A música gospel chega à Globo

Diante do Trono no Festival Promessas (Foto: Alexandre Durão/G1)

Aline Nunes, no Jornal da Tarde

Nos anos 2000, o exército do senhor esbarrava na timidez da TV. No show de calouros de seu então programa na TV Record, Raul Gil encaixava os talentos gospel que batiam à sua porta. De tanto testá-los, não demorou muito para revelar, pelo menos, um fenômeno como Robinson Monteiro, que ficou conhecido como Anjo.

Logo no primeiro disco, Anjo, ele vendeu 1 milhão de cópias e a música Pra Sempre Vou Te Amar virou hit. Gradativamente, as canções de louvor tiraram do anonimato outras vozes, como as de Aline Barros e Regis Danese, e, enfim, invadiram outras emissoras brasileiras.

O SBT lançou um concurso gospel no Eliana e foi atrás de talentos mirins para o Programa Raul Gil. A RedeTV! até criou um reality show do gênero, o Desafio da Música Gospel (2010). Nessa esteira, a Globo não quis ficar de fora e, após levar músicos desse segmento aos programas de Xuxa e Faustão, exibirá amanhã o Festival Promessas, às 13h.

Um show gospel, com tratamento de primeira linha. Com direito a 70 minutos no ar, participação de nove artistas e apresentação de Serginho Groisman. E no que depender da direção do canal, o namoro com o gênero ficará mais fortalecido.

“Esperamos que esse seja apenas o primeiro de muitos festivais e iniciativas do gênero”, diz Luiz Gleiser, diretor de núcleo da Globo, responsável pelo evento. Seria uma afronta à concorrente Record, que tem até uma gravadora gospel, a Line Records? Gleiser diz que não.

“A Globo constrói sua programação de acordo com o que percebe serem os melhores conteúdos, jamais a partir do que é veiculado nas demais TVs”, diz Gleiser.

Os números do mercado, de fato, justificam o interesse. Segundo Maurício Soares, diretor do selo gospel da Sony Music, o mercado gospel movimenta anualmente R$ 2 milhões. Só na gravadora, por exemplo, o setor representa 10% do faturamento anual do grupo.

Entre os dez produtos mais vendidos, que inclui Padre Marcelo Rossi e Adele, dois são gospel. Um deles é a paranaense evangélica Damares, que com o álbum Diamante (o sexto de sua carreira de 13 anos), já vendeu 350 mil cópias. “Esse mercado tem muita procura”, diz Soares.

Não por acaso, 100 mil pessoas se reuniram no último dia 10, no Aterro do Flamengo, no Rio de Janeiro, para a gravação do Festival Promessas. Foi uma verdadeira maratona evangélica, com oito horas de música.

Entre os artistas, estavam Fernanda Brum, Regis Danese (do hit Faz Um Milagre em Mim, com mais de um milhão de visualizações no YouTube), Damares e o grupo Diante do Trono, da vocalista Ana Paula Valadão, que já foi criticada por um bispo braço direito de Edir Macedo. O dono da Record, por sua vez, disse, recentemente, que “cantores gospel são endemoniados”.

Debates à parte, a Globo quer aproveitar esse filão. Afinal, segundo o novo mapa das religiões, publicado neste ano pela FGV, traçado com base na última pesquisa de orçamentos familiares do IBGE, de 2009, o número de evangélicos representa hoje 20,2% da população, contra 17,9% de 2003 e os atuais 68,4% católicos.

Os cantores, claro, comemoram a visibilidade na Globo. “Senti uma emoção muito grande de saber que Deus estava abrindo as portas na maior emissora do País”, diz Regis Danese. “Essa aparição na Globo é o princípio de uma mudança muito brusca em relação a esse mercado”, diz Luciano Souza, o Pregador Luo, que no dia 31 mostrará seu rap gospel no Caldeirão do Huck.

Foto: Alexandre Durão/G1)

Comentários

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1 Comentário

  1. Carlosknesse disse:

    O texto é de péssima qualidade, está muito confuso e a pessoa ñ soube explorar o tema com inteligência…

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