O Deus im-potente

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Aqui está outra forma daquele “é bom que eu vá”. É como se dissesse: “por minha ressurreição e o envio do meu Espírito”, substituí o anúncio pela realidade. A partir de agora, nunca mais como antes acalmarei a tempestade. Mas o meu Espírito a acalmará quando vós, tecnicamente, tiverdes construído navios capazes de suportar as ondas. Nunca mais vos tornarei a alimentar a multidão no deserto, mas o farei quando o meu Espírito criador os tiver levado a melhorar os solos e a distribuir suas riquezas. E se nestas tarefas de amor sofreis, eu não posso evitá-lo porque já não estou “entre vós”, mas “em vós” como fonte desse amor, dessa criatividade, dessa pertinácia que vos leva a vos amardes mais solidária e eficazmente. Mais ainda, sou eu que em cada um de vós sofro por causa do mar tempestuoso, do solo árido, da miséria e da alienação. Exatamente como vós. Não vos embarquei numa aventura sem saber se o porto valerá a travessia. A única garantia, a grande garantia que posso dar-vos é o ter-me embarcado definitivamente convosco”.

                                                                                             [Juan Luis Segundo]

A ação de Deus é transcendente, no sentido de que só se torna visível e efetiva através da ação imanente. Dessa forma, Deus não faz coisa alguma ao nosso lado para nos completar, ou, em nosso lugar, suprimindo-nos, mas faz com que nós façamos, pois sustenta nosso ser e nosso agir. No plano imanente, a ação parte da criatura, possibilitada no plano transcendente pelo Criador. Assim, quanto mais “faz” Deus, mais “fazem”as criaturas, quanto mais as criaturas “fazem”, mais “faz”Deus. Onde a criatura falha, Deus também “falha”, porque desde que nos criou decidiu, livremente, nada fazer sem nosso acolhimento e nossa colaboração.

[Paulo Roberto Gomes, em O Deus im-potente: o sofrimento e o mal em confronto com a cruz. Edições Loyola]

via Blog do Ed René Kivitz

imagem: Wikipédia

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