As viúvas de Gutenberg discutem a relação

Xico Sá, na Folha.com

As viúvas de Gutenberg de TPM promovem aquela D.R.I. -Discussão de Relação com Internautas.

Nada como um post atrás do outro para as viúvas de Gutenberg, categoria na qual me incluo com uma ponta de orgulho, aprenderem mais um bocadinho sobre a relação com os leitores das redes sociais e blogosfera.

Vez por outra a relação azeda mesmo.

Como vimos agora no episódio da doença do Lula. A corrente puxada, entre outros anônimos e célebres, pela Luana Piovani, bombou na velocidade da luz: Lula lá… no SUS.

Não faltou, entre as viúvas -incluindo este cronicamente inviável que vos fala-, quem não se manifestasse contra a legião que comemorava o diagnóstico do ex-presidente.

O horror, o horror!

Recorri ao tio Nelson Rodrigues, que nos socorre no perigo da hora, e sentei a pua decretando o fim da solidariedade no câncer.

Escrevo para site ou blog desde o princípio da internet no Brasil, ali por volta do medieval 1995. Este caso Lula, óbvio, não foi o meu primeiro susto e desconforto com parte dos leitores.

Antes do episódio, a maior D.R.I. que havia tido foi de safra 2007, quando critiquei a pancadaria e irresponsabilidade policial durante um show dos Racionais MC´s na praça da Sé, SP.

O texto saiu no finado site “NoMínimo”.

Durante esse tempo todo, aprendi duas ou três coisas, muito óbvias, porém fundamentais:

– O “jus esperneandi”, o famoso direito de espernear, é legítimo sob quaisquer circunstâncias. Mesmo que no esgoto.

– O poder de contestação do leitor é imediato e sem intermediários. Foi-se o tempo em que o jornal recebia apenas aquelas demoradas missivas vindas de bravos e fiscalizadores aposentados do interior.

– Ok, também chegavam aos guntenberguianos repórteres de Política cartas manchadas de fezes. Protestos de assumidos leitores “de direita” contra o “petismo” dos jornalistas. Só rindo agora nessa interminável fase anal do esperneio.

– O leitor de internet não tem, na maioria das vezes, a menor noção da trajetória das viúvas de Gutenberg. E isso pode ser ótimo. Não há, no novo leitor, a solenidade em relação às assinaturas, às “grifes” jornalísticas, como sempre foi comum nos jornais impressos.

– O leitor que não lê também é uma realidade. O cara te esculacha nos comentários porque algum amigo ou membro da sua torcida organizada recomendou ou promoveu uma corrente contra algum outro post ou tua opinião sobre o time dele. Vale tudo.

– Seja em questões político-partidárias ou de clubes de futebol, por exemplo, a caixa de comentários ou as redes sociais parecem o metrô Barra Funda em dia de clássico no Pacaembu. A moçada se encontra lá para sair na porrada.

– É legítimo o direito do jornalista a se apegar em polêmicas, inclusive as mais óbvias, para tornar atrativo o seu blog ou a sua coluna. Ótimo. Desde que aguentemos o tranco.

– Na internet, o terceiro turno da eleição dura até o próximo pleito. Para muitos leitores, o mundo é um ovo e se divide entre “tucanalhas” x “petralhas”. Os internautas do gênero sempre acham que defendemos um desses lados.

– Tem leitor que ama te odiar, amigo blogueiro. Não vai ter jeito. É aquele que te chama para a briga nos comentários, até te pauta um assunto somente para cair de pau depois. É um tipo carente, aprendo muito com essa gente.

Pois bem, se discutir com a pessoa amada não é nada fácil, imagina essa interminável D.R.I. na festa estranha com gente esquisita que é o território livre da internet.

Agora é com vocês, meus amigos, meus inimigos, como dizia o Matinas Suzuki Jr. na sua gutenberguianíssima coluna.

Comentários

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1 Comentário

  1. "NATO" AZEVEDO disse:

    Caro XICO SÁ ! Em primeiro lugar, gostei mais da ilustração do que do seu artigo… explico, antes que você me delete: sua opinião está ótima, mas o desenho é melhor ainda! O fato real é que sem esses leitores — mal amados por vocês, jornalistas, sem nenhuma excessão — escrever seria um castigo. Não há nada pior que o elogio econômico, gelado como um pinguim morto, burocrático, enfim. O leitor (com aspas?) passional pode ser mais inspirador que o sujeito letrado, no mesmo nível de um Paulo Francis, por exemplo. Então, VIVA(-se com) A “INHORANÇA”! Só não venha me dizer que foi maldade mandar o ORA CIDADÃO COMUM ir se tratar no SUS, porque segundo o discurso de Madame DILMA ontem na TV são mais de 195 MiLHÕES a usar o mesmo SUS sem que ninguém lhes diga que isso é maldade. Alguns são mais iguais do que os outros! Abs, NATO AZEVEDO

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