“Amai-vos uns aos outros, pelo amor de Deus!”, pede Fernanda Lima

Padre Alessandro Correa Campos, Rabino Sergio Margulies e Reverendo Marcos Amaral

Renato Kramer, no F5

Foi com esta intensa frase de amor e de efeito que a apresentadora Fernanda Lima encerrou o seu “Amor & Sexo” (Rede Globo) de ontem. E teve tudo a ver com o conteúdo do programa.

O convidado da noite foi o ator e cantor Daniel Boaventura, que foi submetido à “Roleta das Paixões”. Para julgá-lo: “um júri antológico, apoteótico e ecumênico”, segundo a apresentadora -o padre Alessandro Campos, o rabino Sergio Margulies e o reverendo Marcos Amaral.

Toda trabalhada no verde, com enormes brincos dourados com pedras verdes e peroladas, a modelo estava, como sempre, deslumbrante. Parecia particularmente eufórica com a pauta da noite, especialmente pelo cunho ‘espiritual’ dos seus jurados.

E rodou a roleta. Boaventura teria que responder sobre o que faria num primeiro encontro que desembocasse em sexo: se usaria preservativo ou não. Ele foi categórico dizendo que usaria para preservar a parceira e ele próprio. Os jurados precisavam dar o seu parecer em relação a sua atitude.

O padre disse que o aconselharia a conhecer melhor a menina antes de qualquer coisa e, se no desenrolar desse envolvimento nascesse o amor entre os dois, aí então deveriam assumir o compromisso, casando-se, e então sim, partir para a relação sexual. O rabino, de uma certa forma, apenas confirmou a opinião do padre, acrescentando que se o casal assim agisse, ao chegar ao sexo propriamente, já se conheceria tão bem que nem precisaria utilizar o preservativo. “Amor e sexo”, lembrou o rabino, “não amor ou sexo”.

O reverendo acabou por enfatizar o compromisso entre um casal e até fez uso de palavras da Bíblia: “Eu sou do meu amado e o meu amado é meu” (Cântico dos Cânticos). O rabino lembrou a ele e a todos que, por coincidência, essas são as palavras que uma noiva diz para o seu noivo no final de um a cerimônia de casamento judeu.

“Mas isso é o ideal”, também lembrou o rabino. No final, os três foram unânimes em tentar tornar um tanto mais real o discurso que estava mais para o etéreo. Na verdade, para eles o ideal é não ter relação sexual antes do casamento, mas já que vai ter que use o preservativo. “Até porque hoje em dia a tentação é forte e a oferta é grande!”, comentou Daniel.

Na segunda rodada a questão ficou mais apimentada. Daniel Boaventura seria um travesti atuante, que sobreviveria como artista e teria um caso firme com um rapaz. Mas viveria um conflito: gostaria de vivenciar a sua religiosidade e não sabia onde. “Eu entraria num acordo com o meu ‘bofe’ e procuraria uma paróquia que me aceitasse do jeito que eu sou”, respondeu o ator.

“Se fosse na minha igreja (presbiteriana), você e seu bofe seriam muito bem recebidos!”, afirmou com presteza o reverendo Marcos Amaral. “Os cristãos acolhemos a todos”, completou. “Toda a congregação deve aceitar e receber bem todo o cidadão. São seres humanos que merecem e precisam do nosso acolhimento”, afirmou o rabino Sergio Margulies.

“Se você se transformasse em travesti seria muito bem acolhido em minha paróquia”, disse por sua vez o padre Alessandro Campos. E argumentou a sua posição com palavras atribuídas a Jesus: “As prostitutas te precederão no reino dos céus”. Independentemente da tal ‘aceitação’, os três foram unânimes também em afirmar que as respectivas congregações tentariam colocar a pessoa de acordo com as suas normas e valores.

Os religiosos só discordaram realmente no terceiro tópico: traição. O rabino disse que, se traiu, deve contar para a pessoa e pedir perdão para a mesma. O reverendo já acha que, se traiu e se arrependeu verdadeiramente, não deve confessar. “Não iria acrescentar nada à relação”. O padre foi mais enfático: “a traição é uma das piores coisas que existem. Quem ama não trai. Se traiu é porque não ama mais”.

Sei lá. Às vezes dá a sensação de que algumas posturas religiosas são totalmente fora da realidade que vivemos. Outras trazem um certo alívio e um encaixe confortável para o que acreditamos poderia ser o ‘sentido da vida’. Queria acreditar piamente na possibilidade de uma abertura espiritual, uma maior aproximação da religião com o Homem que somos realmente – não o idealizado pelas instituições. Mas confesso que ando um tanto descrente.

foto: TV Globo/Raphael Dias

Comentários

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1 Comentário

  1. O fato de algo não parecer condizente com a realidade não é  quer dizer que não deva ser. É como dizer que porque sempre haverá ciúmes não se deva amar, ou porque sempre haverá roubos não se deva ter polícia. A verdade está fora do homem, o que para o jornalista que escreveu parece que é a velha nova idéia: se eu nào me incomoda, é bom.

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