Profissão de fé

Students  3
Pri Aliança, no Através do monitor

Cuidado, boquinha, no que fala
Cuidado, boquinha, no que fala
o salvador do céu está olhando pra você
Cuidado, boquinha, no que fala
Cuidado, olhinho, no que vê
Cuidado, olhinho, no que vê
o salvador do céu está olhando pra você
Cuidado, olhinho, no que vê
Cuidado, mãozinha, no que toca
Cuidado, mãozinha, no que toca
o salvador do céu está olhando pra você
Cuidado, mãozinha, no que toca

Não lembro quem me ensinou essa canção. Sei que eu era muito, muito pequena. E concluo que desde minha tenra idade eu já vinha sendo adestrada pra encarar Deus como esse vigilante celestial. Um agente do DOI-CODI pronto pra invadir minha casa e me punir severamente ao primeiro sinal de comportamento subversivo. Se pra ditadura militar o problema era o comunismo, hoje o problema de cristãos é qualquer coisa que nos “rebaixe” ao status de não-crentes. Eu não devo falar palavrão – não porque simplesmente não gosto, mas por medo de Deus; eu não devo ver um filme com cenas fortes de sexo – não porque o filme é apelativo, mas por culpa; eu não devo experimentar um cigarro – não porque fede e faz mal, mas porque Deus vai me dar um câncer de pulmão só pra me punir e me mostrar quem é que manda.

Pois adivinhem uma coisa: eu não acredito nesse Deus. Esse Deus, pra quem eu posso diminuir meu irmão à vontade desde que utilize termos socialmente aceitos, não faz sentido algum em minha mente ou em meu coração. Esse Deus, pra quem eu posso ver e divulgar um filme que faça apologia ao machismo desde que não tenha cenas de nudez, não condiz em nada com o Deus revelado em Jesus Cristo. Esse Deus, que não está nem aí se eu me entupir de Coca-Cola porque refrigerante “crente pode”, se parece mais com os deuses pagãos da Grécia antiga do que com o Deus da liberdade que Paulo difundiu. Se você que me lê se sente ultrajado pelo que leu acima, eu tenho uma notícia pra você: nós cremos em divindades totalmente diferentes.

A pergunta que eu deixo é a seguinte: o que choca mais? Estas palavras elegantes ou estas outras, de baixo calão?

Retomando as canções da minha infância eclesiástica, fico com esta outra, que aprendi (que eu me lembre) com Tia Dadinnha no rol de berço da 1a IPI de Natal nos idos de mil-novecentos-e-não-vem-ao-caso:

Três palavrinhas só
eu aprendi de cor:
DEUS É AMOR

E por essas três palavrinhas, só por essas três palavrinhas, eu busco pautar minha vida – tentando desesperadamente amá-lo de volta por meio do amor ao meu próximo. Tentando. E recorro ao Bom Samaritano pra deixar claro quem é nosso próximo. Nesse Deus, eu acredito; esse Deus eu amo; esse Deus eu adoro não por canções emocionantes e levantar vazio de mãos, mas tentando – TENTANDO! – transformar todas as minhas atividades num culto ao Ele, Deus do amor e da justiça. Da aula ministrada à carona oferecida de bom grado a um desafeto. Esse, sim, é o Deus da minha vida.

PS: já imaginaram Cristo falando dessa parábola hoje? A parábola do Bom Gay? Do Bom Pai de Santo? Da Boa Prostituta?

foto:  Stock

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