Deletando o lixo digital

Helio de la Peña, no Blog De la Peña

Comentei com um amigo: passei a tarde de sábado jogando ping-pong lá em casa. O sujeito me perguntou:

-Ping-pong? Que maneiro? Quando você baixou esse aplicativo?

Não acreditou que se tratava do jogo de verdade.

– Daqueles antigos, com mesa, raquete, bola?

– E rede.

– Fala sério! Ninguém mais joga ping-pong de verdade. Nem quem usa PC!

Meu amigo é desses que não sai das redes sociais. Facebook, twitter, google mais…. tem até orkut, mas só conta pro porteiro do prédio. Empolgado, o cara vive repetindo que o mundo ficou menor agora que está totalmente conectado.

– Um comentário que eu poste numa rede social pode ser lido em qualquer lugar do mundo.

– E qual a vantagem disso?

– O quê? Cara, eu podia ficar horas te explicando, mas você acabou de me dar um ótimo assunto pro meu blog. Vou fazer um texto, aí, quando estiver pronto, te aviso por email pra você acessar o meu twitter, onde você acha o link pro meu face. Você clica, vai no meu blog e deixa um comentário.

– Pô, não precisa tanto, eu vou direto ao seu blog.

– Se tu fizer isso te dou uma porrada! Vai ficar negando pageview agora?!

Pior que nem tava pensando em acessar o blog do cara pra ler aquela merda.

– Você não acha fantástico qualquer pessoa poder espalhar pelo mundo o que ela pensa?

– Mesmo quando não tem nenhuma opinião?

– E daí? Qual o problema? Desde quando você precisa ter uma opinião pra dizer a sua opinião?

Admito que as redes sociais servem para aproximar as pessoas. Você reencontra amigos de infância que você nunca mais viu. E não viu porque não tava a fim, era um tremendo mala sem alça que, graças a Deus, trocou de colégio quando vocês tinham doze anos. Agora o sujeito tá de volta. Chato, como sempre, porém mais gordo, mais careca  e mais duro. “Será que você podia descolar um trocado pro velho amigo de infância?”

As redes sociais também ajudam na mobilização da sociedade. Agora ficou mais fácil protestar. Você não precisa sair do quarto. Basta clicar no botão “curtir” do Facebook pra derrubar uma ditadura, impedir a construção de Belo Monte, salvar um urso panda da extinção e ocupar Wall Street. (Sem esquecer de antes aplicar na bolsa, também é facílimo).

A quantidade de textos produzidos aumenta exponencialmente a cada dia. Nos vemos afogados em blogs, sites, chats, podcasts versando sobre os mais variados temas. Faça um balanço: da última centena de frases que leu no twitter, dos últimos cem links em que você clicou no google+, quantos efetivamente fizeram diferença? São as garrafas pet, as latinhas de cerveja largadas por todos os cantos da web. Pesquisas comprovam que estes não passam de 0,0001%. O restante é lixo não reciclável que circula na web.

Zilhões de terabytes de dados desnecessários ficam pesando na rede mundial sem serem deletados. Imagino como o planeta estaria mais limpo e as conexões mais rápidas se os computadores, ao serem ligados, mostrassem a mensagem: “Fale ao internauta somente o indispensável.” Seríamos poupados de ler textos inúteis, mensagens edificantes em power point,  ver fotos horríveis e fora de foco. Só assim poderíamos nos dedicar com tranquilidade ao que a internet oferece de proveitoso e imprescindível: os videos de sacanagem.

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