Padre Marcelo prepara inauguração de mega-templo para 100 mil fiéis

Rafael Barifouse, na Época SP

Padre Marcelo completa 17 anos de sacerdócio em 1º de dezembro. A data será festejada em Interlagos, na Zona Sul, durante a missa de inauguração do Santuário Theótokos (mãe de Deus, em grego). Projetado por Ruy Ohtake, o templo tem capacidade para 100 mil fiéis – mais que o dobro do Santuário do Terço Bizantino, sua paróquia desde 1997. A abertura irá coroar a fase mais produtiva da carreira do padre desde sua aparição, no fim dos anos 1990. Após superar uma crise vocacional que o levou a três anos de reclusão, padre Marcelo voltou à cena, em 2010, com o maior sucesso literário alcançado por um brasileiro nos últimos tempos. Há dois meses, lançou o CD mais vendido do ano. A renda obtida com os dois produtos bancou a maior parte dos R$ 31 milhões usados até agora no santuário. “Diziam que a obra era inviável em razão da grandiosidade”, diz. “Mas Deus me fez cantar e escrever. Ele não escolhe os capacitados, capacita os escolhidos. Deus me escolheu.”

Aos 44 anos, o padre mais famoso do Brasil diz que a ideia do novo templo surgiu em 1997, depois de um encontro com João Paulo II. Na ocasião, o papa pediu aos clérigos presentes que buscassem se reaproximar dos fiéis. Cinco anos depois, padre Marcelo começou a coletar doações e a buscar o terreno, comprado em 2006, por R$ 6 milhões. Ao encomendar o projeto a Ruy Ohtake, fez questão de que o altar pudesse ser visto de qualquer ponto da plateia (por isso a igreja não tem colunas) e que o complexo fosse acessível a deficientes (daí o chão sem desníveis). Em seguida, pediu a construção de uma cripta sob o altar e de uma lanchonete. Por fim, quis que coubesse o maior número de pessoas possível. Foi prontamente atendido em tudo.

Com 5 mil metros quadrados, a igreja comporta 30 mil pessoas sentadas, em bancos de madeira. O padre espera reunir outras 70 mil de pé, dentro e fora da nave. Ohtake, conservador, estima em 70 mil a lotação máxima – o que já representaria o dobro da capacidade da Basílica de Aparecida, ou a mesma audiência reunida no Estádio do Morumbi em dias de megashows. “Ele tem um carisma impressionante”, diz Ohtake. “Tornou a Igreja mais aberta, com menos foco na culpa. Quis refletir essa leveza no projeto.” O teto do santuário se eleva em forma de onda, até atingir 22 metros de altura. As cores branco e azul predominam. Uma ampla claraboia ilumina o altar, com espaço para 120 pessoas. O complexo ainda inclui um edifício administrativo com salas para ensino religioso e salão para casamentos, 500 banheiros, 800 vagas de estacionamento e uma capela para 250 peregrinos. Um cruzeiro de 42 metros abençoa o prédio.

Iniciadas em 2006, as obras quase pararam há três anos, por falta de recursos. “Foi quando Deus me permitiu quebrar a perna”, diz padre Marcelo. Ele sofreu uma queda na esteira ergométrica e teve de passar sete meses de molho. Aproveitou a quarentena para escrever um diário. O texto deu origem ao livro Ágape (Globo Livros) no ano passado. Nele, padre Marcelo usa o Evangelho de São João para narrar a vida de Jesus Cristo, entremeando orações e episódios vividos por personalidades como Ghandi e Mandela. Amor ao próximo, humildade e perdão são temas recorrentes no título de autoajuda, desde agosto de 2010 no topo da lista dos mais vendidos publicada por Época. Com 7 milhões de exemplares comercializados em 15 meses, superou por aqui best-sellers mundiais como Crepúsculo, de Stephenie Meyer, e A cabana, de William P. Young. Agora, padre Marcelo negocia traduções para inglês, francês, italiano e espanhol. “Uma comissão cuida de cada centavo”, afirma.

Ágape significa amor divino em grego e também serviu de título a seu nono CD. O álbum também foi um sucesso: 1,4 milhão de cópias vendidas desde o fim de setembro. O repertório mistura músicas de autores católicos e evangélicos. Em sua maioria, são baladas que em nada lembram a aeróbica do Senhor que o tornou famoso. Nas gravações, em julho, padre Marcelo chegava pontualmente e só dava início aos trabalhos depois de rezar com a equipe. “Ele estava receoso”, diz Guto Graça Melo, produtor do álbum. “Era como se alguém tivesse dito que ele não cantava bem. Depois, ganhou confiança.” Com quatro discos de platina amealhados em dois meses, o padre é o maior sucesso do mercado fonográfico desde janeiro de 2010, superando Paula Fernandes, Ivete Sangalo e Luan Santana.

Em obras desde 2006, o templo projetado por Ruy Ohtake tem visão integral do altar. Vai custar R$ 57 milhões.

Comentários

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1 Comentário

  1. Regina Farias disse:

    Então…
    Templo do Senhor, templo do Senhor, templo do Senhor… (Jr 7)E a quantas anda o nível literário do Brasil com essas três pérolas como mais vendidas: Lendo Ágape na Cabana ao Crepúsculo. Seria até cômico…

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