Presente para mim e para você

Helena Beatriz Pacitti

“É graça divina começar bem. Graça maior persistir na caminhada certa. Mas graça das graças é não desistir nunca.”
Dom Helder Câmara

Remexendo uma caixa postal antiga e quase desativada, encontro um rascunho onde deixei uma reflexão incompleta direcionada a mim mesma em um dos piores momentos da minha vida.  Não era somente um pior momento. Eram dias de tragédia, de perda, de ficar sem chão. Não me lembro de ter conversado com alguém naquela época, exceto meus médicos, portanto escrever foi a forma que encontrei para não sucumbir.

Passado tanto tempo, encontro antigas palavras e me emociono. Apesar de não ter direção alguma naquele momento, acho que pressenti que sobreviveria.

Também descobri que já não importa o ‘tamanho’ da tragédia, se é que essas coisas têm tamanho. Tragédia pode ser perder alguém que muito se ama. Ou descobrir-se com uma doença incurável.  Ou sofrer um sequestro  relâmpago, uma violência sem aviso.  Pode ser algo agudo ou crônico. Perder tudo o que se possui depois de uma catástrofe como uma enchente, um deslizamento de terra, um incêndio, um ato terrorista. Pode até acontecer de serem todas essas coisas juntas,  ou combinadas (até nisso as tragédias parecem incorrer).  Mas, neste caso – como depois concluí- a sensação é de que a tragédia é uma só, e não várias.

Encontrar esse registro tornou-se hoje um pequeno presente para mim mesma. Então lá vai:

Os dias seguintes  a minha tragédia pessoal costumam ser de um certo amortecimento.  Às vezes acordo razoavelmente tranqüila, racionalizando assim: ”não adianta pensar demais agora. Vou levantar, escovar os dentes e começar o dia. Passo por passo.”

É tão estranho você passar o dia conversando com pessoas que te buscam pedindo ajuda ou conselho, ou abrindo o coração, falando, além de saúde e doença, de anseios , de expectativas no emprego e na vida.  Elas te buscam às vezes querendo uma solução mágica, ou querendo apenas desabafar.  Tenho mais ouvido que falado, deixando no final “vazar” alguma coisa bem sincera como: ” Você não acha que se eu te disser para parar e fumar e beber, tirar todo o sal e gorduras da sua dieta, fazer exercício e tirar férias, você não vai se sentir mais oprimido ainda? Então eu não vou falar, pronto. Vamos tentar negociar e ver o que é factível, mesmo que seja pouca coisa.  Aí a gente pode acompanhar os progressos daqui a um determinado tempo…“

Só isso, mas agora me ocorre desejar-lhe: comece bem esse ano. Persevere. Passo a passo, sem necessidade de metas mirabolantes.  É possível sobreviver a situações-limite.  É possível sorrir de novo.  Um dia o tempo das lágrimas acabará.  Certas palavras pertencem ao passado, mas são capazes de germinar, tornando-se frutos de paz para este presente.  Que hoje divido com você.

fonte: Timilique!

Comentários

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1 Comentário

  1. Maria José disse:

    Oi há tempo venho procurando ter notícias da família e encontrei esse endereço e envio o meu gostaria de saber da D.Neide,Flavio e todos meu endereço é marizeze.56@g.mail.com
    Maria José bjs e obrigado

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