Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia?

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Leonardo Sakamoto, no Blog do Sakamoto

Em uma declaração feita para diplomatas, o papa Bento 16 condenou a união de pessoas do mesmo sexo, afirmando que ela põe a humanidade em risco. Disse que a educação das crianças precisa de ambientes adequados e que o lugar de honra cabe à família, baseada no casamento de um homem com uma mulher. Também afirmou que “essa não é uma simples convenção social e sim a célula fundamental de cada sociedade”. E deu um recado aos governantes liberais: “políticas que afetam a família ameaçam a dignidade humana e o próprio futuro da humanidade”.

Líderes religiosos têm o direito de expressarem as posições de sua crença para os seus fiéis. Mesmo que ele tivesse feito algo totalmente nonsense – como condenar uma pessoa de seu rebanho por dar fim à própria vida devido a um estágio terminal e insuportavelmente doloroso de uma doença (coisa que um humanista nunca faria…) – ele teria o direito a isso. Pois foi eleito para guiar espiritualmente um grupo, independentemente do que esse grupo acredite.

Agora, o problema é quando um líder atua para que outras pessoas, que não o elegeram nem para síndico de prédio, deixem de viver, morrer ou amar como bem quiserem. Não vou ser ingênuo de ignorar que esse tem sido o roteiro da raça humana, uma sequência de imposições de vontades e de crenças, do mais forte ao mais fraco, ao longo da história. Cristãos já foram mortos pelo que acreditavam. Depois, passaram a matar em nome de sua fé.

Qual a diferença entre Bento 16 e Silas Malafaia? Com todo o respeito e sem medo de ser linchado, eu diria que, nesses casos, nenhuma. O polêmico líder da Igreja Vitória em Cristo é conhecido por declarações contundentes na defesa de uma visão conservadora e seus discursos, não raras vezes, confundem liberdade religiosa e de expressão com uma guerra contra a diversidade. Somos mais coniventes com o ex-cardeal Ratzinger por conta do tamanho da Igreja Católica e sua influência na formação da nossa sociedade ocidental, mas o conteúdo contra direitos dos homossexuais está presente nas falas de ambos.

De tempos em tempos, homossexuais são vítimas de preconceito nas ruas só porque ousaram andar de mãos dadas. Enquanto isso, seguidores de uma pretensa verdade divina taxam o comportamento alheio de pecado e condenam os diferentes a uma vida de inferno aqui na Terra.

Como já disse aqui, líderes religiosos dizem que não incitam a violência. Mas não são suas mãos que seguram a faca, o revólver ou a lâmpada fluorescente, mas é a sobreposicão de seus argumentos ao longo do tempo que distorce a visão de mundo dos fiéis e torna o ato de esfaquear, atirar e atacar banais. Ou, melhor dizendo, “necessários”, quase um pedido do céu. São ações como a de Bento 16 e de Silas Malafaia que alimentam lentamente a intolerância, que depois será consumida pelos malucos que fazem o serviço sujo.

Afinal de contas, fundamentalismo não é monopólio de determinada religião.

dica do Alex Zerbinatti

Comentários

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10 Comentários

  1. Eline disse:

    Acho incrível a falta de aceitação de liberdade de expressão que os ditos “blogueiros cabeças pensantes de plantão” tem. Assim como os homossexuais temo direito de expressarem suas convicções sem impor, os líderes evangélicos, católicos também podem expor os princípios que eles acreditam e vivem. Fundamentalismo é pensar que a sociedade deve caminhar somente em via de mão única. O assunto em questão sobre incitar a violência não está associado a expressão de opinião, a problemática está muito mais ligada a um contexto sócio educativo. é cada uma!

    • Robson Mioto disse:

      Concordo com a Eline também!

