Feliz 2012!

Sérgio Pavarini

“Todos os dias quando acordo não tenho mais o tempo que passou
Mas tenho muito tempo, temos todo o tempo do mundo”

Renato Russo

Quase todas as manhãs reservo alguns minutos para escolher aleatoriamente um livro na biblioteca. Ao folhear as páginas, releio frases que me marcaram durante a leitura e escolho uma delas para compartilhar nas redes sociais. Mesmo sob o risco de emaciar o brilho da inspiração dos escritores, acrescento um pequeno comentário. Voilà! Estou pronto para enfrentar os desafios cotidianos.

O hábito parece um tanto prosaico e as pequenas mensagens podem ser desavisadamente incluídas na vala de auto-ajuda, expressão que, em geral, significa subliteratura ou placebo filosófico. Recentemente, estava saindo de um teatro quando uma moça me abordou e disse: “Sou uma das suas milhares de seguidoras e você provavelmente não me conhece. Gostaria de lhe agradecer pelas mensagens matinais”. Nunca vou me esquecer do abraço carinhoso que recebi.

Em 2012, os leitores brasileiros vão contar com o privilégio de desfrutar diariamente da companhia de Philip Yancey. Com uma apresentação luxuosa, Sinais da graça reúne 366 trechos de 22 livros e 45 artigos do premiado escritor, alguns deles inéditos. Que prazer maravilhoso reler excertos de obras que tive o prazer de “batizar” em português e que tanto alimentaram minha alma e meu intelecto.

O lançamento desse devocional de primeira grandeza chega em um momento preocupante vivenciado pelo rebanho. Dados da Pesquisa de Orçamento Familiar (POF), do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), revelaram recentemente que o número de evangélicos sem vínculos com igrejas saltou, em seis anos, de 0,7% para 2,9%. Em números absolutos, são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição. Esse grupo de evangélicos sem igreja forma hoje a segunda maior comunidade do segmento protestante.

Sete anos nos separam do lançamento de Alma sobrevivente aqui no Brasil. O subtítulo “Sou cristão, apesar da igreja” ilustra o discernimento profético de Yancey, uma das primeiras (e solitárias) vozes a se preocupar com o imenso contingente de pessoas feridas pela instituição e/ou decepcionadas com Deus, aludindo a outra de suas obras essenciais publicadas pela Mundo Cristão.

Em contraponto ao triunfalismo estéril (e às vezes histérico) preponderante em certos setores da igreja brasileira, o escritor sintetiza com franqueza desconcertante sua trajetória espiritual ao longo das últimas três décadas: “Duvidei, cri, duvidei de novo, mudei, cresci”. Alento imprescindível para acompanhar as almas sobreviventes em um ano que há de contrariar as expectativas sinistras do filme homônimo e se transformar em “dias melhores pra sempre”. Feliz Ano Novo!

fonte: edição de dezembro da revista Seu Mundo

Comentários

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2 Comentários

  1. Yancey é incrível! Não me canso de ler e reler suas obras.Tanto amor e tolerância à ser transmitida.. é lição pra toda a vida! 

  2. Wellington Albertini disse:

    Fera. Bora “sortear” ele pra mim no twitter. ^^
    hahaha

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