Marina Silva: ‘Há alguns anos, os jovens lutavam por democracia, hoje os jovens estão lutando para ter um futuro’

Marina Silva participou do segundo dia do Fórum da Sustentabilidade Global. Foto: Edson Lopes Jr./Terra Marina Silva participou do segundo dia do Fórum da Sustentabilidade Global

Texto de Fábio Santos publicado originalmente no Terra

A ex-senadora Marina Silva foi aplaudida de pé em sua palestra no II Fórum Global de Sustentabilidade , no SWU. No encontro, que debateu os limites do desenvolvimento sustentável, a política falou sobre os principais desafios para a humanidade no terceiro milênio. Marina se disse uma entusiasta do SWU, um evento que une música e debate sobre sustentabilidade. “É muito bom poder falar com pessoas, sabendo que temos que fazer as coisas com as pessoas, e não para as pessoas” , disse a ex-senadora.

Em seu discurso, que prendeu a atenção dos presentes, Marina falou da existência de cinco crises que precisam ser sanadas na atualidade: crise social, econômica, política, ambiental e de valores. De acordo com a palestrante, o mundo precisa olhar para pessoas que vivem abaixo da linha de pobreza. “Na crise social que vivemos, vemos 2 bilhões de pessoas que vivem com menos de 2 dólares por dia. No Brasil, temos 16 milhões de pessoas que vivem com esta renda”, disse.

Mas, apesar de vivermos em um momento crítico da economia mundial, Marina Silva acredita que a crise ambiental seja ainda mais grave. “Na crise econômica, rapidamente são injetados bilhões de dólares para se tentar recuperar. Na crise ambiental, não tem esse mesmo tipo de urgência”, falou, alertando para a capacidade de regeneração do planeta que, segunda Marina, está comprometida em 30%. “Perdemos mil vezes mais biodiversidade do que há 50 anos”, completou.

Classificando o aquecimento ambiental como um “armagedon ambiental”, a ex-senadora criticou o projeto de anistia aos desmatadores do novo código florestal e se disse otimista com a nova onda de movimentos democráticos. “Vivemos uma crise política no mundo inteiro e as pessoas estão cansadas de serem expectadoras. Querem ser proativos. Veja o exemplo da primavera árabe”, disse Marina, citando os movimentos democráticos que tomaram conta de países como Egito e Líbia.

Marina, que foi uma das candidatas à presidência nas eleições de 2010, criticou alguns de seus adversários políticos, alegando que alguns deles poderiam falar de acordo com a platéia. “Quando eu era candidata, vocês que me acompanham sabem, eu dei a minha posição em temas polêmicos como legalização do abordo, descriminalização da maconha e liberação do casamento entre homossexuais. Muitos, que eu vi, seguravam o terço em um canto e defendiam legalização do aborto”, falou.

Marina encerrou a palestra falando das mobilizações que os jovens têm feito no Brasil contra a corrupção. “Há alguns anos, os jovens lutavam por democracia, hoje os jovens estão lutando para ter um futuro”, disse, acreditando que o Brasil só poderá mudar quando a sociedade brasileira der respaldo. “Do momento que a sociedade der estrutura política para acabar com a corrupção, ela acaba, assim como fizemos para acabar com a escravidão. A sociedade deu estrutura e ela acabou”, finalizou.

Foto: Edson Lopes Jr./Terra

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