Fabricante do Johnnie Walker rejeita primo pobre

Dubes Sônego, no iG

A inglesa Diageo, gigante do setor de bebidas e fabricante do uísque Johnnie Walker, quer tirar do mercado um primo pobre inconveniente, nascido em Minas Gerais: a cachaça João Andante. Criada por quatro amigos no último ano do ensino médio, em 2003, a pinga mineira vende cerca de 200 garrafas por mês no boca a boca e pela internet. Ainda assim, a Diageo entende que a marca – tradução meio manca de Johnnie Walker –, é plágio de uma de suas principais bebidas.

A gigante inglesa solicitou ao Instituto Nacional de Propriedade Intelectual (INPI) que anule o registro concedido em fevereiro deste ano à João Andante, sua nova “rival”. A disputa com a multinacional tem tudo para ser mais um capítulo quixotesco na história dessa pinga mineira. Idealizada por inspiração de aulas de empreendedorismo, até hoje o negócio é um hobby para os donos, que usam o produto como cartão de visita profissional e social. Como para barganhar uma hora na agenda de um publicitário ocupado de São Paulo ou pedir o abono de uma falta na faculdade.

Nos primórdios da João Andante, o grupo que hoje está na casa dos 25 anos de idade, era tão amador que chegou a pensar em buscar a primeira encomenda, de três mil embalagens, com uma Blazer. Choveu e desistiram. Contrataram um caminhão para trazer tudo. Foi sorte. Quando a carga chegou, descobriram que eram 60 fardos. “Na Blazer caberiam só dois. Tivemos que alugar um galpão para armazenar”, diz Gabriel Silva, sócio responsável pela ideia da marca.

Não à toa, quando recebeu o primeiro comunicado da Diageo, em fevereiro, o empresário e seus sócios ficaram paralisados. Não sabiam nem quem era aquela companhia, que mandava retirar a marca do mercado em cinco dias, tudo escrito em juridiquês. “Mas não dava nem para ficar com raiva. O texto dizia que fabricavam Johnnie Walker, Guinnes, Smirnoff e mais um monte de coisas”, lembra Silva. “Se fossemos ficar bravos com a companhia, íamos ter que parar de beber.”

Passado o susto, chegaram à conclusão de que não haviam feito nada de errado. Encontraram um escritório especializado em propriedade intelectual, que aceitou o caso. “Nos disseram que, de cerca de seis mil contestações do tipo feitas por ano, o INPI acata pouco mais de duzentas”, afirma. Os planos agora são seguir em frente

Jeca Tatu, Don Quixote e Picasso

Em sua defesa, os fabricantes da João Andante dizem que, apesar do nome e do logo, um andarilho maltrapilho, toda a conceituação da marca da cachaça teve inspiração diferente. Na definição de Silva, João Andante é uma mistura de Jeca Tatu, Don Quixote e Picasso. Tudo misturado em bate-papos informais e reuniões do grupo com uma empresa júnior da Universidade Federal de Minas Gerais, em meados da década passada.

Na comparação dos logos, dizem os empresários, enquanto Jonnie Walker veste fraque, cartola e carrega uma bengala, João Andante usa chapéu, bota sete léguas e leva sobre o ombro um galho com uma trouxa de roupas amarrada na ponta. Na postura, Johnnie é altivo. João anda curvado, de capim na boca.

Para eles, os dois personagens tampouco frequentam os mesmos ambientes. Johnnie Walker é encontrado em supermercados, lojas de bebidas e free shops ao redor do mundo. João Andante só se compra pela internet ou pessoalmente. Para terminar, ao invés do lustre de milhões em investimentos em marketing, os mineiros investem é na divulgação da pinga em mídias sociais, como Twitter, Facebook, e no site na internet. No máximo uma feira de cachaças.

Comentários

Este QR-Code permite acessar o artigo pelo celular. QR Code for Fabricante do Johnnie Walker rejeita primo pobre

4 Comentários

  1. Muito legal a matéria. Os caras ganharam comercial “de graça” da Johnnie Walker. Deu vontade de experimentar a iguaria, olha que eu não bebo cachaça.

  2. Vanessa disse:

    Outra coisa, Jonnie Walker está indo… o João Andrade, voltando! Vanessa C

  3. Eliene disse:

    Nem bebo, mas essa matéria deu uma vontade!

  4. Eliene disse:

    Nem bebo, mas essa matéria deu uma vontade!

Deixe o seu comentário