“As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz terapeuta infantil

Texto de Rafael Bergamaschi publicado originalmente no iG

Como explicar a uma criança a forma correta de agir? A dúvida, comum a muitas mães, divide especialistas. Mas há um ponto em que todos parecem concordar atualmente: bater para educar seria pouco eficaz e traumatizante para a criança. Poucos seguem outra linha de raciocínio. É o caso da terapeuta infantil Denise Dias, que lançou em outubro deste ano o livro “Tapa na Bunda – Como impor limites e estabelecer um relacionamento sadio com as crianças em tempos politicamente corretos” (Editora Matrix).

Desde 1998 o conselho da União Europeia está em campanha contra as palmadas. Ao todo, 22 países europeus, como Suécia, Áustria e Alemanha, criminalizaram punições físicas. Publicada em abril de 2010, uma pesquisa realizada com crianças entre três e cinco anos por cientistas da Universidade de Tulane, nos Estados Unidos, constatou que aquelas cujos pais costumavam disciplinar com tapas tinham 50% mais chances de desenvolver agressividade. No Brasil, tramita no congresso desde 2002 um projeto de lei que visa proibir as palmadas. Apoiado pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva e por estrelas como Xuxa, o assunto ganhou notoriedade.

Com mais de dez anos atendendo crianças e adolescentes, inclusive em instituições dos Estados Unidos, Denise, no entanto, não vê problemas na adoção da palmadas educativas. “As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz a terapeuta. Ela vê a carência na imposição de limites às crianças como um dos principais problemas da geração atual: “virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes”. Confira a entrevista que ela concedeu ao Delas.

iG: Qual a ideia central do livro?
Denise Dias:
Eu vejo que as palmadas que os pais dão nos filhos, de vez em quando, não têm mal nenhum. “Monstrualizaram” a educação doméstica. Não se pode mais falar em tapa ou em castigo. Não se pode mais falar que os pais mandam nos filhos. Virou uma bagunça tão grande que hoje nós temos uma geração de delinquentes adolescentes. Podemos até falar que é uma geração drogada e prostituída também. A quantidade de jovens usuários de drogas só cresce ano após ano, isso não é falta de informação, é falta de limite. O que é, muitas vezes, imposto com um tapa na bunda.

iG: Qual a diferença entre palmada e agressão?
Denise Dias:
Não existe um “tapômetro” para mensurar isso quantitativamente. No Reino Unido, quando um pai é julgado (por algum tipo de agressão ao filho), eles observam se foi deixada alguma marca na criança. Esta seria uma forma mais palpável de medir.

iG: Um capítulo do seu livro fala sobre “criar monstros”. Você pode explicar essa ideia?
Denise Dias:
Em uma escada de hierarquia, onde ficam os pais? No topo. Onde ficam os filhos? Lá embaixo. Os pais possuem autoridade indiscutível perante os filhos. Para uma criança crescer saudavelmente, ela precisa de um adulto seguro que diga o que pode e o que não pode ser feito. Hoje em dia, ao invés de colocar limites, eles (os pais) estão filosofando excessivamente com as crianças. Costumo dizer que os pais ficam com “teses de doutorado”, explicando demais para uma criança de quatro, cinco anos de idade cujo cérebro não está formado adequadamente para formar abstração, formar filosofia. Por isso que um pai que mora no décimo andar não tenta explicar para a criança que ela pode cair da varanda. O que ele faz? Coloca rede em todas as janelas. É só uma criança, ela paga para ver.

iG: Você acha que a palmada é a melhor forma de exercer autoridade?
Denise Dias:
Não. Acho que é uma das alternativas e, muitas vezes, é o que resolve. Tem crianças que nunca precisam levar uma palmada, a mãe olha e ela já obedece. Tem criança, no entanto, que faz alguma coisa errada e, por mais que a mãe coloque-a de castigo e tire privilégios, continua mexendo onde não deve mexer. O que adianta? O que ela está pedindo? Tapa na bunda. As crianças estão precisando de tapa na bunda.

iG: Não existem outras formas de exercer a autoridade, como saber dizer “não”?
Denise Dias:
Com certeza. Isso eu abordo com clareza no meu livro. O tapa na bunda é um último recurso, mas muitas vezes ele é necessário.

iG: Como saber quando ele é necessário?
Denise Dias:
Quando você já chamou a atenção da criança, já tentou fazê-la parar de fazer o que não deveria estar fazendo, já tentou colocar de castigo e mesmo assim ela continua. O que essa criança está pedindo? Limites. Tem criança para as quais basta dizer algo como “vai ficar sem o cinema hoje”, que ela aprende. Ela não gosta daquilo, então se comportará, em uma próxima vez, para que não aconteça de novo. Mas existem crianças que testam incansavelmente os pais. São esses adolescentes que crescem e queimam um índio, atropelam skatistas…

iG: Bater nas crianças não pode ser considerado um pouco primitivo?
Denise Dias:
De forma alguma. Uma coisa é a palmada, depois que já tiveram vários outros tipos de punições que não deram certo. Outra coisa é um pai que chega estressado do trabalho, a criança faz algo como derrubar suco na mesa, por exemplo, e o pai, na sua ignorância, lasca um tabefe na criança. São situações muito diferentes.