    • Lukamartins disse:

      é incrível a cabeça de evangélicos que JAMAIS admitem a trave no próprio olho, mas adoram administrar o cisco dos outros. Jesus JAMAIS impôs uma moral. Tenho vergonha desses que se dizem seguidores de Jesus e querem apenas ‘moralizar’ os que não têm obrigação nenhuma com os padrões morais de cristãos, que não são os padrões morais de Cristo: o padrão dEle foi amar os inimigos e lavar os pés até dos que o trairiam. Ele viveu sob a influência do libertino império romano e jamais meteu o bedelho na moralidade dos de fora daqueles que se diziam “representantes de Deus” na terra… fariseus, viramos todos fariseus…nem de longe discípulos de Cristo!

  2. Marília Liz disse:

    -Qual a diferença entre o Bento e o Silas?
    -Um anda bonito, o outro elegante.

    Lembrei e ri. 

  3. Marília Liz disse:

    -Qual a diferença entre o Bento e o Silas?
    -Um anda bonito, o outro elegante.

    Lembrei e ri. 

  4. Marília Liz disse:

    Sinceramente, eu como protestante, não tenho medo algum das leis que uns e outros lutam por aí seja aprovada ou não. Pelo simples fato de que o meu Deus não perde o controle de nada. Então, relaxa e “gospel”… kkkkkkkkk

  5. Adriano disse:

    Concordo com Eline. Buscar responsabilidade mútua entre os que exercem violência e os que expressam a sua opinião – que condenam explicitamente os atos de violência – é percorrer um caminho que nos leva a considerar outras relações, muito mais importantes, de influência, referentes a outros aspectos sócio-culturais.

  6. Mary disse:

    Adorei o texto e concordo plenamente com ele. O papa e o pastor têm direito de ter a opinião deles, sim, e ninguém os está impedindo disso. O que eles não têm é o direito de impor que a sociedade se comporte de acordo com o que eles ACREDITAM, porque sim, essa é a CRENÇA deles, e não a verdade absoluta. O que eles não têm é o direito de tentar interferir na lei que legaliza o casamento homossexual e a lai que determina que homofobia é crime discriminatório, assim como o racismo. 

    Quanto à diferença entre eles, eu sinceramente não vejo nenhuma. São duas pessoas “quadradas”, alienadas, preconceituosas, prepotentes e arrogantes. 

  7. Adriano disse:

    Gostaria de acrescentar algo ao meu comentário anterior… admitir uma relação entre a emissão de opinião e os atos de barbárie cometidos contra os homossexuais é admitir algumas relações entre outras crenças e fatos. A lei do país e grande parte dos cidadãos são contra a prática do roubo… são eles responsáveis por linchamentos de ladrões de galinha que às vezes ocorrem? 
    A lei do país e grande parte dos cidadãos são contra a prática do estupro… são eles os responsáveis por estupros nas cadeias feitos pelos delinquentes contra os estupradores? Ora, é óbvio que não. “Gente… não pode falar que é contra assalto, não… senão alguém pode linchar algum ladrão… silêncio” ou então “Vamos tirar do ar o Polícia 24 Horas da Band porque lá mostra que é errado roubar, pois senão alguém pode linchar um ladrão…” ora,  é claro que as coisas não são assim. A validade do raciocínio de Sakamoto não sobrevive a si próprio…

  8. Milao2003 disse:

    Mais uma vez o discurso militante homossexual expõe seu viés ignorante e chauvinista, O articulista pretende que Bento XVI e Malafaia, se calem, contrariando suas próprias convicções, e aquilo que entendem como bom para seus fiéis e a sociedade em geral, tudo porque o comportamento homossexual deve ser considerado incriticavel !

    A tese de que, sucessivos argumentos, se sobrepõem para fundamentar perseguições, é de uma desonestidade tão evidente quanto a de um sujeito, que se apresenta como mulher, reinvindicar seguro maternidade. 

