Redes Sociais ou rede das futricas?

Henrique França, no Jornal A União [via blog CotidianaMente]

Rede social é como sala de estar: você reúne amigos para conversar os mais diversos assuntos, rir, confessar momentos, compartilhar alegrias e tristezas. Tem de tudo nas timelines e históricos dos famosos aglomerados de perfis no chamado mundo virtual: de frases do tipo “odeio você – e você sabe quem é” ao nada discretos palavrões e xingamentos, totalmente fora de contexto. Evidentemente, o internauta que escreve as injúrias e promessas de vingança ou amor eterno sabe muito bem o remetente. Mas, se a idéia é falar a alguém específico, por que invadir o espaço coletivo para dizer algo tão particular?

Essa é uma confusão, aliás, evidente nas tais redes. As pessoas perderam a noção do limite entre o que é público e o que deve ser mantido em âmbito privado, quando o assunto é teclar compulsivamente – e não raro vergonhosamente – na web. Pior: em muitos casos, infelizmente, há contexto. A agressão é direcionada, apontada e aberta. E aí perde-se ainda mais o controle da situação. De celebridades a anônimas beldades, muita gente já caiu na armadilha da tal “liberdade de expressão” para esculhambar colegas de profissão, chefes, subalternos, familiares, gente conhecida e alguns estão, neste exato momento, pensando em como preparar suas defesas diante de julgamentos por calúnia e difamação, ameaças e afins.

A questão nessa sala de estar cibernética é que, mesmo ali, é preciso fazer ressalvas. Até quando se reúne um grupo grande de amigos em casa, inevitável aquela conversa ao pé do ouvido com um ou outro, aquele olhar atravessado e silente, direcionado, sem alardes, aquela anedota sobre quem não está ali. Porém, no caso das redes sociais, a futrica sobre quem não está “presente” ganha o mundo. E a fofoqueira que leva a mensagem denegridora é a própria Rede. Pior: o rastro da idiotice humana registrado na web, abertamente, ganha status de documento, de prova e de dor de cabeça para quem não controla os dedos na hora de digitar qualquer asneira.

Mesmo com esse risco, muitos estão trocando a “sala de estar” pelo “banheiro”, na hora de usar seu poder de comunicar via web. Tem gente confundindo rede social com rede de esgotos. Usa mal a ferramenta, usa mal as palavras, usa mal o próprio mal que deseja espalhar em uma fofoquinha com amigos ou um desabafo com centenas ou milhares de pessoas que estão pouco ligando para suas frustrações, desafetos e xingamentos. O difamado, porém, exposto em via-cibernética-pública, pode relocar o conteúdo do “banheiro virtual” para a sala de um tribunal bem real. E com todo Direito.

Portanto, na hora de vomitar injúrias, não o faça diante de todos os seus seguidores ou amigos da rede – a vergonha e o prejuízo podem ser seus, ao expor-se em comentários e frases sujas e difíceis de explicar. O que fazer para extravasar sentimentos tão ruins? Se um bom analista ou um mergulho no mar não funcionar, vale a tentativa de tornar-se um internauta minimamente alfabetizado: utilize as ferramentas adequadas – mensagens diretas, e-mails, SMS ou, para ser mais retrógrado, o telefone ainda funciona… e pode nos livrar de alguns vexames publicizados na Internet. “Curtiu”?

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