Jovens éticos deveriam abraçar carreira no setor financeiro, sugere acadêmico de Oxford

Sean Coughlan, no BBC Brasil

Um cientista político da renomada Universidade de Oxford saiu a público para defender que jovens idealistas entrem para carreiras no sistema financeiro.

Will Crouch, especialista em ética do Centro Uehiro para Ética Prática de Oxford, argumentou que os jovens teriam mais impacto na sociedade se, em vez entrar para ONGs, por exemplo, escolhessem uma carreira milionária e doassem parte de sua renda para causas sociais.

Seria “como Robin Hood, mas ganhando o dinheiro em vez roubar”, comparou.

Desde a crise econômica que começou com a quebra do banco Lehman Brothers, em setembro de 2008, banqueiros e profissionais do mercado financeiro têm sido alvo de críticas, acusados de egoísmo, ganância e falta de consciência moral.

A Bolsa de Valores de Londres, símbolo do mercado, continua sendo alvo de manifestantes do movimento Occupy London, acampados do lado de fora da Catedral de St. Paul, nas proximidades do pregão.

Entretanto, Crouch alega que os jovens que descartam carreiras no setor financeiro por desconfiança da integridade ética da profissão podem estar tomando a decisão errada.

“O benefício direto que um só trabalhador no setor filantrópico pode gerar é limitado, enquanto as doações filantrópicas de um banqueiro podem prover uma ajuda indireta dez vezes maior que a maioria das pessoas”, afirmou o professor.

Analisando a renda típica de um investidor profissional e o custo de tratar a tuberculose nos países desenvolvidos, Crouch estimou que um “ricaço com consciência ética” pode salvar 10 mil vidas com metade do seu salário.

Crouch, que diz doar 20% de sua renda como acadêmico para caridade – percentual que ele pretende elevar para 50% no futuro –, é o fundador da organização 80 Hours, voltada para a maximização de doações sociais.

O nome da organização vem da estimativa do professor de que a vida profissional de uma pessoa dura em média 80 mil horas.

Para o especialista em ética, as opções de carreira profissional precisam ser avaliadas para além do estereótipo relacionado a seus valores morais.

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