nas outras condições, ou seja, ele ficava mais feliz e animado. A pesquisa conclui dizendo que sites de relacionamento social podem ter seu sucesso devido aos estados positivos que geram nos seus usuários.

Muito interessante essa pesquisa, mas agora vou analisar as duas explicações a partir de uma visão pragmatista, ou seja, de função prática:

  1. Sabendo que o “curtir” e as outras interações sociais são reforçadores eu posso prever que: a) se eu retirar os reforçadores, no caso se eu não tiver respostas de amigos ou ninguém “curtir” o que escrevo, esta minha resposta de escrever no site diminuirá podendo chegar à extinção; b) se eu colocar um estímulo aversivo, como uma função “não curtir”, isso pode diminuir minha frequência de escrever no site.
  2. Por outro lado, sabendo que o Facebook produz respostas fisiológicas de excitação eu posso prever que… as pessoas ficam felizes quando estão usando o Facebook! Grande descoberta!

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