iG: Qual a sua opinião sobre o projeto de lei que visa proibir a palmada?
Denise Dias:
Eu sou contra. Ele não é necessário. O Estatuto da Criança e do Adolescente já protege contra a violência. Vamos definir “violência”. A criança brasileira está prostituída na rua, está na cracolândia… A criança brasileira está chegando ao quinto ano do ensino público sem saber fazer uma conta de subtração. Isso é violência. Agora o congresso quer criminalizar uma palmada que um filho que olha para o pai e fala “cala a boca, seu idiota” toma? O pai que não coloca limites no filho está criando um monstro.

iG: O que levou você a escrever este livro agora, na contramão de diversos estudos e correntes pedagógicas que pregam justamente o fim das palmadas?
Denise Dias:
Para dizer a verdade, no meu convívio profissional o que eu mais conheço, graças a Deus, são profissionais a favor de umas palminhas para educar. Eu vinha escrevendo o livro desde 2009. Quando deu o boom sobre o assunto, por conta do projeto de lei, comecei a correr para terminar o livro.

Foto: Getty Images

dica do Mauro Pellegrini

Comentários

10 ideias sobre ““As crianças estão precisando de tapa na bunda”, diz terapeuta infantil

  1. Sgspereira

    Concordo plenamente. A bunda é um lugar macio e possui anatomia perfeita para levar umas palmadas. Apenas advirto que isso nunca deve ser feito com raiva (o que exige muito auto-controle e amor por parte dos pais) e nunca deve ser feito na frente de ninguém. Além disso, a criança deve saber exatamente porque está apanhando e depois que parar de chorar, ela deve receber um abraço para ter a certeza de que apanhou porque é amada!

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  2. Sgspereira

    Concordo plenamente. A bunda é um lugar macio e possui anatomia perfeita para levar umas palmadas. Apenas advirto que isso nunca deve ser feito com raiva (o que exige muito auto-controle e amor por parte dos pais) e nunca deve ser feito na frente de ninguém. Além disso, a criança deve saber exatamente porque está apanhando e depois que parar de chorar, ela deve receber um abraço para ter a certeza de que apanhou porque é amada!

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  3. Aaaaaa

    eu acho que se crianças podem apanhar, mulheres também deveriam
    há leis contra homens baterem em mulheres mas não há leis contra bater em crianças, acho isso completamente injusto
    mulheres, que são 500% mais hábeis a se defender do que crianças
    que tem 500% mais noção e culpa do que fazem
    não estou dizendo que mulheres DEVEM apanhar, estou dizendo que se um pode o outro também poderia
    acho na verdade que as crianças deveriam ser mais protegidas

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  4. Luciele Rosa

    Concordo em gênero, grau e número! Fui educada a moda antiga, nunca fui traumatizada, se chorava? É claro que sim… Mas foi por esse tipo de criação, que hoje tenho responsabilidade e respeito ao próximo! Dou graças a Deus pela educação que recebi dos meus pais!

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  5. Luciele Rosa

    Concordo em gênero, grau e número! Educar não é o mesmo que espancar. Fui educada a moda antiga e hoje dou graças a Deus pelo tipo de criação que tive. Nunca tive nenhum trauma! E é por esse tipo de educação que hoje sei o que é responsabilidade e respeito ao próximo! E se a sociedade não parar para pensar na forma que a educação está caminhando, em breve teremos um mundo totalmente despreparado em todos os gêneros possíveis. Educar nunca é demais!

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  6. Mael

    ate q enfim alguma mente sa todas as pessoas exceto essas geraçoes novas foram educadas c tapas e nunca fizeram mal p ninguem ..usar drogas queimar pessoas dançar funk c 10 anos??eram coisas inimaginaveis ANTES EDUCAR AS CRIANÇAS EM CASA DO Q TENTAR EDUCAR OS BANDIDOS NAS CADEIAS.. FUCK YEAHH

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  7. Marília Liz

    Eu vou descer a mão na criançada qdo tiver as minhas. Claro, com todo amor e carinho (kkkkk), mas vou. Eu apanhei mto na bunda Mas poe mto nisso), e virei gente. Quer dizer que isso não faz tão mal não, pelo contrário, acho que mereci todas as vezes. 

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  8. JoNeS

    crianças devem receber é varadas na bunda!
    isso não tem nada de violência, não é espancamento, mas o efeito da varada e da palavra firme e intruidora dos pais, bem como o próprio exemplo dos pais, certamente resultarão em filhos mais educados, mais respeitosos e mais livres de problemas futuros. Mas se os pais já são essa coisa mórbida que conseguimos ver por aí atualmente, aí as crianças nem referência tem, apanham mas nem sabem o que é certo mais… O exemplo vem de cima, mas o que há encima? Pais descompromissados, deturpados, corrompidos por todo tipo de cultura fútil e inútil…

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