Reformados ou Deformados?

Robinson Cavalcanti

1.    A Importância de Parar. Não somente o valor do repouso, mas o ativismo como fuga. Quem para, pensa. A dor do pensar. Como cristãos queremos conhecer a vontade de Deus, e ela vem pela “renovação do entendimento”. O culto que Deus quer não é um culto emocional, mas um culto racional. A razão como dom de Deus à humanidade vs. o antiintelectualismo. “Aquietai-vos e sabei que eu sou Deus”. Crer é também pensar. Vamos parar, acalmar e pensar nesses dias?

2.    Afirmamos uma Espiritualidade Integral:

a)  Adoração vs. o unilateralismo do misticismo;

b)  Reflexão vs. o risco do academicismo;

c)  Ação vs. o risco do ativismo.

3.    O primeiro pensar se volta para dentro: Quem eu sou? De onde vim? Para onde vou? Qual o propósito da vida? A Lei como Espelho da Alma. Individualidade, Personalidade, Identidade. Os talentos naturais, os dons espirituais, a vocação, a vida missionária, com propósitos.

4.    O segundo pensar se volta para o derredor, para o contexto, a conjuntura, a cultura, a estrutura, o estilo de vida, os valores, as marcas da vida social, econômica e política. Em que contexto: mundial, nacional, regional, estadual e municipal eu vivo. A manipulação da mídia, as percepções errôneas e equivocadas dos grupos sociais. Como cristão: preciso Conhecer-preciso Discernir-preciso Interceder. Mas, também, preciso intervir. Qual o meu papel como “sal” e “luz”, embaixador do Reino? Como diferentes, fazemos diferença? De que modo as informações científicas e filosóficas me ajudam a compreender a realidade? O que seria uma mente iluminada? Como o exercício responsável da cidadania é uma forma de santidade. Santidade passiva vs. Santidade ativa.

5.    Os riscos do presentismo: uma geração sem umbigo. Sem passado não há presente e não há futuro. Sem história não há identidade. A diferença entre a anamnese dos judeus e a amnésia de cristãos. A Igreja é uma construção de dois mil anos, desde o Pentecostes, no Oriente e no Ocidente, e a Igreja Reformada é uma construção de quinhentos anos. O Pentecostes nunca foi revogado e o Espírito Santo nunca se afastou. A heresia da “apostasia universal da Igreja”. Os Reformadores do Século XVI nunca pretenderam negar o positivo do passado e criar uma nova Igreja, mas, sim, reformar desvios, equívocos e superstições. Ser um Protestante, ser um Reformado, é conhecer, valorizar e afirmar o que Deus fez na Igreja e pela Igreja antes da Reforma. O cristão maduro procura ser edificado pela História Geral da Igreja e pela História da Igreja no Brasil, começando pelo livro dos Atos dos Apóstolos.

6.    Nossa era é marcada pelo individualismo, pelo egoísmo e egocentrismo (antropocentrismo), pelo consumismo: hedonismo como filosofia, sem utopias, sem projetos coletivos, sem solidariedade social. Secularismo. Multiculturalismo. Agenda da Morte. Indiferença religiosa, misticismo não-comprometido, religião de resultados. Das falsas “certezas” racionalistas da Modernidade, para a falta de certezas da pós-modernidade (subjetivismo, relativismo). Deus só conta como meu auxiliar, o mesmo se diga do próximo. Deus e o outro ao meu serviço. Um mundo de “donos”, em todos os níveis. O pecador e o cristão carnal não querem mudar o mundo, mas, sim, se tornar sócio dos dominadores do mundo. “Não vos conformeis”, não vos amoldeis. Antes “transformai-vos” e transformai.

7.    Criação e Queda. Houve uma Forma. Ela foi Deformada, precisa ser Reformada e Transformada: vidas individuais, estruturas e a própria Igreja. Cristãos: agentes de transformação histórica. A Igreja Reformada sempre se transformando. Os cristãos reformados sempre se transformando e sempre transformando. Chamados a crescer. Chamados à maturidade.

8.    Ter consciência do pecado da alienação, da indiferença, da acomodação. Buscar o arrependimento desses pecados, pela iluminação e pelo poder do Espírito Santo. Tomar uma decisão de mudar e crescer. Não ter medo de ser diferente e não ter medo de pagar o preço da diferença: martírio. Deformados ou Reformados?

9.    Mais do que meros “membros da Igreja”, esquentadores de bancos, por tradição, em irrelevância.

10.  O que foi a Reforma Protestante e o que é a Reforma Protestante para os nossos dias?

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