Profissão: homofóbico

Texto de André Pacheco publicado originalmente no Vestiário

É sempre assim. Basta mais um caso de violência com motivação homofóbica, ou qualquer notícia sobre a comunidade gay em portais de notícias, e vem uma enxurrada de comentários depreciativos. “A ideia é fazer parecer que toda a população brasileira odeia os homossexuais”, diz o paulistano Carlos*. Desempregado há três anos, há poucos meses recebeu uma oferta tentadora na igreja evangélica que frequenta em Itaquera, na Zona Leste de São Paulo.

Ele é apenas mais um entre alguns brasileiros que recebem para “opinar” em caixas de comentários de grandes sites e blogs, também em redes sociais e fóruns. A prática, conhecida como seeding, existe há um bom tempo na internet. Mas o caso dele vai além de ideologias políticas – como aconteceu na eleição de 2010 – ou para elogiar ou negativar um produto. A briga dele é religiosa. “Deus condena os gays, não vejo o que faço como errado, mas como uma missão para moralizar o país”, justifica-se.

Carlos não conversou diretamente com o Vestiário, quando o entrevistei, disse ser alguém interessado em contratar o seu “trabalho”. Afinal, ele não iria falar abertamente com um veículo sobre algo antiético, e que deixa às mostras a guerra declarada de algumas seitas cristãs aos gays, por mais que muitas delas tentem assumir uma imagem imaculada e não batalhar diretamente com nenhum grupo.

Basicamente, o homem – casado e pai de duas meninas – fica antenado nos principais portais e em alguns blogs de médio porte para destilar trechos bíblicos entre palavras de ódio e depreciativas aos homossexuais. O valor recebido por mês não foi revelado, tão pouco qual grupo evangélico ele representa. Mas o preço que me pediu para algo semelhante foi de 2,5 mil reais por mês. Ele também garante conhecer “mais cinco irmãos do mesmo templo que fazem a mesma coisa”, e até ensaiou me indicar alguns caso eu precisasse.

O caso de Carlos não é uma exceção, e infelizmente, parece estar se tornando uma regra – seja também para criticar adversários políticos ou empresas concorrentes. A internet, que prometia ser um ambiente livre e neutro, trouxe às caixas de comentários de grandes sites e blogs o seu pior lado. Por isso, quando ver algum comentário contra os direitos dos homossexuais, fique atento. Pode não ser apenas uma opinião, mas um modelo de negócios.

André Pacheco é jornalista por formação e webdesigner com mais de meia década de experiência. Ama Pop, mas também não consegue ficar sem Samba.

dica do Alexandre Melo Franco Bahia

a veiculação do texto congestionou ontem o tráfego do site e ele ficou fora do ar. quando voltou, o post ñ estava + lá. há poucos minutos, a nota abaixo foi divulgada no twitter. 

Nota de esclarecimento

Nota sobre “Profissão: Homofóbico”

Ontem, dia 29 de novembro, divulgamos uma matéria onde denunciávamos a prática de seeding anti-gay financiada por um grupo religioso. A repercursão (sic) foi grande, maior do que poderíamos imaginar.

O nosso foco editorial é cultura pop, e procuramos dar ênfase a textos opinativos e críticos, o que não o caso da matéria em questão. Por isso, achamos mais prudente retirar o texto do ar.

Pedimos desculpas,

Comentários

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6 Comentários

  1. Adriana Abreu disse:

    Olha, fica difícil até de comentar.
    Só sei que, hoje, nada desse meio gospel me surpreende mais.
    Que bom que Deus os ama mesmo assim, mesmo com absurdos do tipo.

  2. Beto Daniel disse:

    Odiar dá lucro! Ser homofóbico agora pode lhe render até R$ 2,5 mil por mês, pago com dinheiro de dízimo, isento de de impostos. O dinheiro da salvação do pós-morte de uns investido na condenação em vida de outros! Mas Deus é amor.
     

  3. Po$$ível… ma$ que$tionável. $ão raras as liderança$ que e$tariam intere$$adas em defender $ua$ po$ições ao ponto de colocarem $eu dimdim na briga… ainda mai$ de uma forma que não lhe$ renderia nenhum crédito, $eja com o$ fiéi$ ou $eja com a$ conta$ bancária$. 

    Minha experiência me leva a crer que o fiel imaturo pode ter um comportamento homofóbico como consequência de sua torpe convicção religiosa, mas as lideranças normalmente são homofóbicas por interesse político… elas tornam o preconceito de uns a favor de suas cruzadas, cruzadas com pretexto moralista mas que na verdade nada mais são do que trampolins para o poder.

    De nada serve saber citar versículos bíblicos se estes não forem compreendidos dentro do sentido pleno da Palavra. O “Povo do Livro” tem que aprender a ler e a pensar se quiser deixar de ser massa de manobra, se quiser aprender a dialogar e se quiser aprender a amar ao próximo… 😉

  4. Cilly disse:

    Me desculpem por destoar da “manada”, mas prá um site que diz que: ” A nossa preocupação é que o Vestiário seja um ambiente amigável…” a tal notícia ( depois retirada do ar) me cheira estranhamente “fake”. Eu DUVIDO que uma pessoa que tenha tido um encontro verdadeiro com Cristo se preste a um “desserviço” desses para o Reino de Deus. Fora disso, não pode ser chamado de cristão, evangélico, crente …  Não me admira que coloquem na boca de “evangélicos” de mentirinha esses assuntos só prá criar polêmica… a “quem” será que interessa isso hein?? êita Brasilzão!!! Quanto tempo jogado fora, quanto espaço impirtante nas mídias desperdiçado… 

    • Oswaldo Braga disse:

      Cilly, você deve ser mais um daqueles que recebem os R$2,5mil. Não tente mais uma vez inverter os valores. Não seja somente mais uma cabeça de gado a ser pastoreada…

  5. Limitude disse:

    E o autor de Levítico não leva nenhuma comissão?

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