A revolução política e sexual da Líbia: agora elas querem um rebelde para se casar

Laura Lopes, no Sexpedia
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Para os brasileiros pode não fazer muito sentido essa notícia que acabo de ler no Foreign Policy. Depois do levante popular que arrancou (e matou) Muammar Khadafi do poder, os jovens da Líbia, antes pobres e desenganados, viraram heróis de uma revolução política e sexual. Porque, na era Khadafi, a extrema pobreza não incentivava as pessoas a casar e ter filhos. As jovens mulheres não procuravam os homens jovens. Eles perambulavam pelas ruas, sem muito o que fazer. Não havia oportunidade para eles. Não tinha como prover mulher e filhos e isso os impedia de constituir família.

Hoje, a esperança coroou os líbios como heróis, e elas os veem com novos olhos. Principalmente os soldados rebeldes, populares entre o burburinho feminino. Agora eles representam força, eles mostraram que são capazes. São viris. O negócio é tão sério que foi incluído nas conversas por SMS. “Esqueça os médicos e engenheiros: queremos casar com um rebelde,” diz um texto em grande circulação pelo país. ”À procura de um rebelde para se casar? Pressione ‘M’ para um marido de Misrata, ’B’ para um marido de Benghazi…”

Aconteceu o mesmo no Egito de Hosni Mubarak. A população urrava “nós vamos te derrubar e vamos ter filhos”. O motivo para evitar o casamento era o mesmo: a falta de perspectiva para sustentar uma família. A indignação era geral. E é óbvio que a queda desses ditadores não vai melhorar instantaneamente a situação financeira da população, muito menos destruir as rígidas regras islâmicas de convivência entre o homem e a mulher. Mas elevou a autoestima e aumentou a esperança – e, mais do que ela, a vontade de um estar junto do outro.

Isso é tão diferente da sociedade ocidental, a tal “independente e individualista”. A gente quer liberdade, a gente quer se livrar de instituições tradicionais, a gente casa e separa como troca de roupa, a gente não se importa com o outro, a gente não sabe o que não é poder casar porque ditadores não dão oportunidade para amadurecermos ao lado de alguém. Há miséria no Brasil, mas nunca impediu que as pessoas se reproduzissem. O que nos diferencia dos egípcios e dos líbios?

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