Folha promove eleição das melhores capas de CD nacionais

Marcus Preto, na Folha Online

A morte do CD como formato para armazenar, comercializar e ouvir música já vem sendo anunciada desde a invenção do Napster, o primeiro programa de troca de arquivos pela internet a se popularizar no mundo em 2000.

Hoje, mais de uma década depois, o formato ainda resiste. Mas já soa supérfluo às novas gerações de consumidores de música. Nem é preciso fazer o mapa astral do CD para saber que 2012 não lhe reserva grande sorte.

Baseando-se nas clássicas votações das melhores capas de LPs de todos os tempos, a Folha presta uma homenagem à curta história desse seu sucessor e promove uma eleição das 25 capas de CDs nacionais mais representativas dos 25 anos em que o formato reinou no mundo.

CONCISÃO

“Uma vagina é a ideia mais óbvia, já que o tema do disco é sexo. Mas o Erasmo [Carlos] nunca fala de sexo-sexo, fala de sexo-com-amor. Por isso o coração, também uma escolha óbvia. As impressões digitais representam duas identidades que se encontram.”

Essa é a descrição da embalagem do CD “Sexo” -primeira colocada na eleição das melhores capas nacionais de todos os tempos- por seu criador, Ricardo Leite.

Veterano no “métier” (estreou em 1983, com a banda Paralamas do Sucesso), Leite afirma que, atualmente, “os artistas têm de pensar nas capas como se elas fossem um ícone de aplicativo de celular”. Concisão é a regra.

Autor de capas clássicas de LPs de Paulinho da Viola, Clara Nunes e Chico Buarque, entre outros, Elifas Andreato diz que o ofício de um capista tem algo de “alcoviteiro”.

“A capa é a primeira coisa que a pessoa vê”, diz. “O que fazemos é atrair o público para a grande obra musical que está ali para ser descoberta.”

Andreato afirma que perdeu o interesse pelas capas quando o CD dominou o mercado, no início dos 1990. Passou a ser necessário trabalhar em um quarto do espaço.

Houve um período de adaptação entre a “morte” do LP e o fixação do CD, em que as capas deste eram simples reduções das daquele.

Segundo as contas de Gê Alves Pinto, autor da capa de “João, Voz e Violão”, 4º lugar no nosso ranking, foi a partir de 1994 que as capas de CD começam a ser vistas como “uma nova embalagem”.

“Ali, artistas como Gringo Cardia e Luiz Stein conseguiram espalhar pelo folheto do CD um projeto gráfico cuja sofisticação busca compensar a perda de espaço do LP”, diz.

Cardia, que desenhou capas de artistas como Rita Lee, Marina Lima e Skank, diz que a morte do CD não acaba com o papel da imagem que resume o conceito do som.

“A música sempre vai ter visualidade. Se não tiver mais capa, terá uma pagina na web ou qualquer outra coisa. O público precisa associar uma imagem ao artista”, diz

Para Giovanni Bianco, autor da capa do novo CD de Marisa Monte e de “Hard Candy” (2008), de Madonna, “o mais dramático é perceber que, agora, a capa precisa funcionar em 5 cm, como a vemos no pequeno display do nosso iPod”.

QUEM VOTOU

Ana de Oliveira, organizadora do livro “Tropicália ou Panis et Circencis” (Queen Books) e do site tropicalia.com.br

Charles Gavin, músico e organizador do livro “300 Discos Importantes da Música Brasileira” (ed. Cabeça Dinossauro)

João Wainer, fotógrafo, cinegrafista e editor de imagem da Folha

Lenora de Barros, artista plástica

Marcus Preto, repórter de música da “Ilustrada”

Pablo Miyazawa, editor da revista “Rolling Stone”

Rodrigo Faour, pesquisador e autor dos livros “História Sexual da MPB” e “Bastidores – Cauby Peixoto 50 Anos da Voz e do Mito” (Record), entre outros

Silas Martí, repórter de artes plásticas da “Ilustrada”

Tárik de Sousa, jornalista e autor dos livros “Tem Mais Samba” (ed. 34) e “Tons sobre Tom” (Revan), entre outros

Comentários

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1 Comentário

  1. Herico_prado disse:

    Quem fez esta lista? Isso é sério? O disco “Cê” de Caetano veloso é tão interessante visualmente quanto um cálculo renal.

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