Natal: Encarnação em cada tempo

Robinson Cavalcanti

“Naqueles dias saiu um decreto da parte de César
Augusto para que o mundo inteiro fosse recenseado.
Esse primeiro recenseamento foi feito quando
Quirino era governador da Síria”
(Lc 2:1-2).

A narrativa de Lucas nos chama a atenção para o contexto, para a conjuntura, para a História, para o tempo do nascimento de Jesus. Havia um Império, o Romano, com domínio sobre ampla área do mundo. Um Império implica a existência de um Imperador com plenos poderes, um grande exército, força de ocupação, opressão sobre uma empobrecida província periférica, governada por uma monarquia ilegítima e subserviente, e um Sinédrio igualmente ilegítimo e corrupto. César Augusto, Quirino.

Jesus não foi um ser mitológico, atemporal, pairando sobre o mundo, mas o esvaziamento da divindade que se faz humanidade sob circunstâncias adversas, a espera de Boas Novas. Houve o transcendente, com a estrela-guia e o coro das hostes angélicas, mas o tempo tinha manjedoura, magos do oriente. Um povo, com uma cultura e um contexto de opressão, discriminações, preconceitos, injustiças, corrupção, violência.

Cada ano – nesses vinte séculos – o Natal é festejado pelos cristãos de vários continentes e países, vivendo um tempo concreto, com os seus desafios, a espera de uma encarnação que seja boas novas para os corações em busca de paz e de um sentido para a vida, e que seja, também, boas novas para as más realidades conjunturais, com suas adversidades e desafios, no campo político, econômico e social.

Como está o mundo, o país, a região, a cidade, o bairro, em 2011? Em que contexto a encarnação “renasce” hoje e aqui? Que respostas e propostas a Igreja celebrante do aniversário, mais do que a justa festa e a dramática verdade encenada na manjedoura, é portadora de boas novas para o nosso tempo?

De nós – os da festa da fé –, depende a festa de Salvação, de libertação, de cura, de transformação para os que em trevas “viram uma grande luz”.

Glória a Deus nas maiores alturas! Sempre. Aleluia! Mas… Paz na terra entre os homens a quem Ele quer bem!

Que o Natal seja encarnação em nosso tempo!

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