    Caso a “sucessão de argumentos” fundamentasse algum comportamento, esse seria o do respeito a expressão (como vemos no articulista, não se confirmou),  o defesa da liberdade de crença,  o amor a VERDADE e não ao falso, a tolerância mútua,  o perdão do arrependido, e a responsabilização justa do erro, a misericórdia com os fracos, o desvio do egoísmo e para não fugir do tema : a crítica à promiscuidade e depravação, seja ela hetero ou homossexual. Ou Bento XVI e Malafaia têm que se calar quanto a isto também?,

    O Cristianismo esta exposto a toda sorte de crítica e ridicularização, seja por parte de articulistas sem noção, seja por parte de ateus militantes, ou até, como é o caso, de grupos homossexuais articulados e subsidiados com dinheiro público, nem por isso existe movimento de crentes pela mordaça às críticas, nem mesmo às insidiosas e abertamente difamatórias. Aqui esta o cerne da questão: todas as leis já existentes são o suficiente para a defesa das liberdades e direitos do cidadãos, e nós,cristãos, as usaremos.

    O que Malafaia e Bento XVI, acertadamente combatem, não é, de forma nenhuma ,o direito inegável que têm os  individúos de se estrupiarem ou degradarem sexualmente, muito menos  a impunidade dos maltratos, perseguições, constrangimentos pelos quais passam os homossexuais eventualmente, e é bom que se diga, cada vez menos!, de fato, o que Malafaia e Bento XVI pretendem aniquilar é a  IDEOLOGIA e o MOVIMENTO POLÍTICO, que se divisa por trás dos atos diversos, perpetrados pelo gayzismo, contra a estrutura legal que suporta o conceito de família, enquanto fundamento de qualquer organização de sociedade jamais existente no mundo. Esses líderes têm feitos suas críticas abertamente, democraticamente e absolutamente inseridos dos seus respectivos direitos políticos e de representação, eles não estão tentando “amordaçar” os opositores como pretendia a PL122/2006.

    Não obstante a lisura e objetividade da crítica desses líderes cristãos ser franca, e eu diria, até dura, ela se mostra muito mais tolerante e inclusiva que outras observadas do ponto vista histórico, tais como verificadas nos países de estrutura jurídica atéia ( Cuba, China, Coreia do Norte, e a antiga União Soviética) ou de regimes mulçumanos onde o homossexualismo é crime apenado com morte. Onde estão as passeatas gays de Cuba, do Irã, China, Arábia Saudita, Líbano.. etc.?…

     A verdade é que o Cristianismo  propiciou uma cultura ocidental diversificada, moderna e tolerante. Não que seja perfeita, mas permite a depuração e aperfeiçoamento das instituições socias inspiradas nos seus valores ( perdoar, arrepender, justificar e corrigir são os fundamentos da “salvação” cristã). Por outro lado que tipo de cultura estaremos criando com a “santificação” do sexo anal, ou a canonização do homossexual como indíviduo incriticavel e ascético? 

    A investida, militante e gayzista, contra os cristãos é “um tiro no próprio pé” , que eles a si mesmo perpetram, insuflados pela demagogia corrupta  dos esquerdoídes do momento politico brasileiro, sabidamente aético, amoral e cínico.

     Já o casamento gay é um contrasenso em si, uma vez que é o instrumento legal de constituição familiar,a união intrinsicamente estéril não pode ser considerado família. Evidentemente que casais normais, que não pretendem ter filhos, podem casar-se, mas serão apenas isso – casais!  e se forem sadios, ao praticarem sexo terão filhos, constituindo assim uma família, condição essa que o casal homo jamais terá, não obstante os armengues e arrumadinhos diversos para contornar a condição natural.  Estender a idéia do ente social familiar a dois homens ou duas mulheres que se juntam, esta muito aquém do real sentido de constituição  familiar. O conceito libertino é oriundo, não da responsabilidade social, do bem estar público, da construção ideológica para um futuro melhor, mas pelo contrário, é fruto do hedonismo hipererotizado e ativista do STF petista.

    Concluindo Srs. o homossexualismo é dúbio até na sua própria conceituação, uns deles como Luiz Mott do grupo Atobá, acham que é uma opção, um desejo sensual e individual, já outros entendem como condição natural e herdada, arranjaram então uma palavra mais vazia ainda: ORIENTAÇÃO, ora, se é orientação, então vamos dar a certa, e não essa empurrada goela abaixo pela mídia e articulistas irresponsáveis!

    marcilio leão 

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