Movimento “ocupar Wall Street” deveria nos servir de exemplo para “ocupar a igreja”

Cartazes com versículos bíblicos foram vistos nas manifestações

Tom Beaudoin, na America Magazine

Traduzido e adaptado por: Agência Pavanews

Depois de participar das manifestações do “Ocupar Wall Street” aqui em Nova York, comecei a imaginar o que aconteceria se os cristãos usassem este modelo, dessem espaço para sua paixão e mostrassem a indignação com suas próprias igrejas.

Imagine se um grupo de cristãos, cheio de preocupação com o futuro de sua igreja e da fé, usasse seu senso de responsabilidade para protestar e mudar o que lhes parece intolerável na igreja de hoje. Seria uma ocupação física de espaços, de forma não-violenta (necessariamente imperfeita e rebelde) com uma organização democrática, com debates e articulações sobre visões de uma Igreja diferente, sem forçar prematuramente o movimento a assumir uma agenda específica. Sim, uma forma de conscientização e de ação direta.

Qual seria o amor irresistível que você precisaria sentir para pensar em se juntar a tal movimento? Seria a sua esperança de que a Igreja pode ser um instrumento para anunciar a salvação de Deus no mundo aqui e agora? Sua fé no chamado profético do Espírito, em um caráter permanentemente inacabado, para conduzir a igreja? Em nome de Deus, com amor pela sua tradição de fé em algo que você se encontra inseparavelmente unido? Ou precisaria de algo mais?

Qual seria a última gota que faria você aderir a esse movimento? Seria a má-fé de líderes que encobrem escândalo após escândalo, seja de cunho econômico, sexual ou moral? Seria a decepção com as estruturas dessas igrejas, seus ensinamentos e práticas distorcidas que as tornam cada vez mais irrelevantes na sociedade contemporânea? Ou seria a constatação do fracasso da igreja em colocar em prática a justiça e o amor explicitados no Livro que ela diz pregar ao mundo? Ou é preciso algo mais?

“Ocupar Wall Street”, movimento de 99% das pessoas “comuns” contra o 1% que detém o poder, oferece-nos a consciência da necessidade dos cristãos participarem desse tipo de ação, um reconhecimento da invisibilidade do próximo, do estado que se encontra a liderança da igreja de nossos dias e da força (sempre ignorada) pela esmagadora maioria em comparação com essa pequena minoria.

Olhando para o mundo e para a igreja, neste momento, diria que este pode ser um momento privilegiado para tal reflexão e ação. Seria pedir demais?

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